DESCOBERTAS

Passeios subterrâneos revelam túneis, museus e adegas incríveis

Embarque nessas programações a sete - ou mais - palmos do chão e conheça museus, adegas, minas e muito mais

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postado em 10/06/2017 10:00 / atualizado em 14/06/2017 16:04

AFP PHOTO/PATRICK KOVARIK

Esqueça a luz do sol, as caminhadas ao ar livre, os parques, os museus tradicionais. Há coisas interessantes para ver e fazer debaixo da terra. O clima do passeio pode ser gastronômico. Nesse caso, as adegas subterrâneas que armazenam os vinhos enquanto eles envelhecem serão seu destino. E por falar em velhice, o passado vem à tona dentro dos túneis de minas desativadas — algumas com lagos no interior. Para uma programação com tom mais fúnebre, dá para visitar as criptas de algumas igrejas pelo mundo. Lá, onde sacerdotes estão enterrados, uma viagem pela história será inevitável.


As catacumbas ou ossários, que colecionam esqueletos a alguns palmos do chão, seguem a proposta. Um passeio pelas Catacumbas de Paris exibe pilhas de ossos de aproximadamente 7 milhões de pessoas, incluindo mortos em combate na Revolução Francesa. Os ossos estão ali porque os cemitérios já não comportavam mais a quantidade de cadáveres. Então, a ideia de ocupar parte dos túneis subterrâneos da Cidade Luz surgiu no século 18. “Tem que ter estômago”, relata Caio Victor Paixão, 22 anos, que se aventurou nos túneis em dezembro passado.

O estudante fez o trajeto acompanhado de um amigo, logo após ter visitado a Catedral de Notre Dame. “É um lugar nada chamativo, superescondido. Saindo de uma estação de metrô, você vê uma casinha pintada de verde-escuro com uma fila gigante na frente. Você passa por uma catraca e desce uma escada em formato de caracol por 20 metros. Parece que não tem fim”.

A sensação de claustrofobia é crescente para os mais sensíveis, relata. “Lembrei de um filme de terror que se passava nas Catacumbas e parei no meio do caminho, me perguntando o que eu estava fazendo ali”, lembra. O amigo seguiu viagem e viu os ossos, que ficam no final do percurso. Caio voltou dali mesmo — dizia a quem perguntava que tinha recebido uma ligação e que precisava ir embora. “Lá em cima, na catraca, tinha gente rindo de mim. É uma experiência fantástica. O medo não é dos ossos. O ruim é a sensação de estar embaixo da terra. O túnel não me cabia de braços abertos. Superindico, mas eu não vou nunca mais”, brinca.

Visite

Catacumbas de Paris

Ingressos: entre 10 e 16 euros
Informações: www.catacombes.paris.fr

Museu Histórico de Barcelona
Ingressos: a partir de 7 euros
Informações: www.museuhistoria.bcn.cat/en

 

Rotas subterrâneas

De igrejas a adegas, passando por esconderijos militares, confira cinco passeios debaixo da terra selecionados pelo Turismo

Estado Líquido Wines & Spirits/Reprodução

Adega Cricova Oenotec (Moldávia)
Os túneis de uma das maiores adegas do mundo abrigam mais de um milhão de garrafas, rotuladas por cerca de 600 marcas diferentes, ao longo de 113km de caminhos  sob a terra. Além do armazenamento, sobra espaço para salas de degustação e de jantar. Durante o regime soviético, apenas políticos e celebridades podiam entrar. O presidente Mikhail Gorbachev e o astronauta Iuri Gagarin já passaram por lá. Vladmir Putin tem sua coleção particular ali, assim como Herman Göring, fundador da Gestapo (polícia política alemã).



Mina de Sal Wieliczka (Polônia)
O acervo de um museu sobre mineração está disposto nos túneis dessa antiga mina de sal polonesa que funcionava no século 18.  Muita gente se casa no lugar, que tem uma igreja feita de sal. A profundidade é de cerca de 300m. Esculturas feitas do mesmo material — como a do papa João Paulo II, nascido na Polônia — enfeitam o interior da mina e ilustram a história da mineração no país. A descida inclui mais de mil degraus, mas não há motivo para desespero — na volta, um elevador facilita a subida.

Jaime Costa/Flickr

Minas do Camaquã (Rio Grande do Sul)
A exploração de cobre em Caçapava do Sul (260km de Porto Alegre) acabou em 1989 e muita gente deixou a cidade. Hoje, uma das atrações do lugar remonta a essa era de ouro. O turista pode passear pelas galerias subterrâneas onde ocorria a extração de metais. Interligados, os túneis somam 43km e estão a 300m de profundidade. Do lado de fora, há uma cratera alagada de 350m de profundidade, onde é possível remar sob supervisão. Outra opção é subir a Pedra da Cruz, que tem 1.100m de altura, e descer de tirolesa.


UOL TAB/Reprodução

Cripta da Sé (São Paulo)
A Catedral da Sé é uma das construções mais emblemáticas de São Paulo, no centro da cidade. No interior dela, sob o altar principal, há esculturas e tumbas de personagens históricos, como o cacique Tibiriçá — um dos primeiros indígenas a serem catequizados pelos jesuítas. Os restos mortais do inventor dos balões aerostáticos, o padre Bartolomeu de Gusmão, também estão ali. Quem olha pra cima vê o estilo gótico registrado no teto. O lugar não tem nada de abafado — o pé direito é de sete metros.

  • A visita guiada custa R$ 7 por pessoa. 
  • Mais Informações: (11) 3107-6832.

Bencmq/Wikimedia Commons

Túneis de Cu Chi (Vietnã)
Construído durante a Guerra do Vietnã pelos Vietcongues (guerrilheiros), o sistema de túneis subterrâneos de cerca de 100km de comprimento e apenas um metro de diâmetro foi um dos principais esconderijos permanentes dos soldados durante a guerra. Hoje, os turistas podem explorar uma parte do túnel e conhecer os centros de comando, refeitórios e espaços que acomodavam os feridos — muito parecidos com hospitais. Além disso, relíquias de guerra e armadilhas ficam expostas no local, a 40km da cidade de Ho Chi Minh.
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