Saiba quem são os power pupils

Alunos empoderados e interessados em promover mudanças sociais. Essas são algumas das características dos chamados de power pupils

postado em 11/01/2018 04:15 / atualizado em 11/01/2018 10:33

 Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press
Alunos empoderados, estudantes conscientes das próprias habilidades, interessados em promover mudanças sociais. Essas são as características dos chamados de power pupils. O conceito é novo no Brasil e, de acordo com a diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido esses alunos têm interesse especial pela escola e pela aprendizagem. “Esses estudantes têm talentos inatos e querem desenvolvê-los. A principal questão é o que os profissionais da educação devem fazer para não inibi-los”, explica.
 
“É necessário dar mais poder aos alunos. Decidimos muito por eles, mas devemos escutá-los para entender o ponto de vista e a contribuição deles”
Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare 
 
Especialista em inovações em educação, Anna aconselha que os professores observem quais são os estudantes mais empoderados, capazes de influenciar outros alunos e aproveitar isso de forma positiva, para que influenciem os outros a irem pelo mesmo caminho. “É necessário dar mais poder aos alunos. Decidimos muito por eles, mas devemos escutá-los para entender o ponto de vista e a contribuição deles”, acrescenta.
 
Na avaliação da doutora em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) Raquel Manzini, os pais devem sempre acompanhar de perto o desenvolvimento social e acadêmico dos filhos, e as escolas, tomar cuidado para não serem uma “fábrica de pequenos executivos”, ou seja, ter como meta única e exclusiva o sucesso acadêmico e profissional. “Não se pode esquecer do respeito às diferenças e aos diferentes ritmos de aprendizagem”, destaca a psicóloga. “Os alunos devem encontrar em casa um ambiente acolhedor, onde se sintam amados e respeitados. A escola deve oferecer atividades dentro e fora da grade escolar para as grandes áreas de conhecimento”, completa.

MC busca fazer a diferença no Sol Nascente


Augusto César Mariene, 20 anos, mais conhecido como Augusto Metralha, desde criança buscava fazer a diferença na comunidade. Morador do Sol Nascente, em Ceilândia, o jovem criou o primeiro projeto aos 12 anos. “A Batalha de Ideias começou na esquina da minha rua, com pessoas de 15 a 20 anos que se reuniam para fazer rimas. Hoje, além de ter crianças participando, moradores de outras cidades satélites, como Taguatinga, Samambaia, Recanto das Emas e Águas Lindas, também integram o projeto”, conta ele, que é MC de rap e de funk.
 
Aos 13 anos, Augusto criou uma roda de debates sobre assuntos diversos e, aos 14, os saraus. “Comecei a ser convidado por escolas e faculdades para palestrar. Geralmente, os assuntos envolviam algum projeto que a instituição estava fazendo”, lembra. Augusto pretende terminar, este ano, um livro que começou a escrever aos 16 anos. Intitulada pelo autor de O que eu vejo, a obra pretende mostrar que, mesmo diante das dificuldades, os moradores da comunidade dele não deixam de buscar a felicidade.
 
 
 
Em 2015, Augusto percebeu que, por meio do esporte, poderia ajudar as crianças do Sol Nascente. “Criei o time de futebol Sol Nascente Futebol Clube e, no ano seguinte, fundei um time feminino também”, conta. No ano passado, o jovem desenvolveu mais um projeto, o Comunidade bem informada. Ele leva um profissional, seja morador da cidade ou não, para dar palestras sobre a profissão que exerce. “Percebi que muitas coisas aconteciam na minha cidade por falta de informação. Ao chamar um bombeiro, por exemplo, ele vai explicar sobre como podemos nos prevenir de incêndios”, diz.
 
Para este ano, Augusto quer implantar seu novo projeto, que se chama Cooperativa Voluntária, no qual ele reúne doações de pessoas da comunidade e destina a áreas como saúde, educação, desenvolvimento social, cultura ou esporte.