MATO GROSSO DO SUL

Os encantos de Corumbá, uma cidade que vai além do Pantanal

A cidade reúne belezas exuberantes, muita cultura e uma excelente gastronomia. Palco de disputas entre colonizadores, ela cresceu e se tornou uma joia em meio ao bioma

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postado em 05/07/2017 20:00 / atualizado em 06/07/2017 14:30

Lucianna Rodrigues/Esp C.B/D.A Press
 

Existem cidades que são surpreendentes. Principalmente por superarem as expectativas. É o caso de Corumbá. Quem nunca imaginou visitar essa cidadezinha sul-mato-grossense, ou ainda não tem informações sobre ela, descobrirá que é uma bela opção de roteiro turístico. Localizada na divisa com a Bolívia, Corumbá, também conhecida como capital do Pantanal por ter uma grande parte do bioma em suas terras, é recheada de histórias, belezas, cultura e gastronomia.



Fundada em 21 de setembro de 1778, Foi palco de guerras, invasões e conquistas que deixaram marcas indeléveis na cultura local. Os índios povoavam a região, que foi explorada pelos europeus em busca de riquezas naturais. Os portugueses chegaram em 1524, seguidos dos espanhóis, em 1537, que buscavam ouro e metais preciosos. Enquanto os europeus disputavam a terra, a cultura dos dois povos foi assimilada naturalmente pelos habitantes locais, modificando arquitetura, costumes e crenças.

Mais de 300 anos depois, em 1850, a província, antes nomeada Santa Cruz de Corumbá, conseguiu a autonomia política e passou a ser chamada de Corumbá. Não antes de ser afetada por batalhas ocorridas em consequência da disputa entre os países vizinhos, principalmente da fronteira com a Bolívia. O resultado dos embates foi a quase completa destruição, que exigiu um árduo trabalho de reconstrução.

Andrew Mercer/Flickr
 

O processo gerou edifícios belíssimos, que foram tombados pelo governo federal, em 1993, por fazerem parte do conjunto histórico, arquitetônico e paisagístico local. Os prédios históricos revelam a influência europeia vinda da colonização. A cidade é marcada por imponentes casarões, sobrados e igrejas que demonstram o alto poder aquisitivo dos fundadores.

Às margens do Rio Paraguai, Corumbá desenvolveu uma economia que gira em torno do curso das águas. A pesca tem grande importância para a cidade, além do Porto Geral que recebe navios cargueiros da América do Sul. A agropecuária é outro pilar de sustentação para a economia corumbaense que sofre forte influência socioeconômica com a criação de gado na região.

 

A história em cada canto

Gustavo Messina/Reprodução
 

Por todos os lugares, há resquícios da história. Seja do período de colonização, seja pela herança deixada pelos fundadores da cidade, resultando num marco cultural muito forte, com costumes extremamente valorizados pelos moradores. Respeitando as tradições europeias, há diversos museus que contam a história dos antigos povos e que mostram a rica arte nascida em Corumbá.

Muhpan

Gustavo Messina/Reprodução

O Museu de História do Pantanal tem como objetivo contar aos visitantes sobre a biodiversidade que existe no Pantanal. Lá, é possível conhecer a fundo as principais características do bioma, a relação do homem com a natureza, como a cidade de Corumbá se estruturou e interagiu com a natureza ao redor. Além disso, a história corumbaense é contada e ilustrada detalhadamente para que os visitantes possam conhecer o processo de desenvolvimento. Sem dúvidas é parada obrigatória. O museu tem entrada gratuita, é aberto para o público de segunda a sábado, das 13h às 18h. Para saber mais detalhes, acesse www.muhpan.org.br. Endereço: Rua Manoel Cavassa, 275, Porto Geral.


Art Izu Casa de Escultura

Lucianna Rodrigues/Esp C.B/D.A Press

Cada obra, uma história, um pedido, uma lembrança de algum momento especial. Foi assim que Izulina Xavier esculpiu centenas de obras ao longo da vida. A casa de Izulina não é considerada um museu propriamente dito, afinal ela ainda mora lá. Mas a adorável senhora tem enorme prazer em receber visitantes que desejam conhecer de perto as obras dela. Não só em casa: a artista de 92 anos é responsável por decorar várias partes da cidade com trabalhos artísticos. Sua principal obra é o Cristo Rei do Pantanal, que fica no alto de uma montanha, de onde é possível ver toda a cidade. Na subida até o Cristo, dona Izulina esculpiu 14 esculturas que relatam as etapas da paixão de Cristo. Em entrevista ao Turismo, conta que fez esculturas para o Brasil e para o mundo. E ela tem uma preferida: “eu consigo me lembrar de todas as obras que fiz e a de que mais gosto é o Cristo”. Quem deseja visitar o ateliê precisa entrar em contato pelo telefone (67) 3231-2040. Endereço: Rua Cuiabá, 558.


Casa de Memória Dr. Gabi

Gustavo Messina/Reprodução

Gabriel Vandoni de Barros revolucionou Corumbá e deixou um grande marco para a cidade. Era advogado, jornalista, escritor, político, pecuarista, benfeitor da cultura pantaneira e, acima de tudo, humano. Dr. Gabi, como era chamado, foi um benfeitor. Ele doou parte do próprio patrimônio para a cidade de Corumbá e também para funcionários e amigos do Pantanal com quem conviveu. Destinou um conjunto de livros para a biblioteca anos antes de sua morte. Para reviver a memória de Dr. Gabi, a prefeitura reabriu as portas da casa dele, que estavam fechadas há mais de 25 anos, e fez da residência de estilo espanhol um museu. Lá, há diversas obras de artistas renomados. O funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 11h e das 14h às 18h. Endereço: Rua XV de Novembro.


* Viagem a convite do Ministério do Turismo

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