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Conheça uma cidadezinha portuguesa cercada por muralhas do século 12

Os templários ergueram fortificações por toda a Europa e Terra Santa. Na cidade, o castelo e o Convento de Cristo foram inspirados em estruturas do Oriente Médio

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postado em 18/04/2017 10:00 / atualizado em 12/04/2017 17:47

Roberta/Flickr

Sob as ruínas mouras, ao topo da mais alta colina que se debruça sobre o fértil vale do Rio Nabão — Tomar, na Idade Média —, estende-se um cinturão de muralhas do século 12. Abriga e protege um dos mais significativos conjuntos monumentais da arquitetura peninsular europeia. Patrimônio da humanidade, o Castelo de Tomar e Convento de Cristo, que foi sede das ordens religiosas e militares dos Templários e, mais tarde, de Cristo, absorve contribuições artísticas de diferentes estilos, que saltam ao longo de aproximadamente 700 anos de história.

 

Tomar nasce com o espaço fortificado, a partir da doação do Castelo de Ceras e seu termo aos Templários, por dom Afonso Henriques, em 1159. Obra inédita em Portugal, foi inspirada, possivelmente, em estruturas semelhantes às do Oriente Médio, como a Torre de Menagem e o alambor, este um talude de reforço em forma de rampa na base da muralha para manter a distância  das máquinas de assalto.

 

A muralha original incluía a Alcáçova, reservada às dependências dos cavaleiros templários, a Almedina, onde se implantava o burgo, e o oratório dos montes soldados. Este, além de um dos melhores entre os raros exemplares existentes de igreja em rotunda, é o símbolo das guerras santas que marcaram a Idade Média.

 

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente, Cavaleiros Templários, foi fundada em 1118, depois da Primeira Cruzada, sob as bênçãos do papa, nos estertores do período feudal. Ainda pretendia, naquela Europa ameaçada pelo domínio mouro, contra-atacar o islã no Oriente Médio.

 

Dominique Montestier/Flickr

Pelos dois séculos após a fundação, a Ordem dos Templários cresceu em número de combatentes e em poder: integravam-na as mais qualificadas, violentas e impiedosas unidades das Cruzadas. Os resultados obtidos nos campos da “guerra santa” logo levaram os templários a outros âmbitos de atuação eclesiais: dedicaram-se a desenvolver técnicas financeiras implantadas em ampla infraestrutura econômica, o embrião daquele que seria o futuro sistema bancário, movido ao lucro.

 

Eles ergueram fortificações por toda a Europa e Terra Santa e perseguiram, sem trégua, os mouros daquele continente. Contudo, não partiu do Alcorão a sua ruína. Foi nutrida no seio de sua própria religião, tramada por seus devedores, que se tornam adversários. Aliado do papa Clemente V, Felipe, o Belo, rei da França, encetou a cruzada contra os templários a partir das duas primeiras décadas dos anos 1300, com o confisco de sua fortuna e execução de grãos-mestres: foi a vez do fortalecimento da Igreja e do Estado da França.

 

Em toda a Europa, o embate entre criador e criatura, os interesses das cortes emergentes e de suas burguesias nacionais, além das disputas daí decorrentes no seio da própria Igreja, destroçam os cavaleiros templários. Mas em Portugal o desfecho foi distinto: uma manobra de Dinis I (1279-1325) junto ao sucessor de Clemente V, papa João XXII, obteve êxito na expedição da bula Ad ae exquibus (1319), constituindo a “nova” milícia santa: a Ordem de Cristo. Esta viria a herdar todos os bens dos templários. Os “novos” combatentes de Cristo sediaram-se a partir de 1334, em Tomar.

 

Dirigidos por Henrique, o Navegador, que se tornou o grão-mestre a partir de 1420, esses cavaleiros tomaram parte na aventura marítima de Portugal, lançando ao mar um novo tipo de embarcação, a caravela. O mosteiro viria a se beneficiar das riquezas pilhadas no ultramar e não à toa traz, em belíssima decoração, todos os símbolos dos descobrimentos: as cordas, a cruz da Ordem de Cristo e a esfera armilar, um instrumento de navegação.

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