ENTRE MUROS

Muralhas conservam visual cinematográfico de cidades medievais

Visitar locais cercados por muros é viajar no tempo. Se, no passado, as fortalezas serviam para proteger, hoje, o barato é caminhar sobre elas e observar tudo do alto

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postado em 11/03/2017 09:00 / atualizado em 09/03/2017 12:54

Mariana Barcelos/Flickr

Muralhas são estruturas essencialmente defensivas que, em tempos de paz, perdem a qualidade de proteção para se tornar atrações turísticas incríveis. Algumas cidades ganham com isso: as fortificações são os principais pontos de interesse dos visitantes. Caminhar em cima dos muros é a programação clássica. De uma altura razoável, é possível observar os contrastes entre o lado de dentro e o de fora. Os muros conservam um visual bem diferente em cada universo e, em certos lugares, marcam o isolamento. O cenário é cinematográfico e quase sempre europeu. No Velho Continente, o estilo é medieval: as fortalezas são de pedra, reforçadas com torres e fossos.

 

A cidade francesa de Carcassone é referência certeira para trazer à memória contos de fada e filmes de aventura que se passam na Idade Média. Na região do Languedoc, sul da França, o lugar é uma das maiores amostras da arquitetura medieval da Europa, com seus castelos, torres e paredões de pedra. Em uma visita à cidade, vá ao Museu da Inquisição. O acervo inclui objetos de tortura usados no período. O Château Comtal — castelo protegido pela fortaleza, utilizado pelos nobres como esconderijo durante as Cruzadas — também merece atenção. Termine o passeio na Basílica de St-Nazaire, que exibe vitrais em forma de flor e gárgulas na decoração. Conheça outras cidades muradas, dentro e fora da Europa, selecionadas pelo Turismo.

 

Dubrovnik, Croácia

Elvis Barukcic/AFP

A cidade fortificada é o lugar mais visitado do país, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco. As construções de pedra são maioria na paisagem — abrigam bares, lojas, restaurantes, museus e igrejas. As muralhas têm até 25 metros de altura em alguns pontos. Ao longo de 2km, cercam toda a Velha Dubrovnik. Quem faz a volta completa tem como recompensa a vista para o Mar Adriático.

Iorque, Inglaterra

Grahambier/Flickr

Com raízes romanas e vikings, a cidade murada foi um dos núcleos da Guerra das Rosas no século 15. O melhor jeito de conhecer o lugar é caminhando pelo centro, cheio de ruazinhas estreitas. A imponente Catedral de Iorque, erguida no estilo medieval, faz coro com  o Museu de Iorque, cercado por jardins, as ruínas do monastério de Saint Mary’s Abbey e o Castelo de Iorque. As muralhas foram erguidas pelos romanos, no primeiro século antes de Cristo. Por isso, ao longo da estrutura há uma mistura entre esse estilo e o medieval (mais recente).

Jerusalém, Israel

Cleide Neto/Flickr

As muralhas que cercam a Cidade Velha eram símbolo da soberania do Império Otomano e fizeram parte de cenas retratadas em livros sagrados de várias religiões. A estrutura tem mais de 4 km de comprimento, 12 metros de altura e 8,5 metros de espessura. As 34 torres de vigia e oito portões de entrada serviam para monitorar o território, mas hoje os muros viraram atração turística. Em conjunto com a Cidade Antiga, os paredões são Patrimônio Mundial da Unesco desde 1981.

 

Rothenburg ob der Tauber, Alemanha

Wikimedia Commons/Reprodução

Situada na Rota Romântica da Alemanha, na região da Baviera, a cidade tem charme medieval e arquitetura renascentista. A localização é um atrativo a mais: acima do vale do Rio Tauber. Por isso, o nome da cidade quer dizer, literalmente, “a fortaleza vermelha sobre o Rio Tauber”. Os paredões que protegem o cenário de conto de fadas têm cerca de 10 metros de altura. É permitido caminhar na parte superior, decorada com flores coloridas. Em 1170, Rothenburg era um ponto importante nas rotas comerciais do país e chegou a ser maior que Frankfurt e Munique até o século 15.

Óbidos, Portugal

Carolina Braga/Flickr

A vila medieval já foi habitada por romanos, mouros e visigodos, muito antes de Cristo. Hoje encanta os turistas com seus castelos, igrejas, capelas e lojinhas. Para entrar na cidade é preciso atravessar a Porta da Vila, portal decorado com azulejos brancos e azuis, que exibem desenhos de cenas da Paixão de Cristo. Dentro da cidade, o Castelo de Óbidos pode ser a melhor opção de hospedagem. Construído no século 18 e situado entre as Sete Maravilhas de Portugal, funciona como pousada. O casario de Óbidos é bem típico, nas cores azul e amarelo, e para ver tudo de cima a dica é caminhar sobre os 2km de muralhas. A vista panorâmica inclui o entorno da cidade e um aqueduto antigo.

Ávila, Espanha

Pinterest/Reprodução

Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985, a cidade foi fortificada na Idade Média e tem os muros como atração principal. Em frente à Praça de Santa Teresa, há um acesso para quem deseja caminhar sobre eles. Na metade do trajeto, a Catedral de Ávila será parada obrigatória, já que foi construída integrada à muralha. O templo demorou três séculos para ficar pronto — as obras começaram no século 17. É preciso contorná-lo (descer e subir o muro de novo) para concluir o caminho. A Basílica de São Vicente e a Capela de Mosén Rubi são pontos de interesse do lado de dentro. Inclua no roteiro.

Xi’an, China

Maros Mraz/Blogging Backpacker

As muralhas protegem o centro da cidade, que foi a primeira capital da China unificada. O muro é largo como asruas, e é possível caminhar sobre ele. Do lado de dentro, a Torre do Tambor e a Torre do Sino são símbolos da época do tirano imperador Qin Shi Huang Di. Em torno delas, a modernidade é regra: iluminação em neon e bastante movimento. Perto das torres, o Bairro Islâmico mostra um lado pouco conhecido da China. Como fez parte da Rota da Seda, Xi’an recebeu mercadores islâmicos de várias partes da Ásia. Lembrança dessa influência cultural é a Grande Mesquita.

Rodes, Grécia

Travelling Backflip/Reprodução

Com ar de medieval, a cidade fica próxima da Turquia e é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. As muralhas em torno dela somam 13km e, na área protegida por elas, o Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo, impressionava a todos. A estátua de bronze homenageava Hélio e teria demorado 12 anos para ficar pronta, a partir de 292 a.C. Ficava na entrada do canal de acesso à ilha — por isso, qualquer embarcação tinha de passar debaixo das pernas de Hélio para entrar lá. A estátua ficou de pé por 55 anos, até ser derrubada por um terremoto. Histórias como essa e praias de águas azul-turquesa fazem da ilha grega um destino inesquecível.

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