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Correio Braziliense

Governo dá declarações desencontradas sobre petróleo em praias nordestinas

Enquanto Ricardo Salles volta a apontar a Venezuela como provável origem do óleo e Bolsonaro diz ter ''quase certeza'' de que vazamento foi criminoso, Azevedo e Silva, da Defesa, adota tom mais cauteloso


postado em 10/10/2019 19:15 / atualizado em 10/10/2019 19:18

Funcionários limpam praia atingida pelo óleo em Alagoas(foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Estadão Conteúdo)
Funcionários limpam praia atingida pelo óleo em Alagoas (foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Estadão Conteúdo)
O presidente Jair Bolsonaro e os ministros da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deram, nesta quinta-feira (10/10), declarações desencontradas sobre a grande quantidade de óleo que polui praias do Nordeste brasileiro.

Enquanto Salles voltou a dizer que há indicação de que o petróleo seja venezuelano, Azevedo e Silva afirmou que ainda não se sabe a origem do material nem se o vazamento foi acidental ou criminoso. O presidente, por sua vez, disse ter "quase certeza" de que houve crime.

Salles falou em resposta a um comunicado emitido pela estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PDVSA), que rechaçou "categoricamente" o que chamou de "suspeitas infundadas". "Não existe evidência alguma de derrame de óleo cru dos campos petroleiros da Venezuela que pudessem haver gerado danos no ecossistema marinho do País vizinho", afirma o texto.

Questionado sobre o posicionamento da Venezuela, o ministro do Meio Ambiente reafirmou a indicação de origem venezuelana, com base em análise técnica laboratorial da Petrobras, ressaltando que o produto não veio necessariamente de campos de petróleo. "A hipótese aventada é que pode ter sido derramado a partir de navios que trafegaram ao longo da costa brasileira, e não necessariamente de campos do governo ditatorial venezuelano."
 
O ministro da Defesa, no entanto, foi mais cauteloso que seu colega de Esplanada. "Estamos levantando os navios e bandeiras. Pode ter sido acidente ou incidente, ainda não chegamos a essa conclusão", disse o ministro em coletiva, durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019, em São Paulo. "Ainda não sabemos a origem. Já sabemos que não é vazamento de nossas plataformas", acrescentou.

A fala do general também foi mais ponderada que a de Bolsonaro, que mais cedo, no mesmo evento, disse ter "quase certeza" sobre o derramamento ser criminoso. "Tenho quase certeza. Não temos bola de cristal para descobrir rapidamente quem é o responsável pelo ato criminoso, mas tomamos as providências." 

Laudo da UFBA

Ainda nesta quinta-feira, uma nova análise apontou para a Venezuela como o país de origem do petróleo. A conclusão é de um laudo divulgado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Segundo a diretora do Instituto de Geociências da universidade, Olívia Oliveira, a análise de amostras recolhidas no litoral da Bahia e de Sergipe apresentou a presença de carbono e de biomarcadores que têm semelhança com um dos tipos de petróleo produzido no país vizinho. As pesquisas foram realizadas em parceria com a Universidade Federal do Sergipe (UFS).

Até a quarta-feira, as investigações sobre a origem do petróleo conduzidas pela Marinha e pela Polícia Federal se concentravam em 23 embarcações suspeitas. O óleo já contaminou ao menos 139 praias brasileiras.

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