COPA DO MUNDO RÚSSIA 2018

O coração da capital russa: conheça Moscou, a principal sede do Mundial

Depois de viajar até o outro lado do mundo, aproveite as pausas entre os jogos da Copa para conhecer o que há de mais belo no maior país do planeta

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postado em 18/06/2017 14:00 / atualizado em 14/06/2017 18:10

Sergey Ponomarev/Flickr

No coração da capital moscovita, a Praça Vermelha foi palco de execuções, de passeatas comunistas, serviu de passarela para desfiles militares soviéticos. Nela está exposto à visitação o corpo do líder da revolução russa, Vladimir Lenin. Mas, ao contrário do que se pensa, seu nome não é uma referência à cor símbolo do comunismo. Krasnaya Ploschad, como foi batizada em russo, pode tanto significar Praça Vermelha quanto Praça Bela.



Sua atração mais conhecida, a catedral de São Basílio está para Moscou como a Torre Eiffel está para Paris. O templo foi construído por ordem de Ivan, o Terrível, para comemorar a retomada da cidade de Kazan do poderio dos tártaros. Reza a lenda que, após pronta, Ivan mandou cegar seu arquiteto para que São Basílio permanecesse única em sua beleza.

 

Inspiração de Tchaikovsky 

Cepreñ/Flickr

Um mosteiro do século 16, o Convento Novodevichy é um dos conjuntos mais interessantes e bonitos de Moscou. Também chamado de Convento das Donzelas, é essencial para conhecer mais sobre a intrigante vida dos czares. Era para lá que os czares enviavam suas ex-mulheres, irmãs ou desafetos.

Após divergências, Pedro, o Grande, confinou sua meia-irmã Sofia em Novodevichy. Mais tarde, Sofia ganhou a companhia da primeira mulher de Pedro, Yevdokia Lopukhina. No total, 17 czarinas estão ali enterradas.

A lenda conta que o cenário bucólico, com um lago que na verdade é um braço do Rio Moscou, inspirou Tchaikovsky a compor O Lago dos Cisnes. Ao lado do convento está o cemitério, panteão de nomes como Chekhov, Gogol, Prokofiev, Eisenstein e outros russos notáveis.

 

Ortodoxas

Renato Alves/CB/D.A Press

A imagem da capital russa mais conhecida mundo afora é de uma igreja ortodoxa. Situada na Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio causa fascínio pelas cúpulas em mosaicos coloridos. Parada obrigatória para qualquer turista em Moscou. Mas não é a única.

Embora não tão colorida, a Catedral do Cristo Salvador (foto) merece destaque não só por sua beleza, mas também por sua importância para os cristãos ortodoxos, como descrito em post anterior.

Já as catedrais do Kremlin foram palco da fé e de coroações de czares e czarinas.  Ivan, o terrível, e dois de seus filhos estão sepultados na Catedral do Arcanjo São Miguel.

 

Por entre as muralhas do Kremlin  

Renato Alves/CB/D.A Press
 

Kremlin significa fortaleza, em russo. Muitas cidades russas têm seu kremlin, mas nenhum é tão famoso quanto o de Moscou. Símbolo do governo soviético, entre suas muralhas nasceu Moscou, em 1156. Hoje é sede do governo russo, mas serviu de residência aos czares.

Talvez por isso, o Kremlin tenha sido escolhido para abrigar o Museu das Armas (Armoury Chamber), que acumula em seu acervo riquezas imperiais, como os famosos ovos Fabergés, carruagens, joias e vestidos usados pelas czarinas.

Vinte torres compõem os muros da fortaleza, sendo a principal a Torre do Salvador. O acesso ao complexo, após rigoroso controle de segurança (é preciso passar por aparelho de raios-x e mochila ou bolsa grande é proibido), se dá pelo portão da Torre Trindade.

OickYourPoc/Flickr

Logo na entrada, centenas de canhões franceses capturados pelos russos durante a invasão napoleônica ostentam o poderio russo. Poderio que é refletido na disciplina imposta aos turistas. Para circular pelo Kremlin, é preciso seguir certas regras, como só atravessar nas faixas de pedestres e andar pelas calçadas.

