COMPORTAMENTO

Casais brasileiros são os mais ciumentos do mundo quando viajam

Turistas do Brasil são considerados os viajantes mais possessivos do planeta. Entenda as causas e conheça histórias de casais que se identificam - ou não - com a pesquisa que aponta esse resultado

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 02/08/2017 20:00 / atualizado em 04/08/2017 14:12

Mineisha E. Gómez/Flickr

Viajar é sinônimo de conhecer pessoas e, quem sabe, de viver uma história de amor. Em termos de flerte, os brasileiros têm perfil único. Em 2016, o Brasil liderou a lista de países onde as pessoas mais tiveram romances de férias, com 45% da participação mundial, conforme um estudo do site Momondo.

 

Além de apaixonados, os brasileiros são ciumentos. Quando comprometidos, a maioria (63%) prefere viajar com o par. O ciúme pode ser fator determinante. Para 47% dos viajantes brasileiros, haverá complicações se o parceiro decidir viajar sozinho. Até os mais liberais têm ressalvas — 52% deles ficariam chateados se a pessoa amada incluísse pessoas do sexo oposto nos planos de viagem, mesmo que fossem colegas de trabalho ou amigos.

 

A pesquisa não diz se homens ou mulheres têm mais ciúme. A professora do departamento de sociologia da Universidade de Brasília Lourdes Maria Bandeira aponta possibilidades. Para ela, esse sentimento é parte da cultura do país. “Está presente em uma sociedade na qual a mulher sempre foi subjugada ao homem”. Para a estudiosa, o machismo é um dos traços culturais mais marcantes dos homens latino-americanos. “As relações têm pouco afeto e muito controle: do corpo, do movimento e das pessoas com quem a mulher se relaciona”, pontua.

Frank Hur/Flickr

Cultivar a confiança
A saída para o conflito é o diálogo, defende a psicóloga Claudia Melo. Ter dificuldade em aceitar que o parceiro viaje sozinho não é sinal de que o relacionamento vai mal. “O casal precisa estabelecer uma boa comunicação para ajustar os pontos de crise e fazer acordos”, sugere. Também é importante procurar a real necessidade de querer estar só ou distante do parceiro. “É importante respeitar as suas vontades e a do parceiro para chegar mais próximo da vontade de ambos. Assim, a relação não se torna castradora nem manipuladora”, orienta.

Para a advogada Laís dos Santos, 23 anos, a única regra para que o namorado viaje com os amigos é que os dois se comuniquem. “É importante dar notícias”, pontua. Juntos há sete anos, os dois tentam se manter confiantes. “O ciúme é a maior causa das brigas. Há quem não viaje junto por isso, mas também há casos de quem não se separa porque não tem vontade”, opina. O namorado de Laís passou um fim de semana em um evento no Rio de Janeiro no início deste ano. Segundo ela, não houve atritos. “Acho que ele teria sido tão ou mais tranquilo do que eu, se fosse comigo. Estamos juntos há muito tempo. Confio nele”.

Quero ser seu par
Os dados foram retirados da edição de 2017 da pesquisa International Travel Survey, realizada pelo site Momondo. O estudo analisa os hábitos de viagem de homens e mulheres, entre 18 e 65 anos, no Brasil e em mais 22 países, incluindo Áustria, Austrália, Bélgica, Canadá, China, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Suécia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

 

Arquivo Pessoal

A melhor companhia de viagem da sua vida

A ideia de viajar sem a companhia do marido não passa pela cabeça da aposentada Maria Luci Santos Almeida, 59 anos. “De jeito nenhum! Fazemos tudo juntos. Saímos juntos, até tomamos banho juntos. Onde a corda vai, a carroça vai atrás”, brinca. Juntos há 38 anos, o casal é inseparável porque tem muita afinidade, garante Maria. “Não é ciúme, é compartilhamento. Gostamos um da companhia do outro e sempre fomos assim, desde que casamos”, explica.

 

Uma das viagens mais marcantes para o casal foi a ida a Natal, no Rio Grande do Norte. Se o marido dissesse que quer viajar sozinho, ela diz que só reagiria com tranquilidade se fosse em caso de necessidade extrema. “Falecimento de alguém da família”, exemplifica, e assegura que as chances de isso acontecer são mínimas.

 

CNJ/Flickr

A história da estudante Priscilla Coletto, 18 anos, e do namorado, começou e continuou no aeroporto. Eles se conheceram graças a uma alteração em um voo que sairia de Brasília para Porto Alegre, trocaram telefones e namoraram a distância por um ano, até decidirem morar juntos em Santa Rosa (RS). Atualmente, eles viajam tanto juntos quanto separados — o namorado viaja com frequência, a trabalho.

 

Arquivo Pessoal

Sobre os hábitos de viagem a dois, ela prefere estar sempre na companhia do amado. “Passamos as férias de janeiro no Uruguai. Fomos a Punta del Este e Colonia del Sacramento. Ele é uma ótima companhia de viagem”, conta. “Já fiz viagens em que ele não estava, com a minha família. Senti saudades. Ele sempre viaja a trabalho e eu acho bem tranquilo, porque quando ficamos longe é por pouco tempo”, explica.


Wesley & Brendon Rosenblum/Flickr

Quando um dos dois viaja sozinho, o costume é ligar ou mandar mensagem. “É normal sentir um pouco de ciúmes quando o outro está longe. Mas quando estamos longe, ele sabe tudo que estou fazendo e eu sei dele”, expõe. As viagens a trabalho são compreensíveis. “Se fosse eu no lugar dele, acho que haveria apoio, como eu faço”, imagina. Caso o propósito da viagem fosse lazer, o efeito seria outro. “Eu acho que ele não faria isso sem mim. Ficaria chateada em saber que ele quer um tempo de lazer sozinho”.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.