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Correio Braziliense

Igreja sabia de denúncia de desvio de verbas em Formosa desde 3 de março

O Papa Francisco já havia determinado a visita de um sacerdote para se inteirar da real situação. O bispo de Formosa, porém, foi preso horas antes do cumprimento da ordem


postado em 21/03/2018 14:31 / atualizado em 21/03/2018 15:13

A Santa Sé já estava ciente das denúncias de desvios de verba e lavagem de dinheiro da Diocese de Formosa (GO) e paróquias de municípios vizinhos desde 3 de março. Segundo um comunicado divulgado pela Arquidiocese de Uberaba (MG), à época, o Papa Francisco ordenou que se realizasse uma Visita Apostólica à cidade. No procedimento, considerado uma iniciativa excepcional do Vaticano, o visitador ou os visitadores apostólicos nomeados devem tomar notas da situação e sugerir mudanças administrativas.

Uma semana depois, em 10 de março, a Igreja nomeou justamente o arcebispo de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto como visitador para “examinar a situação pastoral e avaliar a administração de dom José Ronaldo Ribeiro”, explica o comunicado. O sacerdote, porém, não chegou a fazer a visitação. Veio para Brasília em 19 de março, justamente quando o bispo de Formosa, dom José Ronaldo foi preso na Operação Caifás, do Ministério Público de Goiás e da Polícia Civil do estado.

Além de dom José, outras oito pessoas foram presas, sendo dois empresários laranjas, um funcionário da diocese do município, um juiz eclesiástico de São Paulo, convocado, segundo o MPGO, para intimidar os padres contrários à administração fraudulenta do bispo, o vigário-geral, segundo no comando, o pároco da catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição e outros dois sacerdotes.

Sem um representante para recebê-lo, dom Paulo Mendes Peixoto retornou a Uberaba e esperou que a Santa Sé determinasse o que deveria ser feito. Dois dias depois, o arcebispo acabou nomeado como administrador da diocese de Formosa. Enquanto estiver nessa situação, responderá, no lugar de dom José Ronaldo, por outras 33 paróquias de 20 municípios, e terá a difícil missão de regularizar a situação dos caixas da instituição.

Além do papel de administrador, dom Paulo Mendes Peixoto será, também, o visitador apostólico, tomando notas a respeito da administração e definindo mudanças administrativas. “Sua Excelência Dom Paulo Mendes convida a todos, o Clero e a comunidade diocesana de Formosa, a unirem-se em torno de Cristo, Pastor dos Pastores”, conclui o texto.

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