ALHAMBRA

O paraíso do deserto: descubra a arquitetura árabe deixada na Europa

O tom avermelhado da muralha se harmoniza com a delicadeza e a beleza da arquitetura moura, na última fortaleza árabe a tombar na Europa

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postado em 07/08/2017 10:00 / atualizado em 07/08/2017 14:03

R.M Orza/Flickr


Esparramando-se ao topo da colina al-Sabika, em posição defensiva contra ataques cristãos, La Alhambra — assim denominada por seus muros de cor avermelhada — ergue-se imponente, mas também com toda a delicadeza e a beleza da arquitetura moura. Foi a última fortaleza árabe a tombar na Europa, ao fim do século 15, quando os nasridas foram derrotados e o Reino de Granada — entrincheirado ao sopé do maciço de Sierra Nevada — caiu em definitivo sob o cetro dos reis cristãos Aragão e Castela. A Reconquista foi concluída, encerrando o domínio muçulmano na Península Ibérica.


Bem-vindos à Andaluzia. Quando os muçulmanos ali aportaram naquele ano de 711, estabeleceram um emirado que se tornou independente de Damasco em 929. A capital era Córdoba. Constituiu-se no período como o estado mais sofisticado da Europa. Oito séculos de dominação árabe levaram àquele continente novas técnicas agrícolas, conhecimentos botânicos e científicos, poesia, governos de tolerância religiosa com suas populações e desenvolvimento intelectual.

Colinas

Ao longo do século 11, o califado debilitou-se e entrou em decadência. Guerras civis pelo poder e sob constante fogo do inimigo externo, entre outros fatores, abriram o flanco para a conquista pelos monarcas católicos do Norte da Espanha. Córdoba caiu em 1236, seguida por Sevilha, em 1248. O Reino de Granada, a 170 quilômetros a Sudeste de Córdoba — foi o último bastião, perdido em 1492, ano em que Colombo partiu de um porto andaluz, Palos, na província de Huelva, para descobrir a América.

Sharon_K/Flickr


A Granada da presença árabe, medieval, eleva-se acima da moderna cidade baixa. São duas colinas adjacentes. Reinando sobre a al-Sabika, a Alhambra — medina que guarda o complexo do palácio e fortaleza, com todos os serviços necessários à população que ali viveu, como mesquitas, escolas e oficinas. Diante dela, no Albaycin, distrito residencial, pulsa a ascendência moura em ruelas, monumentos e arquitetura característica, que chegou a ter 30 mesquitas, sobre a maioria das quais, como de resto em todo o território reconquistado, foram fundadas igrejas. A Leste da fortaleza La Alhambra estão ainda os magníficos jardins da Generalife, residência rural dos emires entre os séculos 13 e 14. Todo o conjunto integra a lista da Unesco de patrimônio da humanidade.

O Palácio de Alhambra viveu o seu esplendor a partir do século 13, com a chegada do primeiro emir nasrida, Maomé I (1238-1273), que ali fixou residência, dando consequência à dupla função da edificação — morada e sede do governo. Continuou a expandir-se sob os sucessores até o fim do século seguinte. Articula e combina a ocupação do espaço com elementos do deserto, morada original dos árabes. Todo o esplendor se reflete, como miragem que brinca ao sabor da luminosidade, nas piscinas despretensiosas em pátios internos.

Conduzida de nascentes por seis quilômetros em espetaculares aquedutos, a água, símbolo da vida para o nômade beduíno, jorra em abundância por pátios internos e jardins. No chamado Patio de los Leones, escorre da bocarra de 12 leões, que sustentam a fonte, rodeada por 124 colunas de mármore. Ou serão essas palmeiras em sustentação aos arcos de cedro entalhado em variadas paisagens de formas geométricas? Eis o auge da arte islâmica de interiores. Concretiza em terra a realização do paraíso.
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