BELO HORIZONTE

Passeio histórico em BH: conheça o Conjunto Moderno da Pampulha

Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, roteiro do Conjunto Moderno da Pampulha é uma verdadeira aula de história sobre a cultura mineira

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postado em 19/07/2017 06:00 / atualizado em 19/07/2017 17:43

Beto Novaes/EM/D.A Press

Antes de projetar Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer testou o seus dotes arquitetônicos em uma cidade de muita história mas, na época, com pouquíssimos habitantes. Belo Horizonte surgiu em 1889, quando Ouro Preto, até então capital de Minas Gerais, não apresentava mais condições para o desenvolvimento físico urbano da sede política do estado. A mudança foi toda planejada pelo engenheiro Aarão Reis. O centro da cidade foi preparado para receber até 300 mil pessoas — apenas 15% da população atual de aproximadamente 2 milhões de habitantes.

 

O crescimento desenfreado trouxe uma série de problemas para a recém criada capital, que até 1922, não havia crescido praticamente nada. Na mesma época, uma geração de escritores começava a trilhar seu rumo até o estrelato. Era comum encontrar poetas como Carlos Drummond de Andrade, Ciro dos Anjos, Milton Campos e Abgar Renault reunidos em um barzinho de esquina produzindo textos que marcaram a literatura brasileira.  


Em 1940, Juscelino Kubitschek foi convidado para assumir a prefeitura da cidade. Conhecido como prefeito furacão, ele deu condições para o avanço da industrialização e foi um dos responsáveis pelo projeto do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Quem assinaria os monumentos seria um arquiteto recém formado chamado Oscar Niemeyer. No ano passado, o grupo de monumentos recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

 

Uma das maneiras mais interessantes de fazer o percurso e conhecer todas as construções é a bordo do ônibus Marta Rocha, dos anos 1950, que leva os turistas para rodar os 18 quilômetros da orla da Lagoa da Pampulha. Carinhosamente apelidado de Jardineira Retrô, o ônibus funciona todos os sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. O passeio custa R$ 20 e dura pouco mais de uma hora. Durante o trajeto, duas "jardi girls", como são chamadas as moças que acompanham os visitantes, apresentam a história dos monumentos da Pampulha.

 

Igrejinha da Pampulha

Roberto Castro/MTur
 

O passeio tem ponto de encontro na Capela São Francisco de Assis, mais conhecida como Igrejinha da Pampulha. Personagem de um dos maiores escândalos da história de Belo Horizonte, o templo só recebeu autorização da Cúria Metropolitana para realizar missas em 1959, seis anos depois de ficar pronto. O motivo foi uma briga entre JK e o arcebispo da época, Dom Antônio Cabral, que não gostou de saber que o prefeito tinha autorizado a construção de uma Igreja Batista no centro da cidade. Sob a alegação de que o estilo moderno inspirado nas colinas de Belo Horizonte da capela não se assemelhava a de um centro religioso, ele se recusou a consagrar o templo, que só recebeu liberação depois que o Dom Rezende Costa assumiu como novo arcebispo. Enquanto isso, o painel projetado por Portinari e os jardins do paisagista Burle Marx aguardavam para encantarem o público.

 

Museu de arte

Roberto Castro/MTur

Uma verdadeira obra prima do conjunto arquitetônico da lagoa, o atual Museu de Arte da Pampulha também faz parte do passeio. Projetado para ser um cassino e atrair a população abastada da época, o mármore utilizado no chão foi importado de Portugal e os espelhos que revestem a parede vieram da Bélgica. As exposições não acontecem com tanta frequência, mas durante as noites do Noturno Pampulha, as Rainhas do Rádio se apresentam no teatro do museu. O grupo encena uma transmissão radiofônica da época, apresentando músicas, uma radionovela e os populares reclames.


Para não desagradar a população menos favorecida, JK também pediu ao amigo que desenhasse um salão de dança para reuniões populares. Nascia assim o Espaço Cultural Casa do Baile. Construído em uma ilha artificial ligada à orla por uma pequena ponte de concreto, o espaço foi inaugurado em 1943 e até hoje recebe exposições e eventos culturais. Não tão raro, é possível encontrar grupos ensaiando apresentações de dança no local. Um deles é o Be Hoppers, que treina passos de Lindy Hop, uma espécie de dança de rua norte-americana muito popular na década de 20.

 

Casa do prefeito JK

Álef Calado/Esp.CB/D.A Press

Juscelino queria atrair as pessoas para a região da Pampulha. Então, para dar o exemplo, comprou um terreno na orla da lagoa e pediu para Niemeyer desenhar uma casa. Era ali que ele passaria os próximos anos com a esposa, Sarah Kubitschek. Pronta em 1945, a residência inaugurou um novo conceito de morar, com telhado inclinado em forma de asa de borboleta, ambientes completamente interligados, muito vidro e jardins do Burle Marx.

 

Os Kubitschek moraram no lugar até que dona Sarah, que passava grande parte do tempo na cozinha preparando refeições para os convidados do marido, se cansou e pediu para mudar. A edificação é tombada pelo patrimônio municipal, estadual e federal, e passou por um processo de restauração para se transformar em museu. Praticamente intocada, a Casa Kubitschek recebe cerca de 3 mil pessoas por mês e proporciona a ambientação de uma residência modernista dos anos 40. Aos finais de semana, oficinas e piqueniques — previamente agendados — agitam a antiga residência do presidente.

Craques do futebol mineiro

Roberto Castro/MTur

Se você é um apaixonado por futebol, não pode deixar de visitar o Museu Brasileiro do Futebol (MBF), no Estádio do Mineirão. Apesar de não fazer parte do circuito da orla da Pampulha, as 14 salas do MBF preservam artefatos materiais e imateriais do futebol brasileiro e propiciam, aos visitantes, um verdadeiro mergulho na história do esporte. Camisas e bandeiras dos times que já jogaram no Gigante da Pampulha, troféus, bolas e até mesmo um banco de dados com narrações esportivas, vídeos e matérias jornalísticas sobre o Mineirão fazem parte do acervo do local.

Entre estradas e flores
Na época que o Marta Rocha rodava por Minas Gerais levando passageiros e produtos de um lugar para o outro, as rodoviárias ainda não existiam. Então, os motoristas eram obrigados a parar nas praças para que as pessoas pudessem descer. Como toda praça tem jardim, acabaram apelidando o ônibus de jardineira.

Fim da jogatina
O general Eurico Gaspar Dutra foi o primeiro presidente da República a proibir os jogos de azar. O rumor é que o veto partiu de um pedido de sua esposa, Carmela Dutra, uma mulher muito católica que não tolerava os espetáculos promovidos nas casas de jogos, protagonizados, na maioria das vezes, pelas famosas vedetes do teatro de revista. Com a proibição, mais de 70 cassinos encerraram suas atividades e cerca de 5 mil pessoas perderam seus empregos.

Programação
Nas terças-feiras, os monumentos que fazem parte do Conjunto Moderno da Pampulha ficam abertos até as 21h, graças ao Noturno Pampulha, uma programação especial com shows e outras apresentações culturais.

» Horários de Funcionamento

Conjunto Moderno da Pampulha

Terça, das 17h às 21h.

De quarta a domingo, das 9h às 17h.

 

Museu Brasileiro do Futebol
De terças a sexta, das 9h30 às 16h30
Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Mais informações: www.estadiomineirao.com.br

 

 

 

*O estagiário, sob a supervisão de Ana Paula Lisboa, viajou a convite do Ministério do Turismo

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