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Correio Braziliense

Acidente que matou casal deixa comunidade do Lago Norte abalada

Famílias das vítimas, Evaldo e Dulcineia da Silva, e da condutora, Luciana Pepe Vieira, eram vizinhas e próximas. Pessoas próximas falam em acidente causado por crise glicêmica. Polícia Civil apura causas da tragédia


postado em 20/01/2018 14:31 / atualizado em 20/01/2018 15:38

Missa em homenagem ao casal Evaldo e Dulcineia, mortos no acidente de quinta-feira(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )
Missa em homenagem ao casal Evaldo e Dulcineia, mortos no acidente de quinta-feira (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )

 
O acidente de trânsito que vitimou Evaldo Augusto da Silva, 75 anos, e Dulcineia Rosalino da Silva, 72, na última quinta-feira (18/1), deixou abalados os moradores do Lago Norte, onde o casal morava. As famílias das vítimas e a da condutora, Luciana Pepe Vieira, 46, eram vizinhas e próximas. 

Ambas frequentavam a Paróquia Nossa Senhora do Lago, onde foi realizada uma missa em homenagem ao casal na noite de sexta-feira. Na cerimônia, que contou com cerca de 300 pessoas e foi marcada por forte emoção, o padre Norbey Londoño Buitrago pediu orações não só para o casal como também para a condutora.


Identificado como capitão Ávila, um policial militar do batalhão responsável pelo policiamento na região (24ª BPM) divulgou em redes sociais um texto no qual também pediu solidariedade não só à família de Evaldo e Dulcineia, mas também à de Luciana. Para o militar, que participou do atendimento à ocorrência, não houve crime. "Pude perceber de pronto que não se tratava de um crime, mas de uma tragédia", escreveu. A Polícia Militar confirmou ao Correio a autenticidade da mensagem.

No texto, dirigido a moradores do Lago Norte, o capitão Ávila lembrou que os três envolvidos são conhecidos e queridos pela comunidade. Acrescentou que o momento é de ser solidário ao “Sr. Evaldo e à Sra. Dulcineia, cidadãos exemplares e de bem, e também aos que ainda podem perder a Sra. Luciana, que também tem sido muito elogiada como uma pessoa amiga e correta”.

“Devemos lembrar que qualquer pessoa está sujeita a problemas ao volante, sendo diabética ou não: infarto, AVC, sono, cansaço, mal súbito, animais na pista, pássaros no para-brisa, pedras lançadas pelas rodas de outros veículos em movimento, problemas mecânicos etc., de modo que é impossível termos 100% de segurança” (leia a íntegra da mensagem abaixo).


Motorista está em estado gravíssimo


Familiares e amigos também afirmam que Luciana tem diabetes e que teria sofrido uma crise glicêmica ao volante. Servidora da Câmara dos Deputados, ela, após ter sido socorrida, foi levada para o Instituto Hospital de Base e, no dia seguinte, para um hospital particular, onde continua em estado gravíssimo, em coma induzido. Luciana sofreu fraturas nos membros superiores, inferiores e no tórax, além de trauma craniano. Pela manhã, uma crise glicêmica complicou ainda mais a situação da condutora.

Por causa do estado clínico, Luciana foi liberada da audiência de custódia, prevista para a manhã de ontem, e responderá em liberdade até o fim do julgamento — antes disso, ela chegou a ficar acompanhada de escolta policial. “Seja como for, o fato objetivo é que ela se encontra hospitalizada, em estado grave, não representando risco à instrução criminal”, afirmou o juiz Aragonê Nunes. Casada, a servidora tem dois filhos. De acordo com amigos da família, ela tem diabetes desde a juventude. No entanto, a última crise glicêmica teria sido há cinco anos. Luciana não tem histórico de crimes ao volante.

