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Correio Braziliense

Dois gabinetes de crise acompanham esforços de resgate após tragédia

Rompimento de barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, provoca mortes e devastação três anos depois do desastre de Mariana. Há mais de uma centena de desaparecidos. Jair Bolsonaro cria dois gabinetes de crise e visitará o local hoje para avaliar os danos


postado em 26/01/2019 07:00 / atualizado em 26/01/2019 01:12

(foto: Douglas Magno/AFP )
(foto: Douglas Magno/AFP )

Três anos depois do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), mais um desastre, com características tão trágicas quanto aquela e com potencial de ter vitimado ainda mais pessoas, dilacerou a vida de centenas de famílias brasileiras. Às 13h37 de ontem, a Vale do Rio Doce avisou a autoridades que uma barragem havia se rompido na Mina do Feijão, na área rural de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a mineradora, outra barragem próxima transbordou, o que colaborou para aumentar o mar de lama e rejeitos de mineração que atingiu 427 pessoas, entre moradores e funcionários da empresa. Até o fechamento desta edição, sete morreram, sete ficaram feridas e 150 estavam desaparecidas.

A maioria das vítimas trabalhava na Vale, segundo o presidente da mineradora, Fabio Schvarstman. Algumas estavam almoçando no refeitório quando foram surpreendidas pela enxurrada. “Desta vez, estamos falando de uma tragédia humana”, reconheceu. Ele não soube dizer o que levou ao rompimento da barragem ou por que as sirenes de emergência não tocaram. (veja reportagem na página 3)

Os danos foram grandes do ponto de vista ambiental, mas devem ser ainda maiores do que os de Mariana em quantidade de vítimas. Durante o dia, 279 pessoas haviam sido resgatadas com vida, pela contagem do governo mineiro. Quase 100 bombeiros participaram das buscas, que se estenderam pela madrugada, conseguiram tirar nove pessoas vivas da lama e resgatar 100 que estavam ilhadas. Mas, por volta das 21h, o governador do estado, Romeu Zema, disse que as chances de encontrar alguém vivo, a partir de então, seriam mínimas. “Vamos resgatar somente corpos”, lamentou.

“O vazamento tem uma característica diferente daquele que aconteceu em Mariana, que foram centenas de quilômetros. Este teve um maior número de vítimas, mas vai ficar territorialmente mais limitado”, comparou Zema. O governador também alertou para o estado da barragem. “O vazamento até agora parece estável, caso não chova. Mas, se chover, pode se mover mais um pouco”, disse.

Bombeiros resgatam vítima: ao menos oito hospitais na capital e em Betim acionaram plano de atendimento(foto: TV Record/CB/D.A Press)
Bombeiros resgatam vítima: ao menos oito hospitais na capital e em Betim acionaram plano de atendimento (foto: TV Record/CB/D.A Press)

Plano de ação

Enquanto a lama tomava conta de Brumadinho, o presidente Jair Bolsonaro anunciava, em Brasília, a criação de dois gabinetes de crise para acompanhar o andamento das operações de resgate: um do Palácio do Planalto e outro no Ministério do Meio Ambiente. Por volta das 14h, ele se reuniu com ministros, no Planalto, para discutir o assunto. Em pronunciamento oficial, pouco depois das 18h, o presidente classificou o episódio como “triste notícia” e garantiu “tomar todas as medidas cabíveis para minorar o sofrimento de familiares e possíveis vítimas, bem como a questão ambiental”.

Bolsonaro também disse que tropas da 4ª Brigada da Região Juiz de Fora (MG) haviam sido enviadas ao município. Três ministros foram escalados, ainda durante a tarde, para acompanhar o caso de perto e já estavam em Belo Horizonte à noite: Bento Albuquerque (Minas e Energia), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Ainda na manhã de hoje, o presidente deve chegar à capital mineira, acompanhado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, para sobrevoar a região atingida e avaliar os danos.

O governo de Minas também criou um gabinete de crise. Zema, que estava no interior do estado, voltou à capital mineira às 15h40. Ele prometeu “atendimento imediato às vítimas” e “acompanhar a apuração dos fatores que causaram o acidente”. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também anunciou que acompanhará os desdobramentos do rompimento da barragem. “É mais uma tragédia humana e ambiental que atinge o estado e que reforça a preocupação com problemas crônicos e graves em nosso país”, afirmou.

Antes de completar um mês no governo, o presidente precisa lidar com um desastre ambiental que tem potencial de ser mais grave que o de Mariana, situação que o obriga a colocar no centro da agenda a questão ambiental. O vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que a Vale é uma empresa privada e que, portanto, o governo não pode ser culpado pelo acidente. “Essa conta não pode vir para gente. Não pode vir para nosso governo, porque nós assumimos faz 30 dias”, disse Mourão.

“Não quero começar a culpar os outros pelo que está acontecendo, mas algo está sendo feito errado ao longo dos tempos”
Jair Bolsonaro, em entrevista à Rádio Regional de Brumadinho

“Vamos resgatar somente corpos”
Romeu Zema, governador de Minas

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