CARTAGENA

Conheça os cenários dos livros de Gabriel García Márquez, na Colômbia

Com um roteiro bem planejado, é possível visitar a cidade onde Gabo viveu durante a juventude. Quem nunca leu ficará curioso. Quem conhece as obras se sentirá parte dos enredos

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postado em 26/10/2017 10:00 / atualizado em 25/10/2017 17:10

Raul Arboleda/ AFP


O passeio por parte da história de Gabriel García Márquez começa no Parque Bolívar. Na realidade, uma praça a poucos metros da Catedral Basílica Metropolitana de Santa Catarina de Alexandria. Contemple a torre em cores vibrantes e luzes, a partir do entardecer, que valorizam os tons em amarelo e vermelho. Embora seja difícil alguém se perder dentro da cidade fortificada ou amuralhada, é bom gravar visualmente a torre como forma de orientação.



O Parque Bolívar, um ponto bem central, tem no entorno os museus da Inquisição (Palacio de la Inquisición) e do Ouro (Museo del Oro), este numa versão bem reduzida do existente em Bogotá. Nico conta que Gabo teria dormido num banco do parque, em 1948, quando a capital colombiana, onde estudava direito, fervilhava em protestos, turbulência política e atos de violência. Despertado pela polícia, teve que se explicar às autoridades.

Certamente, o visitante voltara várias vezes ao Parque Bolívar, onde fica o monumento em homenagem ao general venezuelano Simón Bolívar (1783-1830), hoje mais falado do que nunca por causa do “bolivarianismo”. Bolívar é denominado o “libertador”, pois liderou a luta pela independência de seu país, Venezuela, da Colômbia, da Bolívia e do Peru, do Equador e do Panamá do domínio espanhol. No início da noite, o espaço público fervilha com apresentações de um grupo de dançarinos, bailando freneticamente o ritmo la cumbia.

Impressionante ver a performance dos jovens bailarinos. Eles movimentam o corpo inteiro, eletricamente, em solos, pares ou grupo. As roupas das meninas são coloridas, as saias rodadas, em um tecido que lembra a nossa chita. Já os rapazes se apresentam sem camisa e não perdem o pique durante mais de duas horas. Ao fim de cada performance, passam o chapéu para garantir a gorjeta dos turistas.

 

O turista vai se encantar com o comércio de esmeraldas, uma das riquezas nacionais, e com o artesanato, à disposição em várias lojas do Las Bóvedas, local que já foi prisão. Já na Torre do Relógio, entrada principal de Cartagena, com três portas, os admiradores de García Márquez vão encontrar pequenas livrarias com primeiras edições — e nesse espaço Nico se esbalda ao mostrar as capas de obras que tanto admira. Entusiasmado, chega a “recitar” alguns trechos de Cem anos de solidão.

Outro livro que tem Cartagena como cenário é Relato de um náufrago, narrando a história de um marinheiro sobrevivente, em 1955, no mar do Caribe. A história foi publicada originalmente num jornal. Nesse contexto está o Museu Naval de Cartagena, antigo hospital naval, e o antigo quartel e delegacia de polícia, hoje o imponente Hotel Santa Tereza. O amor nos tempos do cólera, que ganhou as telas do cinema, imortalizou nas páginas o romance entre Fermina Daza e Florentino Ariza, no século 19. “Só muito tempo depois é que fiquei sabendo que aquela senhora que visitava minha loja era a maior atriz brasileira”, contou um lojista sobre a atriz Fernanda Montenegro, que filmou em Cartagena e interpretou, na fita, a mãe de Florentino Ariza.

No roteiro, o turista vai se deparar com a Figura Reclinada, doada pelo artista colombiano Botero, em 14 de abril de 2006. Trata-se de escultura que ficou conhecida por La gorda de Botero. Na Praça de São Domingos, Valentina, a vendedora de frutas, abre o sorriso, mas cobra por uma foto. Já “celebridade local”, faz pose e exibe na saia e na bacia sobre a cabeça a variedade de cores do Caribe.

Há muitos outros atrativos na cidade e personagens típicos. E vale descobrir, passo a passo. O povo da terra conta que foi no universo “cartagenero” que Gabriel García Márquez ouviu relatos fabulosos e reuniu elementos fantásticos para criar Macondo, a cidade mágica de Cem anos de solidão. Mas isso aí já é outra história... (GW)

Caminhada pelas páginas

 

Quente, muito quente, com temperatura que pode chegar a mais de 40 graus no alto verão e sensação térmica nas alturas. E úmida, muito úmida, no nível de ensopar a roupa — de algodão, pelo amor de Deus! —, embora sem interferir em nada na vontade de passear, Cartagena oferece mil prazeres terrenos e marítimos e, no primeiro caso, o melhor mesmo é explorar a cidade fortificada e desfrutar da gastronomia nativa.

 

Ricardo Daehn/Flickr


Se, durante as caminhadas, der aquela sede suprema, não pense duas vezes: tome uma “limonada de coco”, num copo alto, servida em mesa estratégica para ver o agito nas ruas. Trata-se de uma bebida refrescante, receita que, dificilmente, o garçom ou o dono do estabelecimento vão revelar. Desconversam, dizem que é segredo da casa, enfim, não revelam nem com reza brava. Aproveite, então, e tente achar, no paladar, os ingredientes além do limão e do coco.

Garrafinha de água para qualquer emergência e dinheiro trocado para a arepa... e lá se vão os visitantes seguindo as pegadas de Gabriel García Márquez, autor também de Do amor e outros demônios, O general em seu labirinto, Crônica de uma morte anunciada, O amor nos tempos do cólera e outros sucessos de público e crítica. Na volta da viagem, sem dúvida alguma, o viajante vai querer ler ou reler algumas dessas obras espetaculares, que contêm em cada página emoção, segredos de família, amores desvairados, vingança, e, claro, o realismo mágico puro e de origem.

Chloe/Flickr


A obra Do amor e outros demônios se passa integralmente em Cartagena. É a história da menina Sierva Maria, filha do marquês de Casalduero, que é mordida por um cachorro com raiva e, com perdão do trocadilho, vira o “cão”. O guia Nicomedes Vergara, o “Nico”, de 57 anos e com três décadas de experiência na área de turismo, conta que o episódio teve como cenário a praça onde pontifica a estátua do espanhol Pedro de Heredia, fundador de Cartagena em 1º de junho de 1533. A cidade é a capital do Departamento de Bolívar.

Vale a pena observar cada detalhe da cidade, com ruas estreitas e casas muito coloridas. É fundamental conferir bem de perto as aldravas de ferro nas portas, em forma de cavalos-marinhos, golfinhos, tartarugas, lagartos e outros animais, num convite ao visitante para bater na porta. Bacana demais também é conferir o número de cravos nas portas: quanto maior o número dessas peças, maior o número de escravos do proprietário, explica o guia.

 

> Serviço

Tour Gabriel García Márquez
  • Guia de turismo: Nicomedes Vergara
  • Telefones: 315 710 8700 e 315 788 7817
  • E-mail: nivermel@hotmail.com 

 

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