Entre os prédios erguidos no Kremlin, a Torre do Sino de Ivan, o Grande, com 81m de altura, já foi a construção mais alta de Moscou. Hoje abriga um dos museus do Kremlin. Ao seu lado, sobre uma base de granito, o Sino do Czar, considerado o maior sino do mundo, impressiona por suas 200 toneladas. Parte do sino se quebrou durante um incêndio, em que jogaram água fria sobre o sino ainda ardente.
Renato Alves/CB/D.A Press

Para muitos, no entanto, a grande atração do Kremlin é a praça das catedrais. Ela é formada pela Catedral da Anunciação, pela Catedral do Arcanjo São Miguel, pela Catedral da Assunção e pela Igreja da Deposição do Manto Sagrado de Nossa Senhora. Todos templos ortodoxos que, talvez por seu valor histórico, resistiram ao comunismo ateu.

Visitação
O Kremlin abre diariamente, exceto quinta-feira, das 10h às 17h. Os ingressos geralmente fazem parte dos pacotes oferecidos pelas agências de turismo. Se estiver viajando por conta própria, poderá adquiri-los na bilheteria da Torre Kutafiya, próxima aos jardins Alexandrov.

Mausoléu

Renato Alves/CB/D.A Press
 

Parte da Praça Vermelha é delimitada pelas muralhas do Kremlin, sede do governo russo e berço da cidade de Moscou. Ao lado dessas muralhas, ergueram o mausoléu para descanso eterno do mais conhecido revolucionário bolchevique.

Não é só Lenin que repousa por lá. Entre as muralhas e o mausoléu, outros ilustres personagens da história russa estão enterrados, como o ditador Josef Stalin e o grande herói nacional, o cosmonauta Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a viajar pelo espaço.

Renato Alves/CB/D.A Press

Desafiando os líderes comunistas, do outro lado da Praça Vermelha, um luxuoso edifício abriga lojas ainda mais luxuosas. É o shopping GUM, antigo mercado municipal de Moscou. Mesmo que você não tenha um cartão de crédito platinado, a visita ao GUM vale a pena por sua arquitetura.

A arquitetura também é a atração do Museu Histórico Nacional, ao norte da Praça Vermelha. Construído no fim do século 19, o prédio abriga acervo que conta a história da Rússia. Após conhecê-la, fica difícil não acreditar que a verdadeira intenção dos russos ao batizar a Praça Vermelha era fazer justiça à sua estonteante beleza.

 

Um passeio pela KGB

Renato Alves/CB/D.A Press
 

Até 30 anos atrás, um estrangeiro na Rússia só pisava na sede da KGB, em Moscou, na condição de prisioneiro ou de colaborador do regime comunista, espião. Hoje, qualquer um pode entrar no prédio da polícia secreta e política soviética, a rival da norte-americana CIA.

O grande edifício amarelo ainda dá calafrios. Além dele, o turista pode visitar o Museu da KGB, um edifício próximo, no centro de Moscou, perto do Kremlin. Não pense, no entanto, que é tão simples. Só dá para marcar por intermédio de agências como a Dom Patriarshy Tours (7-495/795 0927), organizadora de tour guiado em inglês duas vezes por mês. Não dando a sorte de pegar esses dias, deve-se ir individualmente. Mesmo assim, nada impede que, mesmo pagando pelo tour individual, lhe coloquem num grupo. Para não cair na roubada, deve-se deixar claro que quer ir sozinho.

O museu guarda objetos de espionagem ultramodernos para o período da Guerra Fria, como microtransmissor em sola de sapato e câmera numa caneta. A maioria dos itens foi apreendida de espiões americanos e ingleses que rodaram na Rússia. Para ver coisas da KGB, só na CIA.
Mike McBride/Flickr

Brincar com a época áurea da ex-temível agência secreta rus
sa é algo pop. Os funcionários da KGB — ela ainda funciona — são os principais frequentadores do The Shield and the Sword (13/16 Bolshaya Lubyanka, 7-495/222 4446), uma espécie de Planet KGB, onde as paredes são um museu — tem até uma carta assinada por Stalin, uma estátua do fundador, Felix Dzerzhinsky, e um busto de Yuri Andropov, um dos chefes mais poderosos da agência.

O cartão de visita tem a frase “O fato de você não ter passado por aqui não é mérito seu, mas sim falha nossa”. No cardápio está escrito “Processo”. A conta vem com um assustador “Condenação”. Já o banheiro é inteirinho camuflado com plantas. Mas os pratos estão bem longe de ser uma tortura.
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