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Correio Braziliense

Ações da Vale desabam no exterior com repercussão de Brumadinho

Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) ficou fechada, devido ao aniversário de São Paulo, mas, de acordo com analistas, a Bovespa deve apresentar fortes perdas na segunda-feira


postado em 26/01/2019 07:00 / atualizado em 26/01/2019 01:07

Com o rompimento da barragem da Vale, os ADRs (American Depositary Receipts), que são os papéis da companhia negociados na NYSE (Bolsa de Nova York), reverteram a tendência de alta para queda. Na última sessão de negócios da semana, os ativos da companhia tiveram forte recuo de 8,34%, negociados a US$ 13,620. Já o índice EWZ, que mede o desempenho dos principais papéis de empresas brasileiras negociados em Nova York, avançou, no dia, 0,39%, atenuando os ganhos diante da tragédia envolvendo a mineradora.

No início da manhã de ontem, os papéis da estatal chegaram a subir cerca de 3%. No entanto, com a notícia do desastre, os ativos, imediatamente, apresentaram forte recuo. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) ficou fechada, devido ao aniversário de São Paulo, mas, de acordo com analistas, a Bovespa deve apresentar fortes perdas na segunda-feira, na reabertura dos negócios domésticos.

Na visão do assessor de investimentos da Miura Investimentos, Carlos Henrique Oliveira, a reação de “fuga” dos investidores dos papéis da mineradora é típica do mercado financeiro. “O mercado da Vale é mundial, não é somente o investidor brasileiro que dá preço. Por falta de informações precisas acerca do ocorrido, essa forte queda gerou pânico”, frisou.

Investidores também se preocupam com eventuais novos desdobramentos judiciais que podem incorrer à mineradora na Justiça dos Estados Unidos. A Vale já foi alvo de duas ações coletivas devido ao rompimento da barragem da Samarco, de Mariana, em 2015. Para Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, a tragédia, em Brumadinho, afetará o pregão da próxima segunda. “Os investidores que possuem acesso ao mercado aberto no exterior já precificaram, hoje (ontem), essa tragédia, mas é difícil mensurar, agora, o real impacto à Vale. O mercado doméstico, por estar fechado, fica represando essa queda e, com a reabertura da Bovespa, na segunda, as ações da companhia devem sofrer uma forte queda”, analisou.

No pregão doméstico de quinta-feira, os ativos ordinários da Vale encerraram em alta de 0,90%, sendo negociados a R$ 56,15. No ano, os papéis da mineradora apresentam valorização de 10,1%. Os ativos da Vale compõem 10,903% da carteira do Ibovespa no quadrimestre entre janeiro e abril deste ano, parcela significativa entre as ações negociadas. A companhia possui, atualmente, valor de mercado em R$ 291 bilhões, constituindo a terceira maior empresa brasileira de capital aberto.


Uma cidade mineradora


Brumadinho tem na indústria da mineração uma das maiores fontes de sustentação da economia local e foi, no ano passado, o oitavo município que mais arrecadou royalties provenientes da atividade, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem). Coube à cidade de 34 mil habitantes receita de R$ 37,476 milhões em 2018, da arrecadação total recorde no estado, de R$ 1,311 bilhão. O Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) registra atuação de 13 empreendimentos minerários no município, entre explorações de minério de ferro, água mineral e areia. A receita dos royalties apurada em favor de Brumadinho cresceu 66% na comparação com 2017. Além da Vale, outra grande empresa que atua na cidade é a Vallorec Mineração, que confirmou, nesta semana, ao governador Romeu Zema, o plano de expansão da Mina de Pau Branco, com investimentos de R$ 220 milhões. O projeto de engenharia do empreendimento está sendo detalhado e as obras serão concluídas até o início de 2021. A companhia informou que deverá criar 335 empregos diretos.
 
*Estagiário sob a supervisão de Cida Barbosa 

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