Publicidade

Correio Braziliense

Bispo dom José presta depoimento no Ministério Público de Formosa

O monsenhor Epitácio Santana e o padre Thiago Wenceslau também foram convocados a prestar esclarecimentos sobre a investigação


postado em 22/03/2018 09:30 / atualizado em 22/03/2018 14:04

Ver galeria . 5 Fotos Dom José Ronaldo RibeiroMinervino Junior/CB/D.A.Press
Dom José Ronaldo Ribeiro (foto: Minervino Junior/CB/D.A.Press )

Os depoimentos dos sacerdotes presos acusados de participar do esquema de desvio de dinheiro de paróquias em Formosa continuam. Escoltado por agentes penitenciários armados, o bispo dom José Ronaldo Ribeiro deixou o presídio estadual de Formosa (GO) na manhã desta quinta-feira (22/3) para depor no Ministério Público da cidade. O religioso chegou ao local em um camburão fechado vestindo camisa branca e calça preta, sem algemas.  
 
Também foram convocados para prestar esclarecimentos o monsenhor Epitácio Santana e o padre Thiago Wenceslau. Com o depoimento marcado para as 8h, os religiosos chegaram ao MP de Formosa com quase uma hora de atraso. Eles são suspeitos de desviar mais de R$ 2 milhões dos templos goianos. O dinheiro vinha de dízimos, ofertas, eventos e casamentos realizados pela igreja.
 
Os advogados do religioso tentaram impedir que o fotógrafo do Correio fizesse imagens, organizando uma barreira entre o camburão e a entrada do prédio onde ele será ouvido. A defesa afirmou que só falaria com a imprensa após a oitiva. O arcebispo de Uberaba, dom Paulo Mendes Peixoto, deve assumir a administração da diocese de Formosa (GO) nesta quinta-feira.
 
 
 
Terça-feira (20/3) e quarta-feira (21/3), promotores ouviram os  padres Mário Vieira de Brito, Waldoson José de Melo e Moacyr Santana; o secretário da Cúria de Formosa, Guilherme Frederico Magalhães; e os empresários Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa Augusto. Todos estão presos desde segunda-feira, quando o Ministério Público (MPGO) e a Polícia Civil de Goiás desencadearam a Operação Caifás, fruto de investigação iniciada em dezembro. 

 
Depoimentos 

Contradições, incoerências e inconsistências marcaram os primeiros depoimentos dos seis primeiros acusados escutados pelos promotores, de acordo com o promotor Douglas Chegury, do MPGO. “Os padres lembravam de diversos detalhes sobre os investimentos, mas quando eram questionados sobre algo que os poderia comprometer, diziam ter esquecido”, ressaltou.  
 
Os promotores ainda não conseguiram analisar toda documentação apreendida, nem o valor dos bens adquiridos pelos religiosos. Até o momento, eles teriam em posse uma fazenda de gado em Formosa, uma lotérica em Posse (GO), duas caminhonetes, joias e moedas estrangeiras e nacionais. Os itens estão avaliados em ao menos R$ 1,4 milhões.  
 
Nessa quarta, Bruno Opa, um dos advogados responsáveis por defender o grupo afirmou que todos os gastos serão justificados. Sobre os bens adquiridos pelos religiosos e o dinheiro apreendido na casa de alguns deles, Opa respondeu que "tudo é fruto de um árduo trabalho dos padres".  
 
O MPGO tem até sexta-feira (23/3) para aumentar o prazo da prisão dos suspeitos. A Justiça de Goiás expediu mandados temporários contra os nove acusados, válidos por cinco dias. Eles podem ser renovados por tempo igual. No entanto, os promotores pretendem oferecer a denúncia contra o grupo até o fim da semana e pedir a conversão das prisões em preventivas, que não têm prazo para terminar.  
 

Novo bispo 

Ainda na quarta, o Vaticano emitiu uma nota nomeando o arcebispo dom Paulo Mendes Peixoto como administrador da diocese de Formosa. A ordem partiu do Papa Francisco. O novo chefe da casa nasceu em Uberaba e é especialista em direito canônico pelo Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro.  
 
Francisco manteve dom José Ronaldo como chefe da Igreja Católica na região, composta por 20 cidades goianas e 33 igrejas. Porém, dom Paulo Mendes Peixoto administrará a diocese na ausência do bispo preso ou até que o Vaticano denomine um novo sacerdote para ocupar o cargo vago. 
 
Dom Paulo Mendes enviou, na terça, uma mensagem de áudio aos fiéis de Formosa. Na gravação, ele se mostra preocupado com os “desafios que enfrentará”, mas também otimista, e diz que quer levar “esperança e confiança”. “Nesse dia, 21 de março, o Papa Francisco me nomeou administrador apostólico da diocese de Formosa, no estado de Goiás. Fico feliz pela confiança, mas, ao mesmo tempo, preocupado com os desafios que, certamente terei que enfrentar. Ainda não conheço nada daquela realidade, a não ser o que tem sido transmitido pelos meios de comunicação”, afirmou. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade