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Veja o que se sabe sobre a troca de tiros entre policiais em Juiz de Fora

Investigadores de MG e de SP atuam em conjunto para apurar tiroteio entre agentes que escoltavam empresários em transação suspeita. Paulista nega transporte de dólares

Cristiane Silva/Estado de Minas, Guilherme Paranaiba/Estado de Minas, João Henrique do Vale/Estado de Minas
postado em 23/10/2018 08:46
Movimentação diante de área de estacionamento em Juiz de Fora, onde ocorreu o tiroteio que terminou com a morte de um policial civil mineiro
As secretarias de Segurança de Minas Gerais e de São Paulo investigam conjuntamente o caso da troca de tiros entre policiais civis de Minas Gerais e de São Paulo, que terminou com a morte de um agente mineiro em Juiz de Fora, na Zona da Mata, na sexta-feira. O secretário de Segurança Pública de Minas, Sérgio Barbosa Menezes, cogitou a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF), devido à apreensão de R$ 15 milhões em notas falsas na cena do tiroteio. A suspeita é de que os dois grupos tenham se encontrado para uma transação de troca de reais por dólares entre empresários dos dois estados. Em depoimento ontem, entretanto, empresário paulista envolvido no caso negou o suposto câmbio.
Flávio de Souza Guimarães, que estaria transportando dólares, se apresentou, nessa segunda-feira (23/10), à Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo, onde negou que estivesse de posse de moeda norte-americana na sexta-feira. Antônio Vilela, empresário de Minas a quem pertenceriam as malas de notas falsas apreendidas e acabou baleado no pé, já deixou o hospital e foi preso. Dois delegados e dois investigadores de São Paulo foram encaminhados para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Os agentes mineiros foram liberados.

;Tenho conversado com o secretário de São Paulo. As instituições estão trabalhando de forma integrada. Não pode ser diferente. Estamos produzindo informações necessárias para esclarecer o caso;, disse o secretário Sérgio Menezes. ;O inquérito policial, com certeza, vai dar um corpo probatório que vai esclarecer autoria, materialidade e a motivação dos fatos;, afirmou o secretário. Ele ainda sugeriu a entrada a Polícia Federal na investigação, no que se refere às notas apreendidas. ;Havia R$ 15 milhões em cédulas falsas. A investigação desse crime é de atribuição da PF;, disse. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da PF informou que a apuração pela corporação ;dependerá de eventual declínio de competência da Justiça Estadual para a Justiça Federal, no caso de não se tratar de falsificação grosseira;. Se for grosseira, continuará com a Polícia Civil, ;por configurar crime de estelionato;.

Na tarde dessa segunda-feira, além de afirmar que não portava dólares quando foi a Juiz de Fora, o empresário de São Paulo Flávio de Souza Guimarães, que estava envolvido na transação e fugiu da cena do tiroteio de táxi-aéreo, disse à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo que foi a Juiz de Fora negociar empréstimos para sua empresa. Com relação à escolta, alegou que contratava os serviços da empresa de segurança de Jerônimo da Silva Leal Júnior rotineiramente, dando a entender que não sabia que havia policiais na escolta.

Irmão de policial, Jerônimo Silva também estava no local do tiroteio, onde foi ferido, e é o suspeito de ter feito o disparo que provocou a morte do agente mineiro. Ele está internado em Juiz Fora. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Monte Sinai e recebia ontem tratamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição e seu estado era grave.

O depoimento do empresário Flávio Guimarães será usado tanto no inquérito que apura a conduta administrativa dos policiais paulistas ; impedidos de fazer ;bico; por lei ;, quanto na investigação criminal aberta pela Polícia Civil de Minas. Ele seria ouvido por meio de carta precatória, mas até o início da noite de ontem o documento não havia chegado à corregedoria paulista.

Mágino Alves, secretário de Segurança de São Paulo, afirmou que a apuração da corregedoria vai além do fato de os agentes estarem fazendo trabalho extraoficial. ;Todos nós assistimos à grande quantidade de dinheiro que estava sendo transportada. Isso não permite dizer que era só um trabalho de acompanhamento, de escolta. Era um trabalho de co-autoria com o crime que estava sendo cometido pelo particular;, declarou. ;Comprovados desvios de conduta, os policiais envolvidos responderão administrativa e criminalmente, de acordo com os atos praticados por cada um;, informou a secretaria por meio de nota.
Os quatro policiais paulistas tiveram a prisão preventiva decretada na noite de domingo. Eles foram autuados por lavagem de dinheiro e podem ser implicados na morte do policial mineiro. Outros cinco agentes daquele estado foram ouvidos e liberados, mas a conduta deles ainda é investigada.

Três policiais mineiros que estavam na cena do tiroteio foram indiciados por prevaricação, por terem conhecimento da operação ilegal e não tomarem medidas, mas podem responder por outros crimes, pois também continuam sendo investigados. Eles não foram presos e se comprometeram a comparecer a audiência marcado para novembro.

Escolta

A linha de apuração da equipe da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária de Juiz de Fora é de que os policiais davam cobertura a uma transação possivelmente ilegal entre os dois empresários, marcada para ocorrer no estacionamento de um condomínio de consultórios que faz ligação com o Hospital Monte Sinai. As informações já obtidas pelos investigadores dão conta de que os policiais faziam a escolta de Flávio Guimarães entre São Paulo e Juiz de Fora com uma quantidade de dólares, para realizar a troca da moeda no município mineiro. O negócio deu errado, aparentemente, quando se descobriu que parte das cédulas em real que seriam usadas na transação era falsa.

O que já sabemos sobre o caso


; Em 19 de outubro, houve tiroteio entre policiais civis de Minas Gerais e de São Paulo, no estacionamento de um condomínio de consultórios que faz ligação com o Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora, na Zona da Mata.

; Na troca de tiros, o policial civil de Minas Rodrigo Francisco, de 39 anos, morreu. Duas pessoas ficaram feridas. Um deles, Jerônimo Silva, é dono de empresa de segurança particular que acompanhava o grupo de São Paulo e irmão de um dos policiais paulistas. Ele segue internado. O outro paciente, Antônio Vilela, empresário de Juiz de Fora que estaria transportando R$ 15 milhões em notas falsas, recebeu alta e foi preso

; O confronto ocorreu em meio a uma transação suspeita entre Vilela e Flávio Guimarães, empresário de São Paulo. As apurações dos investigadores indicam que policiais de Minas Gerais estavam apoiando o empresário mineiro, enquanto os de São Paulo garantiam a segurança do empresário paulista
; Até o momento, a investigação aponta que o tiro que matou o policial saiu da arma de um segurança particular que acompanhava o grupo do empresário paulista com oito policiais do estado vizinho, incluindo dois delegados

; Quatro policiais paulistas, sendo dois delegados e dois investigadores, foram autuados por lavagem de dinheiro. As prisões em flagrante foram convertidas para preventivas em uma audiência de custódia. Todos foram transferidos para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem

; Três policiais de Minas foram autuados por prevaricação e liberados depois de assinar termo em que se comprometem a comparecer a audiência em novembro

; Os dois homens que foram baleados na troca de tiros também tiveram as prisões preventivas decretadas

; Do mesmo grupo de São Paulo, outros cinco policiais foram ouvidos e liberados.

; O empresário Flávio Guimarães fugiu da cena e se apresentou, nessa segunda-feira (23/10), em São Paulo. e disse que estaria no local para tomar empréstimo. Indicou ainda que não sabia que havia policiais na escolta

; O empresário de Juiz de Fora que participaria do negócio, Antônio Vilela, foi baleado no pé. Ele recebeu alta na noite de domingo e ficou a cargo do sistema prisional

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