A curiosidade é a chave do conhecimento

Ensinar por meio do estímulo aos questionamentos em sala de aula ajuda a manter as crianças motivadas. Entenda como funciona o método natural de alfabetização

Apresentado por
Arvense

postado em 11/01/2018 03:45 / atualizado em 11/01/2018 16:39

A alfabetização é fase essencial da vida escolar. Ela coincide com o período do desenvolvimento em que a criança quer compreender o mundo e aprender coisas novas, quando ela constrói hábitos que podem perdurar até a idade adulta. Nesse momento, é preciso incentivar ao máximo a curiosidade e a vontade de investigar. 
 
Foi pensando nisso que Célestin Freinet desenvolveu o método natural da leitura e da escrita. Ao perceber o interesse dos pequenos por atividades práticas, entendeu que a aprendizagem deveria ser uma construção ativa e passou a tratar o professor como mediador dessas experiências. No modelo idealizado pelo estudioso, as salas não têm carteiras, apenas mesas de trabalho em grupo, várias estantes com livros e um local apropriado para promover rodas de leitura no início de cada aula. 
 
“As crianças chegam e falam sobre o que estão vivendo, sobre o que estão mobilizadas, e a professora, como membro do grupo, propõe investigações sobre os temas”, explica a diretora do Colégio Arvense, Margareth Nogueira, pedagoga especialista em educação infantil e métodos de avaliação. 
 
Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press

Segundo ela, enquanto o método tradicional ensina letras, sílabas e todas as formas de combinação por meio de uma cartilha, o método natural — adotado pela escola a partir da proposta de Freinet — usa o som das palavras relacionado a uma experiência lúdica. “Vamos supor que alguma criança experimentou gelatina em casa: como será que faz? Do que ela é feita? E como será que se escreve a palavra? A professora vai fazendo indagações, que ela não responde, e sugere fazer gelatina em sala”, exemplifica a diretora.

O vocabulário básico para o ano de alfabetização gira em torno de 50 palavras, escolhidas a partir de interações com as crianças em sala. A doutoranda em linguística e coordenadora pedagógica da escola, Denise Silva Macedo, explica que os assuntos são transversais e, a partir deles, é possível desenvolver qualquer conteúdo.
 
As competências trabalhadas ao longo do 1º ano do ensino fundamental são passadas e avaliadas por trimestres. Em um primeiro momento, os alunos identificam um elemento, depois o reconhecem e, a partir daí, nomeiam. Posteriormente, eles passam a analisar, decompõem o todo em partes, criticam e sugerem uma antítese — figura oposta àquela que trabalharam inicialmente.


Cronograma


As outras séries do fundamental — o colégio recebe alunos até o 5º ano — seguem a mesma proposta. Há um cronograma de conteúdos para o ano letivo e o professor tem o apoio de um material didático dividido por disciplinas. Apesar disso, o docente tem a liberdade de explorar os assuntos na ordem que achar mais adequada para motivar a turma, relacionando temas de diferentes matérias em uma mesma aula caso julgue necessário. 
 
A diretora Margareth garante que isso não confunde os alunos, pelo contrário.   “Na verdade, as coisas fazem muito mais sentido, porque elas se relacionam”, afirma. Para que esse processo de aprendizagem dê certo, o professor tem de partir do princípio de que ele não tem o controle o tempo inteiro. Ele precisa manter as crianças sempre motivadas, assim, as dúvidas que ele necessita para passar o conteúdo vão surgindo. “A atenção que você dá à criança é fundamental. Se o adulto não entra nessa investigação, mata a curiosidade ou antecipa a resposta, tirando todo o interesse”, destaca.


Avaliação diversa


No Arvense, as provas são usadas como método de avaliação, mas não constituem a principal forma de medir o aprendizado do aluno. A escola também elimina a tensão do sigilo. “Aqui não tem isso de não poder virar para o lado e perguntar para o colega. Essa também é uma forma de aprender”, destaca a diretora, Margareth Nogueira. A única preocupação do professor deve ser não deixar que o estudante se torne dependente da ajuda do colega.
 
O boletim vem acompanhado de um portfólio de trabalhos, vídeos e fotos das crianças em sala, que tem potencial maior de mostrar aprendizado nessa fase do que uma avaliação escrita.
 
“O que mais me chamou a atenção no Arvense foi a atitude acolhedora da escola e o fato de as crianças gostarem de aprender, de verdade. Minha filha terminou o 5º ano e eu sinto que ela está preparada para outra escola. Meu filho saiu há quatro anos e também nunca teve problemas”, afirma Wagner Fontes, pai do Lucas, 14 anos, e da Gabriela, 10. 
 
O filho de Carlos Medeiros, Arthur, de 11 anos, entrou direto na escola no 5º ano e superou as expectativas. “Fomos muito felizes e este ano foi um dos que meu filho teve maior crescimento escolar até hoje. Ele fez a prova do Colégio Militar e esteve apto em todas as disciplinas e com notas muito boas”, conta o pai.
 

Estúdio de produção de conteúdo para estratégias de comunicação de marcas 
 
 

publicidade