Dizer se houve ou não crime, porém, cabe à Polícia Civil, que investiga o que provocou o acidente. Na sexta-feira, a delegada responsável pela caso, Mônica Ferreira, da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte), disse em coletiva à imprensa que Luciana será indiciada por homicídio com dolo eventual, quando não há intenção de matar, mas se assume o risco ao adotar determinada conduta. A delegada ressaltou ainda que a investigação vai apurar se uma crise de hipoglicemia pode causado o acidente. 


Hipoglicemia e direção


A hipoglicemia é caracterizada por nível baixo de glicose no sangue, geralmente abaixo de 70 miligramas por decilitro (mg/dl). A quantidade normal de açúcar no sangue é de 110 a 180 mg/dl. Os sinais podem ser produzidos pelos hormônios de contrarregulação e pela redução da glicose no cérebro. No primeiro caso, os sintomas são: tremores, tonturas, palidez, suor frio, nervosismo, palpitações, taquicardia, náuseas, vômitos e fome. No segundo, confusão mental, alterações do nível de consciência, perturbações visuais e de comportamento, que podem ser confundidas com embriaguez, cansaço, fraqueza, sensação de desmaio e convulsões.

Além da diabetes, epilepsia, doença cardíaca, neurológica e pulmonar podem impedir que uma pessoa seja considerada apta a dirigir. Segundo a Resolução nº 425, do Contran, no exame de aptidão física, necessário para tirar ou renovar a CNH, o médico pode negar, em laudo, a permissão para guiar ao constatar uma dessas doenças. Os candidatos não precisam apresentar exames. É necessário preencher um questionário informando se têm algum dos males. Também é preciso responder se necessitam de tratamento psiquiátrico ou se usam substâncias ilícitas. Se constatadas informações incorretas, é possível responder por falsidade ideológica.
 
Ver galeria . 13 Fotos Luis Nova/CB/D.A Press
(foto: Luis Nova/CB/D.A Press )
 
 

Mensagem de policial pede solidariedade às famílias de envolvidos em acidente


"Boa tarde,

Ontem estive no local imediatamente após o acidente e pude perceber de pronto que não se tratava de um crime, mas de uma tragédia. Foram três vítimas. 

Entendo a preocupação das senhoras quanto ao estado de saúde e as condições da Sra. Luciana que dirigia o veículo, mas não houve, até onde pudemos apurar, nenhuma irresponsabilidade da parte dela. 

Devemos lembrar que qualquer pessoa está sujeita a problemas ao volante sendo diabética ou não: infarto, AVC, sono, cansaço, mal súbito, animais na pista, pássaros no para brisa, pedras lançadas pelas rodas de outros veículos em movimento, problemas mecânicos etc. de modo que é impossível termos 100% de segurança. 

E por isso mesmo, devemos nos preocupar com as condições de segurança das vias, não apenas com limites de velocidade.

Quanto à responsabilidade da família, não podemos exigir que impeçam diabéticos de dirigir. A própria Sra. Luciana fazia o mesmo trajeto rotineiramente sem problemas e nós, policiais militares, que sempre somos os primeiros a chegar nos locais de acidente, pudemos perceber que o carro estava praticamente sem controle e parece ser razoável crer que, enquanto pode, ela desviou dos veículos na pista sem, contudo, ser capaz de retirar o pé do acelerador ou frear. 

Acredito, também, que ela ainda não sabe o que aconteceu, pois está em estado grave, em coma induzido, e nós do Batalhão estamos preocupados, por questões humanitárias, com o que pode acontecer quando ela acordar.

O momento é de luto e solidariedade a todos que perderam seus entes e amigos queridos, o Sr. Evaldo e a Sra. Dulcineia, cidadãos exemplares e de bem, e também aos que ainda podem perder a Sra. Luciana, que também tem sido muito elogiada como uma pessoa amiga e correta.

Por tudo isso, recomendo prudência quanto aos comentários que fizermos para que a tragédia não seja maior. 

Colocando, mais uma vez, o Batalhão da Polícia Militar a disposição de todos, despeço-me.

Capitão Avila – 24º Batalhão"
 

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