GOIÁS

Férias de julho são o período perfeito para conhecer o Rio Araguaia

Aruanã e Luis Alves recebem visitantes interessados na pesca e demonstram vocação para um turismo diversificado, com passeios a praias de água doce e comunidades tradicionais

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postado em 25/06/2017 10:00 / atualizado em 22/06/2017 17:31

Edmar Wellington/Divulgação

Aruanã (GO) — Povoado por tuiuiús, jacarés e peixes — muitos deles —, o Rio Araguaia banha quatro estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Se não é difícil entender que, em um leito de 2.115 km de extensão, haja espaço até mesmo para acampamentos de férias, o fato de a pesca ser a principal atividade do município de Aruanã fica óbvio.

 

A começar pelo nome da cidade, uma homenagem ao aruanã, peixe de água doce conhecido como língua-de-osso. Seja para os moradores, seja para os turistas, a programação de destaque por lá é levantar antes que o Sol nasça, tomar um café da manhã completo e navegar o rio com vara na mão até que o astro-rei se esconda no horizonte.

 

Na cidade, quatro portos são ponto de partida para dias inteiros dedicados à pescaria. Cedinho, os barqueiros recebem os tripulantes nas voadeiras, embarcações movidas a motor indispensáveis para o passeio. A cota de pesca é zero para os amadores e para os que praticam por esporte.

 

Os pescados não podem ser transportados no estado de Goiás, de acordo com a Lei Estadual nº 13.025/1997 e com a Instrução Normativa nº 4.873/2013, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH). Portanto, quem pesca no Araguaia deve soltar ou consumir os peixes, sem ultrapassar 5kg por pessoa. É proibido capturar e transportar as espécies ameaçadas de extinção, como a pirarara. Saiba mais aqui.

 

Edmar Wellington/Divulgação

Dia de rio

As canoas turbinadas seguem viagem rio adentro com tudo o que conseguem carregar: pescadores, varas, iscas e utensílios de cozinha, que serão úteis na preparação do almoço. O prato principal? Pacus, douradas, filhotes e o que mais a habilidade de anos com vara na mão ou a sorte de principiante permitir.

 

Uma experiência como essa custa em torno de R$ 600. A diária inclui a presença do barqueiro — figura-chave para que a pesca seja bem-sucedida. Eles cuidam de tudo. No ofício há décadas, conhecem o leito do rio em detalhes e salvam o almoço, caso os pescadores não estejam com sorte. O valor inclui o combustível da voadeira, varas de pescar, iscas e os acompanhamentos para a estrela do prato — arroz, tomates, cebola e temperos —, além de um fogareiro a gás e das bebidas não alcoólicas.

 

O almoço é preparado em um dos lagos formados ao longo do leito do Araguaia. Neles, a correnteza dá uma trégua e a paisagem muda. O curso d’água se estreita e a vegetação fica mais próxima do barco. É a oportunidade perfeita para observar aves com mais calma. O jaburu, conhecido na região como tuiuiú, é parecido com as garças e está por toda parte.

 

Rafaella Panceri/Esp.CB/DA Press

Quando ir

A temporada de férias escolares é a mais agitada porque coincide com o período de seca. Das primeiras semanas de julho até o início de agosto, a cultura dos acampamentos temporários fervilha. Há quem more no meio do rio por um mês, instalado em cabanas de madeira, aproveitando as praias de água doce que se formam. As instalações ocupam os terrenos mais próximos da margem. Do lado matogrossense, ninguém incomoda — a cidade mais próxima é Nova Crixás, 100 km floresta adentro.

 

Rafaella Panceri/Esp.CB/DA Press

Tardes de Aruanã

Sim, há índios em Goiás — a etnia karajá, originária da região dos rios Araguaia e Javaé, mantém as tradições vivas e recebem os turistas em uma aldeia localizada na Avenida Kamaiuras, na região da orla. Não se assuste ao escutar um idioma estranho. Eles se comunicam através da língua Yny ribè e ensinam o dialeto às crianças, na escola municipal, combinada com o português.

 

As bonecas Ritxoko, confeccionadas em cerâmica, são símbolo dos karajá e foram reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os índios mantém uma lojinha na entrada da aldeia onde é possível ver e adquirir esses e outros produtos artesanais.

 

Com o Sol se escondendo atrás do rio, as famílias e casais de namorados se reúnem para bater papo e observar o espetáculo. A orla é bem estruturada, com calçamento em paralelepípedos, árvores centenárias e bancos. Há um monumento em homenagem à ave mais famosa da região, o jaburu. A escultura de cerca de dois metros de altura homenageia os atletas da Caminhada Ecológica, que passa por Aruanã todos os anos desde 1992.

 

Edmar Wellington/Divulgação
 

Paraíso de pescador

 Para aproveitar o Araguaia ao máximo, vale a pena incluir no roteiro um dia em Luis Alves, reduto de pescadores esportivos. Os peixes de grande porte são o atrativo principal do lugar, que tem menos infraestrutura para receber o turista, em comparação com Aruanã, mas é um ícone da temporada de pesca no rio. Em junho, as pousadas começam a receber grupos de turistas interessados no esporte. Em julho, as praias começam a surgir e seguem ideais para o banho até setembro.

 

Um passeio de barco com saída de Luis Alves permite navegar até o rio Cristalino, dono de águas um pouco mais transparentes do que as do Araguaia. Nele, jacarés e botos são avistados com facilidade, e as iscas, quando mal colocadas, são devoradas por piranhas.

 

Suely Baglioli participa da pesca há 15 anos

A sós

Para quem quer uma experiência de isolamento, a Pousada Pescador é acessível apenas de barco. Uma viagem de meia hora leva ao terreno ilhado, com estrutura simples, mas cheio de charme. Os chalés com vista para o rio Cristalino atraem, principalmente, casais. Gisele Bundchen e Leonardo DiCaprio visitaram o espaço em 2004. Hospedada no local, a aposentada Suely Baglioli, 58 anos, conta que pesca há 15 anos, mas lembra o tempo em que o marido ia pescar só com os amigos. “Agora, com a aposentadoria, fica mais fácil viajar de casais”.

 

Acompanhada do marido e de mais dois casais de amigos, ela conta que a pesca é uma atividade que movimenta toda a família. “Os filhos também gostam e é ótimo quando conseguimos juntar todo mundo”. Moradora de Curitiba, ela conta que a viagem é longa e cansativa. “É sofrido de chegar, mas vale a pena pelo que se vê de natureza. Pra esquecer um pouco dos carros e da poluição de cidade grande”, opina.

 

ONDE FICAR 

Sesi Aruanã
(62) 3376-1221
www.sesiaruana.com.br

 

Pousada Canoeiros (Luis Alves)
(62) 3223-3508
www.pousadacanoeiros.com.br/br

 

Pousada Pescador (Rio Cristalino)
(62) 3382-3100
www.pousadapescador.com.br

* Viagem a convite do Sebrae

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