Publicidade

Correio Braziliense

Bombeiros trabalham na retirada de painéis luminosos do Setor Bancário

A estrutura publicitária pertence ao site Metrópoles, de propriedade do senador cassado e empresário Luiz Estevão. A veiculação de anúncios nas fachadas de prédios no local é proibida


postado em 04/06/2018 12:15 / atualizado em 04/06/2018 15:42

Ver galeria . 4 Fotos Marcelo FerreiraCBD.A Press
(foto: Marcelo FerreiraCBD.A Press )
 

Seis bombeiros trabalham na retirada de painéis publicitários instalados na fachada de um dos edifícios do Setor Bancário Sul (SBS). Além disso, uma outra equipe fica no estacionamento em frente ao local. Assim que as placas são retiradas, os bombeiros içam os objetos com o auxílio de cordas. Até as 12h desta segunda-feira (4/6), 27 placas haviam sido removidas da estrutura do prédio.

Também participam agentes da Agência de Fiscalização do DF (Agefis). Para facilitar o trabalho, o Departamento de Trânsito e a Polícia Militar interditaram uma área ao redor do edifício.

A remoção do painel luminoso, de 171 peças, tem como base a Lei nº 3.035/2002, que determina a instalação nos lotes edificados das entrequadras norte e sul, bem como dos setores de Administração Federal, Autarquias, Bancário, Comercial e Hoteleiro apenas de estruturas com a identificação dos edifícios e dos órgãos e empresas que funcionam no local. A veiculação de anúncios nas fachadas é proibida.
 
Essa determinação consta do Plano Diretor de Publicidade da área tombada e embasa uma investigação em curso no Ministério Público do Distrito Federal, que abriu procedimento para analisar a legalidade do painel. Um parecer técnico elaborado por duas arquitetas em março atestou que “o tipo de propaganda veiculado não se restringe ao estipulado na lei”.

A estrutura publicitária pertence ao site Metrópoles, de propriedade do senador cassado e empresário Luiz Estevão, que cumpre pena de 26 anos de prisão na Papuda. O aparelho luminoso de propaganda foi instalado no Edifício Marita Martins — nome da mãe de criação do ex-parlamentar.

No total, seis painéis devem ser retirados, mas o cronograma é sigiloso. Até agora, só foi possível retirar um por completo: uma estrutura de lona, da empresa Embratel. Além de não ter licença para instalar o engenho publicitário no local, a companhia descumpriu notificação anterior, e a publicidade ainda obstruía janelas.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU-DF), o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB-DF) e o Movimento Urbanistas por Brasília (UpBsB) divulgaram uma nota conjunta se posicionando sobre a retirada das peças publicitárias. "Somos a favor da imprensa livre e da manifestação total e irrestrita de opiniões, mas o direito particular não deve se sobrepor a prerrogativas sociais. A instalação de painéis nas empenas dos edifícios na Asa Sul usurpa tais prerrogativas e deturpa os entendimentos da lei", afirmam em um trecho da nota (leia íntegra abaixo). 

 
Nota conjunta do CAU-DF, IAB-DF e UpBsB

"O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF) e o Movimento Urbanistas por Brasília (UpBsB) vêm a público colocar seu entendimento conjunto a respeito da recente polêmica acerca da retirada dos painéis publicitários instalados nas empenas de diversos edifícios em Brasília.

'Arquitetura da persuasão.' Assim Robert Venturi, no livro Aprendendo com Las Vegas, explica o início e o crescimento de propagandas em supermercados, lojas até chegar nas ruas da cidade. 

A poluição visual de Las Vegas tem conexão com seu desenvolvimento, com sua história e faz sentido dentro da dinâmica da cidade. Times Square e seus luminosos de alta definição refletem seu poderio econômico e expõem além de propaganda, dados do mercado financeiro. Qual a relação desses luminosos urbanos com Brasília? Quase nenhuma! 

Quase... 

Nova Iorque e Las Vegas têm regras claras de proliferação de propaganda em empenas, edifícios e 'outdoors'. Lá, assim como aqui, não é possível colocar propaganda em áreas não previstas em lei. 

O Setor de Diversões Norte, conhecido como Conjunto Nacional e o Setor de Diversões Sul, conhecido como CONIC foram espaços criados com esse intuito. Lucio Costa previu a utilização de grandes letreiros luminosos nas fachadas destes edifícios, trazendo um pouco da estética do exagero e do excesso à comportada Brasília. Esse controle tem o intuito simples e objetivo de proteger a sociedade da poluição visual causada pelo excesso de veiculação comercial em áreas urbanas.

Em Brasília a Lei no. 3.035/2002 do Plano Diretor de Publicidade Lei, regulamentada pelo decreto no. 28.134/2007 explica como a propaganda pode ocorrer. A Agência de Fiscalização do Distrito Federal (AGEFIS) está desde sábado fazendo cumprir a lei que impede a fixação de propaganda tal qual ocorre no Setor Comercial Sul e Setor Bancário Sul. Vimos, portanto, através deste documento, manifestar o apoio à ação fiscalizadora e ordenadora da Agência e corroborar com ações que mantenham a integridade urbanística desta cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Ressaltamos que nada temos contra os anúncios publicitários, contanto que atendam à legislação existente e que sejam observados parâmetros mínimos de civilidade para que a poluição visual não seja naturalizada e se torne regra de conduta em nossa cidade.

O direito de comunicação, de veiculação e de manifestação de opinião deve atender à sociedade, principalmente quando estes ocorrem em espaços públicos. Somos a favor da imprensa livre e da manifestação total e irrestrita de opiniões, mas o direito particular não deve se sobrepor a prerrogativas sociais. A instalação de painéis nas empenas dos edifícios na Asa Sul usurpa tais prerrogativas e deturpa os entendimentos da lei.

O título de Patrimônio Cultural da Humanidade impõe a Brasília um condicionante adicional ao seu planejamento, desenvolvimento e gestão: assegurar a integridade das características que conferem tal distinção. As disputas políticas menores e subterrâneas, em especial as que tem por pano de fundo as efemeridades do período eleitoral, devem passar ao largo dos princípios estruturantes que formam na sociedade sua consciência de cidadania, neste caso, sua formação cultural."
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade