PT e PMDB são contra apreciação imediata do projeto que dá fim voto secreto

Os líderes dos dois partidos com as maiores bancadas do Congresso Nacional disseram, na segunda-feira, ao Correio que a matéria não é prioridade

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postado em 28/05/2013 08:40 / atualizado em 28/05/2013 08:46

Juliana Colares , Leandro Kleber

Os dois partidos com as maiores bancadas da Câmara dos Deputados, PT e PMDB, vão atrapalhar a tentativa de apreciar a proposta de emenda à Constituição que acaba com as votações secretas no Congresso Nacional. Na segunda-feira (27/5), os líderes petista, José Guimarães (CE), e peemedebista, Eduardo Cunha (RJ), disseram ao Correio que a matéria não é prioridade. A iniciativa do líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), de pedir ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), a inclusão da PEC na pauta de votação do plenário também não contará com o apoio do PSD, do DEM e do PP. Juntas, as cinco bancadas somam 282 parlamentares, 54% dos 513 deputados federais.

Evitando falar sobre o assunto, José Guimarães disse apenas quo o PT “tem outras prioridades”, como as medidas provisórias do governo federal. A declaração foi dada no início da noite de ontem, logo após reunião com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e pouco antes do início da sessão deliberativa extraordinária convocada para votar duas MPs que caducam em 3 junho e ainda precisam ser votadas no Senado. Semana passada, Guimarães havia dito que não é a favor do fim do voto secreto, no máximo de mudanças em algum dos pontos onde o sigilo está previsto.

Já o líder do PMDB, mais uma vez, fugiu do assunto. Repetiu resposta dada na semana passada, afirmando que o posicionamento dele é tão secreto quanto o voto. Cunha disse que só emitirá opinião depois que conversar com a bancada, mas não demonstrou nenhum interesse em suscitar a discussão. “Quem está pautando isso são vocês (da imprensa), não é a bancada. Se ela quiser discutir, a gente discute”, disse, minimizando. Perguntado se o fim do voto secreto tem prioridade entre os deputados do PMDB, Cunha respondeu: “Zero”.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), que já havia declarado que só é favorável ao fim do voto secreto nos casos de cassação, disse ontem, por meio da assessoria de imprensa, que “não quer falar sobre esse assunto”. Os líderes do PSD, Eduardo Sciarra (PR), e do PP, Arthur Lira (AL), afirmaram que só tratarão do assunto com as bancadas após a próxima reunião de líderes, quando o PSDB defenderá a votação da PEC. Sciarra disse que o posicionamento dele é favorável ao fim do sigilo, exceto na eleição da Mesa Diretora da Casa. Já Lira afirmou que é contra a ideia de acabar com o voto secreto, principalmente em relação à apreciação dos vetos presidenciais.

Plenário

O líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), também é contra mudanças nas regras em relação aos vetos, mas, favorável à abertura do voto nas outras decisões (cassação e aprovação de autoridades indicadas pela Presidência da República, por exemplo) afirmou que defenderá a inclusão da PEC na pauta do plenário para que a matéria seja discutida.

O posicionamento do PSDB de encampar a defesa da PEC é defendido pelo PSol, PSB e PPS. O líder do PSol, Ivan Valente, é o representante da Frente Parlamentar pelo Voto Aberto e foi voz isolada em defesa da proposta na reunião de líderes da semana passada. Rubens Bueno (PR), líder do PPS, disse que já tratou do assunto várias vezes junto aos colegas dos outros partidos, sempre sem sucesso.
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