SANTA CATARINA

Descubra as montanhas que são a grande atração da Serra do Rio do Rastro

Entre os três cânions do Parque Estadual, o do Funil pode ser acessado de carro. O das Laranjeiras e o da Ronda exigem uma pequena caminhada

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postado em 22/11/2017 19:30 / atualizado em 22/11/2017 19:13

Taís Braga/CB/D.A Press


A aventura para chegar aos cânions catarinenses nada deixa a desejar a qualquer roteiro ecoturístico. Para chegar a cada um dos três que fazem parte da região de Bom Jardim da Serra, é preciso percorrer estradas de terra, caminhar entre campos e fazendas, pequenas trilhas enlameadas. O acesso é seguro, mas é extremamente importante a presença de um guia, principalmente em dias de neblina, pois as bordas dos cânions não têm proteção. As formações estão em áreas privadas e algumas cobram pequenas taxas.



No trajeto é possível conhecer plantas típicas da região, como a araucária — árvore da região sul do país, que impressiona pela sua altivez e altura —, alguns exemplares podem atingir 50 metros. No alto, os galhos se abrem como num abraço. Na Serra do Rastro pode-se encontrar a  Barba de Velho, planta medicinal que vive em locais livres de poluição, uma espécie bioindicadora da qualidade do ar e que está ameaçada de extinção.

Para chegar ao cânion das Laranjeiras, parte do percurso é feita de carro e depois é preciso seguir a pé, numa caminhada em que os primeiros 500m apresentam um pequeno obstáculo pela quantidade de pedras. Nada que um pouco de cuidado e paciência não resolvam. Para vencer a distância, alguns itens não podem faltar: galochas ou botas resistentes a água, roupas confortáveis, chapéu, protetor solar e água. Um casaco é sempre uma boa companhia. Empresas locais organizam passeios e algumas fornecem material. A presença de um guia especializado é imprescindível.

Em dias claros, o cânion exibe todo o seu esplendor. É um momento sublime, de pura contemplação. Ao alcançar a borda, descortina-se uma das vistas mais fabulosas e inesquecíveis, que faz valer qualquer esforço. Localizado na fazenda Santa Bárbara, o acesso é liberado.

 

A imagem do Cânion do Funil, que fica na fazenda Barrinha, de Miguel Francisco de Carvalho, 58 anos, ficará para sempre na memória do visitante. Com uma altitude de 1.590 metros, tem o formato de um funil emborcado. Miguel é morador da região há 40 anos, trabalhava exclusivamente com pecuária até que, na última década, passou a se dedicar ao turismo, que se tornou o seu meio de vida.

 

Continente dividido

O meteorologista  Alfred Wegener elaborou a teoria sobre a Pangeia no início do século 20. Segundo ele, existia apenas uma massa continental que recebeu o nome de “toda a Terra”, que era envolvida por apenas um oceano chamado de Pantalassa. A Pangeia se fragmentou em dois continentes: Laurásia e Gondwana.

Wegener se baseou no contorno geográfico da costa americana com o da África — que parece se encaixar de forma perfeita e também em fósseis encontrados em solos brasileiro e africano. Como os animais não poderiam ter se deslocado de continente a outro, a hipótese mais provável é  que tenham vivido em um mesmo ambiente. Veja a animação da teoria no endereço geomaps.wr.usgs.gov/parks/animate/A08.gif 

 

Túnel do Funil 

 

Taís Braga/CB/D.A Press
Para conhecer o Funil, é possível chegar de carro 4x4 até a borda. O guia Miguel  Carvalho faz o transporte e é o guia mais especializado. O percurso é emocionante, já que o utilitário margeia o precipício. Tudo feito com muita segurança. No meio do caminho, paisagens bucólicas como  rebanhos pastando e a presença de animais silvestres.

O cânion da Ronda ganhou esse nome por causa dos tropeiros que antigamente paravam no local para descansar e se revezavam para fazer a segurança. Faziam uma ronda. Fica numa altura de 1.485 metros, no mesmo nível do topo da serra, e ocupa uma área de 100 hectares. O acesso é feito de carro até uma fazenda e, de lá, basta seguir uma trilha na companhia de um guia local. É preciso pagar uma taxa por veículo.

Os paredões rochosos do planalto catarinense são objeto de estudo de geólogos, antropólogos e historiadores desde os anos 1900, quando o americano Israel White concluiu um estudo encomendado pela Comissão de Estudos das Minas de Carvão para identificar o potencial energético do carvão encontrado na região.

Taís Braga/CB/D.A Press


Uma curiosidade que os moradores gostam de destacar é que a serra é formada por 17 camadas de rocha  da mesma espécie que é encontrada na África do Sul. Diversos estudos foram feitos para comprovar a semelhança. De acordo com uma teoria do meteorologista alemão Alfred Wegener, há mais de 200 milhões de anos, erupções vulcânicas e explosões teriam separado o continente formado por uma única massa, denominado Pangeia, formando uma geologia semelhante à atual. De um lado ficaram as Américas e do outro, a África e a Oceania.

Como chegar
  • Há voos diários de Brasília a Campinas (SP) e de lá para Jaguaruna (SC) , que fica a 110km de carro até Bom Jardim da Serra
  • Azul: www.voeazul.com.br
  • Latam: www.latam.com

Bem guiado

» Tribo da Serra 

(49) 3233-0994 / (49) 99116-1304
tribodaserraeco.com.br

» Miguel 

(49) 99127-1014

canionfunil@gmail.com  miguelfunil@hotmail.com 

 

O mensageiro, o guardião e o comendador
Taís Braga/CB/D.A Press

No mirante principal de Bom Jardim  da Serra está a cafeteria Mensageiro da Serra. A história das curvas sinuosas da rodovia que leva ao alto do planalto se funde com a vida da proprietária Sandra Padilha e da sua família. Tobias Gonçalves Padilha era o carteiro da região quando  o traçado da SC-438 era apenas uma trilha de terra contornando a montanha. Tobias era a ligação entre os moradores e o restante do país. “Ele identificava o ponto da estrada pelo formato das rochas”, revelou Sandra, que guarda com carinho a memória do sogro.

Taís Braga/CB/D.A Press


A paixão de Ivan Cascaes pela serra não se resume ao seu empreendimento. O empresário não mede esforços para promover a região. Ele foi um dos criadores da associação Roteiros de Charme, trabalhou para que o mirante fosse urbanizado para oferecer mais segurança aos visitantes, brigou para que o aeroporto de Jaguaruna fosse concluído e agora é um dos que defendem a liberação do projeto skywalker, que cria uma passarela de vidro para apreciar a paisagem dos cânions.O reconhecimento veio em forma de vinho. O Guardião, um cabernet sauvignon 2011 produzido na serra, ganhou o nome em sua homenagem.

Taís Braga/CB/D.A Press


O vinho também marca a dedicação do comerciante Wilson Borges, 65 anos, o comendador de São Joaquim. Ele foi um dos primeiros a investir na plantação de uvas que hoje produzem o vinho de altitude. Dono da casa do Vinho, é um dos responsáveis pela divulgação do produto e também pela formação dos profissionais, por meio de cursos na sala de degustação. O vinho produzido pela vinícolaVilla Francione leva o nome Comendador. 

 

 

 

Viagem a convite do Rio do Rastro Eco Resort

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