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Correio Braziliense

Fábio Felix: continuidade de investigação no caso Marielle é essencial

Distrital diz que, para ele, motivação é política e que os investigadores precisam descobrir quem mandou matar a parlamentar


postado em 12/03/2019 20:25 / atualizado em 11/07/2019 16:38

Fábio Felix (Psol-DF), deputado distrital, segurando o projeto
Fábio Felix (Psol-DF), deputado distrital, segurando o projeto "Prêmio Marielle Franco (foto: Alexandre Bastos/Mandato Fábio Felix)

 

O deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF) falou, nesta terça-feira (12/3), que a prisão dos dois suspeitos de terem matado a vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, não põe fim ao caso. Colega de partido da vítima, Félix diz ser evidente que o assassinato da ativista teve motivação política e cobra explicações dos investigadores. "Ela foi assassinada por defender os direitos humanos e a população mais vulnerável. Por isso as reais motivações desse bárbaro crime ainda permanecem desconhecidas", afirmou ao Correio.

 

Ronnie Lessa e Elcio Vieira de Queiroz foram presos na madrugada desta terça-feira, nas respectivas casas, em uma operação conjunta do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Civil do Rio de Janeiro. O primeiro é um policial militar reformado. O outro, ex-PM, expulso da corporação.

 

Ao ser questionado da importância das prisões, o distrital comentou que elas foram essenciais, porém, argumentou que não aceitará qualquer explicação de que tal ação foi movida por simples antipatia à vereadora. "As prisões são muito importantes para a elucidação do caso. Entretanto, não vamos aceitar a versão de que os possíveis assassinos agiram por ódio ou motivação pessoal. Como bem destacou Marcelo Freixo, eles mal conheciam a Marielle. Uma série de questionamentos fundamentais seguem sem respostas: que interesses motivaram a execução da ex-vereadora? E quem são os mandantes desse assassinato bárbaro?", questionou.

 

Noite do crime 

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados a tiros em 14 de março de 2018. Eles estavam dentro de um Agile branco (Chevrolet), após a vereadora sair de um evento em que havia debatido sobre "jovens negras abalando as estruturas", na Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, Centro do Rio. Marielle levou quatro tiros na cabeça e Gomes três tiros nas costas. Ambos morreram na hora. A assessora da parlamentar, Fernanda Chaves, também estava no veículo quando houve o ataque, porém não foi atingida.

 

CPI das milícias

No Salão Verde da Câmara, nesta terça-feira, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) assegurou que pedirá instalação da CPI das milícias na Casa. "É importante que o Legislativo federal investigue o poder desses grupos, que claramente interferem na política, nos palácios. Em determinados momentos, eles mesmos se denominam Escritório do Crime, mostrando que estão falando de um negócio", frizou.

 

Ainda segundo o parlamentar, as prisões são importantes, mas, segundo ele, é essencial a continuidade das investigações para que saibam quem são, de fato, os mandantes do crime. 

 

Homenagem em Brasília

 

É de Fábio Félix o projeto de lei que pretende construir, no Plano Piloto, uma praça em homenagem a Marielle Franco. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) diz que iniciativa tem o objetivo de reforçar o nome e a importância da vereadora na luta por causas sociais. 

 

"Nesse momento tão difícil, é importante reforçar o nome dela. O Brasil é um dos países mais inseguros para defensores. Manter a memória dela é fundamental", ressaltou Félix, ao Correio, no início do mês.

 

Para que a iniciativa tenha respaldo popular, porém, será realizada uma audiência pública para colocar a proposta em debate. O espaço escolhido está localizado em frente à estação de metrô Galeria dos Estados. Após a audiência, para virar lei, o projeto precisa passar por comissões e depois ser votado no Plenário.

 

* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli

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