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Correio Braziliense

''Sou médico, não juiz'', diz Drauzio sobre presa trans que matou criança

Médico comentou polêmica criada após motivo da prisão da trans ter sido revelado na internet. Suzy estuprou e matou um garoto de 9 anos em 2010


postado em 08/03/2020 19:43

O abraço de Drauzio Varella a detenta Suzy de Oliveira gerou um movimento na internet (foto: Reprodução/ Tv Globo)
O abraço de Drauzio Varella a detenta Suzy de Oliveira gerou um movimento na internet (foto: Reprodução/ Tv Globo)

O médico Drauzio Varella se manifestou, neste domingo (8/3), sobre o caso de uma prisioneira transexual que foi retratada em uma reportagem produzida por ele no programa Fantástico, da TV Globo. De acordo com o profissional, no momento da entrevista com Suzy Oliveira, ele não perguntou qual crime ela havia cometido.

Suzy está presa na Penitenciária I José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande São Paulo, por estupro e homicídio de um menino de 9 anos, ocorrido em 2010. Na reportagem, Drauzio mostrou preconceito, abandono e a solidão de presas transexuais que estão alocadas em unidades prisionais masculinos.

Ao entrevistar Suzy, ela contou que estava no local há oito anos, sem receber visitas. "Muita solidão, não é minha filha", respondeu o médico, seguido de um abraço na detenta.

A reportagem causou comoção e a interna chegou a receber 324 cartas e presentes, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária. No entanto, após uma rede de advogados publicar em uma página da internet o motivo da detenção, houve reação, com polêmica e revolta na internet.

De acordo com o processo contra Suzy, ela estuprou e matou, por estrangulamento Fábio dos Santos Lemos. A criança foi encontrada morta a 20 metros de casa, com o corpo já em decomposição. Drauzio foi alvo de críticas que questionavam se ele sabia do crime quando decidiu retratar a história da detenta.

Em nota, o médico afirmou que não, mas que não julga os pacientes. "Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a medicina, seja no meio consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico", afirmou.

Ainda de acordo com o comunicador, ele mantém a postura mesmo em seu trabalho na televisão. "No meu trabalho na televisão, sigo os mesmos princípios. No caso da reportagem, veiculada pelo Fantástico na semana passada (1º/3), não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz", completa a nota.

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