COM OS ASTROS

Roteiros onde o céu é a estrela provam que vale a pena esperar pela noite

Que tal colocar o pé na estrada para observar as estrelas? Confira os melhores lugares do Brasil para admirar o firmamento e as dicas para tirar boas fotos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 12/04/2017 13:33 / atualizado em 04/05/2017 16:32

Marcio Cabral/Divulgação

Vou sair pra ver o céu

Vou me perder entre as estrelas

Ver daonde nasce o sol

Como se guiam os cometas pelo espaço

E os meus passos

nunca mais serão iguais

Se for mais veloz que a luz, 

então escapo da tristeza

Deixo toda a dor pra trás,

perdida num planeta

abandonado no espaço.

E volto sem olhar pra trás

No escuro do céu

Mais longe que o sol

Perdido num planeta abandonado

No espaço...

 

(Busca vida, Os Paralamas do Sucesso)

 

Um binóculo, um aplicativo instalado no smartphone, câmera fotográfica e os olhos adaptados à escuridão — esses são os itens mínimos necessários para curtir ao máximo a experiência de observar o céu. Para os inexperientes, um aplicativo no celular ajuda a localizar constelações. A câmera, configurada da maneira correta, eterniza os melhores momentos. Os olhos e o binóculo são indispensáveis — tornam os astros, em primeiro lugar, visíveis e, em segundo, mais nítidos.

 

Museus astronômicos, planetários e observatórios têm equipamentos e profissionais que tornam a atividade ainda mais interessante, mas a experiência de estacionar o carro na beira de uma estrada com pouca iluminação e olhar para cima, com calma, também tem seu valor. O interessante do turismo astronômico é que ele abraça todas essas possibilidades — basta que alguém, em algum lugar, saia de casa com os olhos direcionados à contemplação. Está esperando o quê para praticar?

 

Marcio Cabral/Divulgação

Lembranças do céu

O fotógrafo Marcio Cabral, 40 anos, é geógrafo por formação, mas especializado e apaixonado por fotografia de paisagem há 21 anos. Com muitas fotos de céu estrelado e alguns prêmios internacionais no currículo, ele conta que sempre leva a câmera na mala — seja em saídas a trabalho, seja em passeios de férias. Um dos melhores lugares para exercitar o ofício e a paixão é a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Mais afastadas de Brasília, a Chapada Diamantina (BA), Fernando de Noronha (PE) e Bonito (MS) estão entre os destinos preferidos. Fora do Brasil, ele destaca a Patagônia e o Deserto de Atacama, no Chile. “Lá tem um céu perfeito para fotografia, com quase nenhuma nuvem”.

 

Cabral tem sua opinião sobre os melhores lugares para capturar as cenas do firmamento. “Tem que ter condições climáticas para isso, algumas técnicas e equipamentos como um tripé, câmera com boa abertura, com alto ISO e pouco ruído”, recomenda Cabral. Para os iniciantes, a dica é estudar e ver fotos de referência sobre o assunto. “Há uma infinidade de blogs e sites na internet que ensinam a tirar essas fotos. Um curso básico para entender a câmera também vale a pena”. Mas o importante é começar e, depois do treino, ver se está interessado. “Vá melhorando no equipamento, na técnica, e desenvolva suas fotos”, encoraja.

 

O movimento das estrelas foi cristalizado no Deserto de Atacama: quase uma pintura

Trabalho duro

As viagens dos fotógrafos profissionais envolvem, além da contemplação, muito planejamento e trabalho duro. Cabral conta que, quando viaja, fica de 10 a 15 dias no lugar. “A prioridade é fazer as fotos, mas nem sempre as condições climáticas estão perfeitas. Também tento equilibrar trabalho com lazer”.

 

Mesmo que a sessão fotográfica seja à noite, a preparação começa cedo. Cabral conta que, durante o dia, vai ao local onde deseja fotografar. Um aplicativo de astronomia instalado no smartphone indica a posição da Via Láctea e da Lua (o melhor período é o da Lua Nova) no local. “Vejo o melhor horário que a Via Láctea estará ali e volto depois”. Os equipamentos que não podem faltar para ir a campo são lanterna, tripé e câmera com lente clara. A paciência também é companheira de viagem — algumas fotos demoram uma hora ou mais para ficarem prontas.

 

Binóculo ou telescópio

Para quem tem pouco conhecimento sobre astronomia, o binóculo é o mais indicado, porque proporciona uma visão mais ampla de uma área abrangente — com mais corpos celestes. O telescópio tem mais zoom naturalmente, então, o observador terá uma visão mais restrita dos planetas, mas com muito mais detalhes — ideal para quem quer ver superfícies e texturas bem de perto. Dica valiosa: procure binóculos em lojas de artigos militares e garanta um tripé na sacola de compras, porque os objetos são pesados.

 

Marcio Cabral/Divulgação

Céus do Brasil

“A astronomia é útil porque nos eleva acima de nós mesmos; é útil porque é grande, é útil porque é bela”. A frase é de 1904, mas continua atual. Escrita pelo físico francês Henri Poincaré, já descrevia a importância do estudo dos astros para a humanidade. O interesse pelo que existe além da atmosfera terrestre move tanto a ciência quanto a curiosidade das pessoas desde a Antiguidade.

 

Encontrar o lugar perfeito com o céu perfeito não é sonho de consumo apenas dos estudiosos, mas dos viajantes apaixonados pela natureza. Não existe um roteiro de turismo astronômico consolidado no Brasil, mas as dicas de quem costuma viajar para fazer isso e tem algum conhecimento científico indicam o norte.

 

O diretor técnico do Clube de Astronomia de Brasília, Adriano da Silva Leonês, afirma que faltam incentivos para o exercício da ciência em observatórios astronômicos no Brasil, mas destaca lugares onde é possível curtir o céu por conta própria, acompanhado apenas por um binóculo. “Procure locais altos. Neles, o ar é mais rarefeito e dificulta a formação de nuvens”. Luziânia, Alto Paraíso e Cavalcante são ótimas escolhas.

 

Fora das áreas rurais, vale a pena visitar planetários. “Destaco o planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, e o Planetário de Brasília, recém-reinaugurado. Muita gente não sabe, mas Goiânia e Anápolis também têm planetários”. No site da Associação Brasileira de Planetários (ABP), há entre 50 e 60 espaços como esse, listados por região. Confira: www.planetarios.org.br

 

» Visite

Planetário do Rio de Janeiro Carl Sagan
Que tal conhecer a Cidade Maravilhosa através de outras lentes — as de um telescópio? No bairro carioca da Gávea, o visitante tem à mão um complexo de astronomia e diversão. A começar pelo Museu do Universo, que abriga 60 experimentos interativos e exposições. Outras atrações são uma biblioteca, com 2,5 mil livros no acervo e a Praça dos Telescópios, onde ocorrem as observações.

» Informações: www.planetariodorio.com.br.

» Funcionamento: aberto de terça a domingo

» Ingressos: R$ 13

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.