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Correio Braziliense

PM que atirou em homem na faixa de pedestre responderá por homicídio

Rubens Pereira do Nascimento atirou em um casal que atravessava a faixa com os filhos, em 27 de maio, em Planaltina. A mulher ficou ferida e o homem morreu. Rubens é policial militar da reserva e tem porte de arma


postado em 07/06/2018 18:45 / atualizado em 07/06/2018 21:22

Jean Ferreira morreu na noite de quarta-feira (6/6), após passar 11 dias na UTI(foto: Fabiano Nery/Divulgação)
Jean Ferreira morreu na noite de quarta-feira (6/6), após passar 11 dias na UTI (foto: Fabiano Nery/Divulgação)
O policial militar aposentado Rubens Pereira do Nascimento, 52 anos, será indiciado pelo homicídio do jardineiro Francisco Jean Ferreira, 39, e pela tentativa de matar a mulher dele, Gabriele Alves de Lima, 26. O servidor é suspeito de atirar na cabeça e joelho das vítimas, respectivamente, após uma briga de trânsito, em 27 de maio, em Planaltina. Rubens teria avançado na faixa de pedestre no instante em que o casal atravessa com os filhos e Jean reclamou. A 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) investiga o caso.

Jean Ferreira permaneceu 11 dias internado em estado grave na UTI do Hospital de Base, depois de ser atingido com um tiro na cabeça. Ele morreu na noite de quarta-feira (6/6). A dona de casa Gabriele passou seis dias no Hospital Regional de Planaltina (HRP), se recuperando da lesão no joelho. A jovem recebeu alta em 1º de junho, está com a perna enfaixada e anda com a ajuda de muletas. A arma usada no crime foi uma pistola calibre .380, artefato particular de Rubens, que tem o porte.

Segundo o delegado Pedro Moraes, chefe da 31ª DP, a corporação não pediu o indiciamento do militar porque agentes ainda investigavam o que poderia ter ocorrido no dia da briga. “Tínhamos quatro versões sobre o caso, sendo que duas eram mais verossímeis, que eram a narração do policial e da Gabriele. Como ele também veio até a delegacia por vontade própria entregar a arma, não quisemos ser precipitados”, esclarece. 

Como a versão de Gabriele ganhou força contra a história de Rubens, o delegado o indiciará e não descarta a possibilidade de pedir a prisão preventiva do militar da reserva. “Há algumas lacunas para serem preenchidas, mas nossos agentes estão trabalhando nisso. Tudo será avaliado e, se necessário, haverá a prisão de Rubens e um pedido para cassar o porte de arma de fogo dele”, destaca Pedro Moraes. 
 
Procurados pelo Correio, a Polícia Militar do Distrito Federal afirmou, em nota, que só irá se manifestar quando as investigações terminarem. "Por ser um policial da reserva remunerada, ou seja, já aposentado, as investigações estão sob a tutela da Polícia Civil", completou a corporação. 

Discussão de trânsito

Gabriele relatou ao Correio que a família atravessava a faixa de pedestres quando Rubens passou direto, em uma moto. “Meu marido falou para que ele respeitasse a faixa e, nesse momento, Rubens voltou na contramão para discutir. Os dois se xingaram e, depois, começou a luta corporal. Eu estava um pouco mais afastada, gritando e tentando proteger meus filhos”, conta a jovem.

“Em meio À briga, o Rubens sacou a arma e acredito que, acidentalmente, atirou. O disparo pegou no meu joelho. Mas o segundo tiro foi proposital, ele apontou a arma para a cabeça do Jean, como se realmente quisesse matá-lo”, assegura.

Após o homem cair no chão desacordado, o filho do casal, de 4 anos, começou a gritar para que alguém chamasse a Polícia Militar. “Só não sabíamos que a polícia já estava ali, mas não nos protegendo. Sei que nem todos os policiais são ruins, é esse homem que é desequilibrado e não deveria estar solto”, afirma Gabriele, revoltada. 

Segundo a amiga da família Mirna Echeverria, 34, o filho mais novo do casal ainda lembra o que ocorreu e desenha a cena em que o pai foi baleado. “Nós ainda não tivemos coragem de contar para ele, mas teremos de fazer isso. A única que sabe é a mais velha, de 9 anos, que está sofrendo muito. Quando ela soube, ontem à noite, chorou tanto que foi de partir o coração”, expõe. 

Um homem exemplar

Jean e Gabriele estavam casados há 8 anos e, juntos, têm um filho. Quando o casal se conheceu, a mulher já tinha uma filha. “Ele cuidava dela como se fosse filha dele mesmo, não fazia nenhuma distinção. O Jean era o nosso protetor”, diz a Gabriele. 

Mirna acredita que o senso de proteção de Jean pode ter sido crucial para que ele entrasse em luta corporal. “Ele não queria que ninguém tocasse ou fizesse mal para a família dele. O Jean era assim, muito protetor. É isso o que digo todos os dias para a Gabriele”, diz. 

“Ele era um homem maravilhoso, uma pessoa realmente muito boa, em todos os aspectos, tanto quanto pai, como marido e amigo. Era responsável com tudo o que fazia, não deixava nada de lado. Minha admiração por ele jamais morrerá”, finaliza. 

Jean também é lembrado pelos trabalhos sociais que desenvolvia na comunidade skatista da cidade. Antes de ser morto, o jardineiro organizava uma competição da modalidade em uma pista de Planaltina. O amigo Fabiano Nery, 28, decidiu manter o evento, previsto para julho. 

“Vamos manter em homenagem ao Jean, que sempre se dedicou ao skate e ao trabalho social. Não queremos que ele seja esquecido, mas, sim, lembrado por tudo o que fez”, diz. 

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