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Correio Braziliense

Moradores do Noroeste cobram solução para problemas de infraestrutura

Projetado para ser um bairro ecológico, o setor convive com invasões de catadores de lixo e problemas de infraestrutura enquanto o Parque Burle Marx não sai do papel. Os moradores da região cobram uma solução para a ocupação irregular


postado em 11/07/2018 06:00 / atualizado em 10/07/2018 23:31

Do entulho à insegurança; moradores do Noroeste enfrentam problemas de infraestrutura(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
Do entulho à insegurança; moradores do Noroeste enfrentam problemas de infraestrutura (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

Nos projetos iniciais do Noroeste, o verde predominava ao redor dos prédios. Cenário diferente do atual, em que terra, poeira e entulho tomam as áreas que deveriam ser ecológicas. Por diversas vezes, o problema parece começar a ser resolvido, com ações como a retirada de catadores de recicláveis do local, mas as soluções duram pouco tempo, pois a área desocupada pela Agefis volta a receber famílias que aproveitam os descartes irregulares de lixo e entulho. 

A missão de implantar ali uma área verde é antiga. Foi ainda na década de 1990 que começaram os primeiros projetos do Parque de Uso Múltiplo Burle Marx (veja quadro). Com a inauguração do primeiro prédio do Noroeste, em 2012, a necessidade cresceu, mas também aumentou a quantidade de problemas a serem resolvidos. Um dos principais é a preservação dos terrenos onde são descartados lixos, situação enfrentada por órgãos como a Companhia Imobiliária de Brasília, a Terracap.

“A Agefis, em conjunto com a Secretaria Adjunta de Desenvolvimento Social, realizou diversas operações para retiradas das famílias de catadores do local. Com a definição e o cercamento da área para a comunidade indígena, a expectativa é de que as famílias de catadores não mais regressem”, destaca a assessoria da Terracap. O Correio visitou a área, ontem, e presenciou grandes quantidades de lixo e catadores na região.

Quem mora perto, acostumou-se com o vaivém dos entulhos. É o caso da moradora da quadra 107, Christiane Ramires, 31 anos, que se incomoda com os descartes, mas enxerga nas ações governamentais uma falta de estudo e organização: “De certa forma, entendo os catadores, eles estão aqui há muito tempo e enquanto não tiverem uma certa estrutura, em outro local, não vão sair. Não adianta só tirá-los daqui e levar para outro lugar e pronto. As ações parecem ser feitas sem planejamento a longo prazo, pensando só na solução momentânea, aí, as pessoas voltam mesmo”, comenta.

Por outro lado, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) diz que realiza ações pontuais, mas também atua para que os catadores não voltem a ocupar as áreas irregulares: “A remoção de lixo e entulho é realizada quinzenalmente nos pontos críticos do Noroeste, e os fiscais também trabalham de forma preventiva sensibilizando e alertando os usuários do local. Ainda há multas para casos de flagrante ou quando é possível identificar o infrator, que variam entre R$ 81 e R$ 203 mil, dependendo do local, da quantidade e do tipo de resíduo descartado”.

Mas além da poluição — física e visual — causada pelos descartes, a segurança da área também preocupa os habitantes. Locais escuros e frequentados por moradores em situação de rua preocupam pessoas, como Fábio Marcelo Depiné, 38 anos. O residente da 108 lembra que uma das dificuldades enfrentadas ocorre por conta da delimitação da área indígena, citada pela Terracap: “A questão dos índios implica segurança do Noroeste, porque essa área deles pode funcionar como refúgio a foras da lei, visto que lá só entra a Polícia Federal”, comenta.

Reserva indígena


(foto: Ed Alves/Esp. CB/D.A Press - 4/11/11)
(foto: Ed Alves/Esp. CB/D.A Press - 4/11/11)

Antes da construção dos prédios do bairro, o Noroeste abrigava famílias indígenas, como os da etnia fulni-ô tapuya, que consideram o setor um santuário sagrado da tribo. Mas o reconhecimento só veio após acordo proposto pelo Ministério Público Federal, em 29 de junho, quando a área de 32 mil hectares —  razão de disputas judiciais que duraram mais de 10 anos (foto) — foi reconhecida como patrimônio dos fulni-ô tapuya.



O projeto


Planejamento do Parque Burle Marx

A obra que não saiu efetivamente do papel está divida em três etapas, de acordo com a Terracap:

Etapa I - Conclusão das obras de pavimentação e construção de estacionamentos. A licitação foi suspensa pelo TCDF e depende de liberação pelo plenário da corte.

Etapa II - Cercamento da poligonal de todo o parque — Concorrência 5/2018, com data de abertura para habilitação das empresas marcadas para hoje.

Etapa III - Construção de dois complexos de esporte e lazer no interior do parque. Os orçamentos estão sendo finalizados para lançamento do edital de licitação.

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