MUSEU

Depois do cafezinho, volte em um importante período da história brasileira

Antiga Bolsa do Café, em Santos, tornou-se um museu que vale a visita antes ou depois da praia. Além de conhecer a história, o turista pode degustar a bebida e comprar o produto

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postado em 04/03/2017 09:00 / atualizado em 02/03/2017 19:20

Museu do Café/Reprodução

O prédio imponente encravado entre as ruas XV de Novembro, do Comércio, Frei Gaspar e Tuiuti, no Largo do Café, centro histórico de Santos, não passa despercebido entre trabalhadores do entorno e turistas na cidade portuária do Litoral Paulista. Além da beleza monumental, um aroma agradável rompe as fronteiras do edifício porta afora, convidando os amantes de um bom café para uma paradinha no andar térreo. É hora de relaxar e curtir uma atmosfera histórica.

 

O Museu do Café tem muito a contar. Visitá-lo é um programa bastante recomendado, aliás, tem a oportunidade de mergulhar em um dos períodos mais importantes da história do Brasil, quando o produto, considerado o “ouro negro”, impulsionou a economia nacional desde o início do século 19 até a década de 1930, na qual um dos símbolos mais consistentes eram os barões do café e suas fortunas, oriundas de fazendas com plantações do insumo a perder de vista.

 

Sérgio Aveliono Campagnoto/Flickr

Conhecer o local onde funcionou a Bolsa Oficial do Café tem sido uma das atrações mais bacanas em Santos. Além de um preço bastante em conta no tíquete de entrada —  R$ 6 na inteira e R$ 3 na meia — a visita começa com uma boa degustação de café. Na Cafeteria do Museu, no térreo, o visitante pode escolher entre vários tipos da bebida, incluindo o desejado espresso e torra de grãos arábica, do cerrado mineiro e capixaba, e bourbon de Carmo de Minas e Poços de Caldas.

Por dia, circulam cerca de 600 pessoas e são vendidas em torno de 450 xícaras de café. Tornou-se ponto obrigatório de parada não apenas para turistas, mas para moradores e trabalhadores da região que circulam pelo Centro Histórico de Santos.

Depois do cafezinho, é hora de voltar no tempo. Após a entrada, o visitante logo é apresentado ao Salão do Pregão. O local suntuoso é composto por um conjunto de 154 peças de mobiliário, com 70 cadeiras para corretores e quatro para síndicos, mesa para a presidência no centro, sete poltronas para o presidente, direção e visitantes, mesinhas redondas para corretores e mesas para os síndicos. Tudo distribuído em formato octogonal, que representava a hierarquia da Bolsa.

O local recebia inúmeros corretores, que passavam horas avaliando as cotações e negociando o melhor preço para a saca do café. A beleza não se estende à mobília antiga, talhada sob medida. No teto, um vitral, feito pelo pintor paulista Benedito Calixto, com símbolos dos períodos colonial, imperial e republicano, retrata a epopeia dos bandeirantes, desbravadores do interior do Brasil, e representa a transição da era do açúcar para a do café.

De acordo com Marília Bonas, diretora-executiva do Museu do Café, o local abriga um importante legado da história brasileira. “Os visitantes podem conhecer os verdadeiros protagonistas da Era do Café, desde os escravos até os imigrantes e barões, que estavam por trás desta riqueza. Muita gente esquece o valor das mãos calejadas que participaram da sua produção”, conta.

 

De bonde

Além da visita interna ao prédio da antiga Bolsa do Café, o turista tem à disposição um passeio de bonde. O veículo, totalmente estilizado após restauração concluída em 2015, transporta 24 pessoas pelas principais ruas do centro histórico da cidade litorânea paulista. Um giro que, por R$ 6,50, vale a pena e deixa saudade.

 

» Curiosidades

Vitral

Na entrada principal do Museu do Café, os turistas se deparam com um pequeno vitral acima das portas com o símbolo dos “Estados Unidos do Brasil”, nome que era dado ao país na época da inauguração do prédio e que permaneceu até 1967. O Brasão de Armas do Brasil, composto de um ramo de café e um de fumo, simbolizava as culturas mais importantes no Brasil na proclamação da República, em 1889.

 

Salão

Museu do Café/Reprodução

Era o espaço no qual aconteciam as negociações que determinavam as cotações diárias (preços) das sacas de café. Os pregões foram realizados no salão de 1922 até o final da década de 1950. É composto de 81 cadeiras, incluindo a da presidência.

Pregões
O espaço onde hoje funciona o Centro de Preservação, Pesquisa e Referência, no térreo do museu, era ocupado pela Caixa de Liquidação, onde os títulos negociados no pregão eram efetivados e pagos. No mezanino, os barões do café assistiam às sessões dos pregões.

Bolsa
A Bolsa Oficial do Café possui arquitetura combinando diferentes estilos com predominância do neoclássico e do barroco. O prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2009.

Torre do relógio
Tem cerca de 40 metros de altura, mais alta que o próprio prédio da Bolsa Oficial de Café. No topo, há quatro esculturas que simbolizam os segmentos econômicos da agricultura, comércio, indústria e navegantes.

Jacinto

Sérgio Avelino Campagnoto/Flickr

Diz a lenda que teria sido um carregador de café o homem que conseguia empilhar nos ombros até cinco sacas de 60 kg, totalizando 300 kg. Alguns dizem que ele era português, outros, que participava de um tipo de concurso de força no cais do Porto de Santos e que recebeu o apelido de “Sansão do cais”. A única informação concreta são cartões-postais editados da primeira década do século 20, em que a sua imagem aparece

Instalações

O terceiro andar, antes de escritórios particulares, foi utilizado até a década de 1970 como Clube da Bolsa e tinha biblioteca, sala de jogos e um restaurante, aberto aos sócios e a seus convidados

 

* O repórter viajou a convite da Nespresso Brasil

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