VISÃO DO CORREIO

As missões de Brasília, 66 anos

Capital federal tem se destacado por bons indicadores sociais, como educação, saneamento básico e qualidade de vida. Há, no entanto, aprimoramentos a serem feitos. E o momento é agora.

A proposta é explorar as dimensões criativas, artísticas e gastronômicas do território brasiliense -  (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
A proposta é explorar as dimensões criativas, artísticas e gastronômicas do território brasiliense - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)

Brasília completa 66 anos nesta terça-feira com um futuro desafiador. Centro das decisões nacionais e terceira maior cidade do país, a capital federal tem cumprido, ao longo de seis décadas, sua vocação de servir como referência para as questões mais relevantes do Brasil. Ao mesmo tempo, a cidade projetada por Lucio Costa e Oscar Niemeyer tem se destacado por bons indicadores sociais, como educação, saneamento básico e qualidade de vida. Há, no entanto, aprimoramentos a serem feitos. E o momento é agora.

As perspectivas da capital de todos os brasileiros foram tema do debate "Brasília 66 anos - Uma cidade em constante transformação", realizado pelo Correio Braziliense na semana passada. Em um diálogo multidisciplinar, os convidados expuseram diferentes pontos de vista sobre a cidade que, em pouco mais de meio século, ergueu-se do ermo do Planalto Central para se tornar o coração político do país, centro de desenvolvimento econômico e polo atrativo permanente de brasileiros em busca de oportunidade e de serviços públicos garantidos pela Constituição Federal.

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Definitivamente, não é fácil ser a capital de todos os brasileiros. Mas Brasília nunca teve missões fáceis, antes mesmo de se tornar realidade. É exatamente o espírito desbravador de Juscelino Kubitschek que precisa ser resgatado para levar adiante a modernidade do projeto brasiliense. A ousadia do homem que mudou os rumos do Brasil com a epopeia brasiliense deve inspirar gestores públicos, empresários e cidadãos locais a atuarem em favor de novos rumos para a maior criação de JK.

Na abertura do CB Debate, a governadora Celina Leão sinalizou um caminho: a mudança da matriz econômica do Distrito Federal. No pensamento da chefe do Buriti, é fundamental Brasília aproveitar suas potencialidades para superar a dependência do setor público em sua economia local. Para tanto, deve-se investir nas premissas para um desenvolvimento econômico sintonizado com o século 21: inovação, tecnologia, indústria limpa, sustentabilidade. À frente do Executivo local ao menos até o fim do ano, Celina Leão disse estar empenhada em um plano estratégico para ampliar as vocações da capital federal. "Precisamos pensar em uma matriz econômica diferente para mudar o DF em termos de projeção nacional", sustentou.

Ao completar mais um aniversário, Brasília tem igualmente um desafio social a vencer. A desigualdade característica do Brasil se torna ainda mais lancinante na capital federal, onde os mais ricos acumulam uma renda muitíssimo superior à dos mais pobres. A fim de reduzir essa diferença, é urgente investir em atividades econômicas que gerem riqueza — como a indústria, por exemplo.

É importante, ainda, fomentar iniciativas que tirem o monopólio econômico do Plano Piloto e potencializem as demais regiões administrativas. Entre outros benefícios, a diversificação econômica reduzirá a pressão no trânsito e no transporte público brasiliense, absolutamente saturados em razão de políticas que dão prioridade à mobilidade sem considerar a descentralização do emprego e da renda.

Por fim, e não menos importante, Brasília precisa reafirmar seu compromisso com a cidadania neste 66º aniversário. Pouco mais de três anos após o infame 8 de Janeiro, a capital muitas vezes ofendida e confundida por causa da política permanece uma fortaleza em favor da democracia. Erguida por candangos provenientes de todo o país, Brasília tem origem no povo. E servir ao povo é a maior de todas as missões de uma cidade regida pelo Estado Democrático de Direito, apesar de períodos de obscurantismo autoritário e de flertes com golpismo. Longa vida a Brasília, a capital da democracia.

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Por Opinião
postado em 19/04/2026 06:00 / atualizado em 19/04/2026 07:17
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