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Correio Braziliense

Bispo acusado de desvio milionário em Formosa convoca papa como testemunha

O bispo dom José Ronaldo, preso preventivamente na Operação Caifás, em março, tem recebido apoio da Igreja Católica desde a sua soltura; Ministério Público o acusa de desvio de dízimo


postado em 09/05/2018 20:42 / atualizado em 09/05/2018 20:48

Bispos e padres também estão na lista das testemunhas(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Bispos e padres também estão na lista das testemunhas (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Dom José Ronaldo, bispo de Formosa (GO) investigado por suspeita de desviar o dízimo de fiéis, apelou até para o papa Francisco na tentativa de provar a inocência. Jorge Mario Bergoglio - nome civil de Francisco - está entre as 31 testemunhas arroladas pela defesa para prestar depoimento. Inclusive com o endereço do Vaticano, na Itália.
 
Além do papa, a defesa de José Ronaldo convocou um exército de fé. São homens como o cardeal João Braz de Aviz, membro da Cúria Romana no Vaticano que chegou a visitá-lo enquanto estava preso. Vários representantes da Arquidiocese de Brasília estão na lista. É o caso de dom Marcony, bispo auxiliar de Brasília, e dom José Aparecido Gonçalves de Almeida, bispo da Arquidiocese de Brasília. O núncio Giovanni D’aniello foi arrolado. Párocos de igrejas da administração do bispado de Formosa como Marcelo Victor Mendonça Silva também estão convocados. 

Dom José Ronaldo tem recebido amplo apoio da Igreja Católica desde a soltura. Na última semana, uma carta de João Evangelista Martins Terra, bispo emérito de Brasília, defendeu José Ronaldo e fez duras críticas ao trabalho do Ministério Público e do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. A Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), por meio de seu presidente, o juiz Wilton Müller Salomão, repudiou o conteúdo da carta. 

Entenda o caso


O bispo dom José Ronaldo Ribeiro, quatro padres e o vigário-geral de Formosa são investigados por um prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres da Igreja Católica em Formosa (GO), segundo apontam as investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO). O dinheiro de dízimos, doações e de taxas de celebrações foi usado na compra de uma fazenda de gado e uma casa lotérica, entre outros bens, de acordo com as denúncias de fiéis e de padres que não faziam parte do esquema.

Policiais civis e militares prenderam o bispo, cinco padres, dois empresários e um funcionário da Cúria durante a Operação Caifás, deflagrada em março deste ano. Na casa do monsenhor, apreenderam dinheiro escondido no fundo falso do guarda-roupa, além de dezenas de relógios e aparelhos eletrônicos e importados.

As investigações começaram em 2015. No ano passado, fiéis denunciaram ao MPGO que as despesas da casa episcopal de Formosa, onde o bispo mora, passaram de R$ 5 mil para R$ 35 mil. Todos negam o envolvimento no esquema.

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