RELIGIOSIDADE

Visite as basílicas da Úmbria, destino religioso consagrado da Itália

Na região italiana, a cidade de Assis é uma das rotas de peregrinação mais importantes do país. Duas basílicas atraem fiéis de todo o mundo a de São Francisco e a de Santa Clara

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postado em 20/05/2017 10:00 / atualizado em 18/05/2017 17:26

Daniel Danusa/Flickr

Cercada por muralhas, Assis escala o Monte Subásio e se eleva sobre o plácido Vale del Tescio, na região da Úmbria, conhecida como “coração verde” da Itália. Ao cume, a fortaleza da Rocca Maggiore. Domina, há mais de 800 anos, um vasto horizonte da Perúgia a Spoleto, numa localização estratégica fortemente defensiva em relação às vizinhas. Nesse castelo, Frederico Barbarossa (1122-1190), imperador romano-germânico, teria passado um curto período de sua infância e Frederico II (1194-1250), que o sucedeu, viveu em sua juventude. Não por essa cidadela, contudo, exemplo de arquitetura militar medieval, destruída e reconstruída algumas vezes na história, a encantadora cidade medieval, terra de ótima gastronomia e incríveis azeites, é tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

 

Em Assis, nasce para o mundo o Sol, como afirma Dante Alighieri em sua Divina comédia. Nada mais atual para a Igreja Católica, que tem à frente o Papa Francisco, inspirado em Giovanni di Pietro di Bernardone, conhecido por Francisco de Assis. Mas em Assis também brilha a Lua, Chiara, que abandonou a nobreza para fundar a Ordem das Clarissas. Clara e Francisco, unidos em vida e na eternidade em torno da mensagem de amor aos pobres, doentes e aos animais, estão em cada ruela e praça da histórica cidade.

 

Daniela Goulart/Flickr

A começar pela Basílica di San Francesco, cuja pedra fundamental foi depositada, em 17 de julho de 1228, pelo Papa Gregório IX, onde Francisco fora enterrado. Concluída em 1253, constitui a mais antiga igreja gótica da Itália. Anuncia em afrescos dos séculos 13 e 14, assinados por Cimabue, Simone Martini, Pietro Lorenzetti e Giotto, a vida do homem que falava com os pássaros. O conjunto da obra é considerado ponto de partida e referência da evolução da arte e da arquitetura italiana.

 

Caarolyn Sugg/Flickr

Não muito longe, descansa Clara, na Basílica de Santa Chiara d’Assisi. Construída entre 1257 e 1265 em estilo gótico italiano, domina a praça com a simplicidade de sua fachada geométrica. Guarda, entre preciosas obras de arte dos séculos 12 e 14, crucifixo diante do qual, segundo reza a lenda, São Francisco teria recebido o chamado de Deus: “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja, que está em ruínas”. Contrapondo-se à Igreja Católica, que ostentava riquezas e acumulava poder, São Francisco fez voto de pobreza e se dedicou aos fracos, inspirando o mundo. Isolava-se no topo do Monte Subásio, no Eremo Delle Carceri — retiro sagrado — para orar e interagir com a natureza.

 

Frasefr Pettigrew/Flickr

Assis — Asisium para os romanos — é uma viagem ao tempo que retrocede em muito à Idade Média. Por volta de 1000 a.C., uma onda de imigrantes — os úmbrios — se instalou no vale superior do Tibre até o mar Adriático e naquela região. A partir de 450 a.C., esses assentamentos foram gradualmente dominados pelos etruscos: os romanos assumiam o controle da Itália central após a Batalha de Sentino em 295 a.C. Construíram, em uma série de terraços do Monte Subásio, as bases de Asisium. São evidências de sua presença as muralhas, o fórum (agora Piazza del Comune), o anfiteatro e o Templo de Minerva. Convertida pelo bispo Rufino — que foi martirizado em Costano — ao cristianismo em 238 d.C, a bela Assis integra a milenar história do continente. Mas entre todas as lágrimas e risos que testemunhou, nada jamais se comparou ao nascer do Sol e ao brilho da Lua.

Marco Azzalini/Flickr
 

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