Manuela Sá*
Antes de Brasília ganhar os contornos de hoje, houve uma geração que ajudou a tirar a cidade do papel e deu vida ao local. Mercedes Urquiza e Cosete Ramos, duas dessas pioneiras, contam o que encontraram quando chegaram aqui e como construíram a vida na capital.
A argentina Mercedes Urquiza decidiu vir a Brasília depois que um amigo de seu marido mostrou para o casal um recorte de jornal noticiando a construção da nova capital em um lugar deserto. Foi pela vontade de acompanhar o desenrolar dessa ideia inusitada e de começar uma nova vida que o casal botou as malas e o cachorro em um Jipe e partiu para o planalto central em uma viagem de quase dois meses. Quando chegaram aqui, no fim de 1957, encontraram a Cidade Livre, núcleo urbano de apoio à construção de Brasília. Para Urquiza, todos eram aventureiros.
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Ao longo dos anos, Mercedes conta que teve que se reinventar diversas vezes. No início, assumiu a função de corretora oficial da Novacap, companhia responsável pela construção de Brasília. "Eles me deram uma planta imensa do Plano Piloto, com tudo vazio e à venda. Imagine ter uma cidade inteira à venda, na sua mão", diz. Hoje, Mercedes guarda com carinho as escrituras desses primeiros 100 lotes vendidos.
Ela também trabalhou como taquígrafa na Universidade de Brasília (UnB), ao lado de Darcy Ribeiro. Outra profissão assumida foi a de jornalista do periódico argentino La Nación. Várias dessas memórias estão no livro A Trilha do Jaguar: na Alvorada de Brasília, para o qual busca apoio para lançar a segunda edição.
Já a pioneira Cosete Ramos, filha do deputado federal do Rio Grande do Sul Ruy Ramos, veio para Brasília quatros dias antes da inauguração. Em 21 de abril de 1960, ela estava no Congresso Nacional, de onde acompanhou com o coração batendo forte Juscelino Kubitschek ser ovacionado após assinar o decreto que transferiu a capital do Brasil do Rio de Janeiro para Brasília.
Cosete formou-se na primeira turma de normalistas do Centro de Ensino Fundamental Caseb e, depois, em Pedagogia na UnB. Sobre sua trajetória nesses 66 anos em Brasília, a pioneira conta que ela "começa com esperança, se desdobra em realizações e culmina com um novo sonho, uma pauta internacional, cercada de muitos parceiros: queremos transformar Brasília em Capital da Felicidade".
Segundo Cosete, quando chegou a Brasília, tudo o que encontrou foi terra e chão. O importante para ela foi observar a beleza e o amor na capital para trazer a cidade para dentro de si. "Quando cheguei, consegui ver para além da poeira e do chão e entendi que ali estava o destino do Brasil", reflete. (MS)
Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado
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