VENEZUELA

Defesa de especialista militar presa na Venezuela denuncia 'desaparecimento forçado'

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, levou mais de 48 horas para anunciar, no X, que Rocío estava presa, sem dizer onde nem em que condições

Defesa de especialista militar presa na Venezuela denuncia desaparecimento forçado -  (crédito: Reprodução/X @_Provea)
Defesa de especialista militar presa na Venezuela denuncia desaparecimento forçado - (crédito: Reprodução/X @_Provea)
postado em 12/02/2024 20:15 / atualizado em 12/02/2024 20:37

A defesa da ativista e especialista em temas militares Rocío San Miguel denunciou como "desaparecimento forçado" a sua prisão, ocorrida no último dia 9 por suposta conspiração contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, levou mais de 48 horas para anunciar, no X, que Rocío estava presa, sem dizer onde nem em que condições.

A publicação “não nos diz que órgão policial a prendeu, sob ordem de que tribunal ela está nem que promotor conduz a investigação", criticou hoje o advogado de defesa Juan González Taguaruco. “Também não sabemos o local de detenção. Visitamos alguns centros de reclusão e em nenhum nos dão uma resposta positiva. Podemos definir que esta situação corresponde a um caso de desaparecimento forçado.”

Tampouco foi possível retomar o contato com a filha de Rocío, que a acompanhava no momento da prisão, no principal aeroporto da Venezuela.

Segundo Tarek Saab, a prisão ocorreu "em virtude de um mandado de prisão contra ela por suspeita de estar ligada a uma trama de conspiração e tentativa de magnicídio cujo objetivo era atentar contra a vida do chefe de Estado, Nicolás Maduro, e de outros funcionários do alto escalão".

O governo venezuelano, que denuncia com frequência planos contra Maduro, diz ter neutralizado "cinco conspirações” em 2023, nas quais são apontados militares, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

ONGs e opositores questionaram a prisão da advogada Rocío, 57, que ganhou em 2018 uma causa contra a Venezuela perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos por violação de direitos políticos e de expressão, após a sua demissão de uma entidade pública por ter apoiado, em 2003, um referendo revogatório contra o então presidente, Hugo Chávez (1999-2013).

A Venezuela tem 261 “presos políticos”, incluindo 18 mulheres e 146 militares, segundo a ONG Foro Penal.


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