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Correio Braziliense

Em debate, candidatos falam sobre primeiro dia de mandato

Durante a maior parte do tempo do debate, realizado a 10 dias das eleições, candidatos se dedicaram a criticar concorrentes e rebater acusações


postado em 29/09/2018 00:00 / atualizado em 29/09/2018 01:01

(foto: GDF/Divulgação)
(foto: GDF/Divulgação)


Em um encontro dominado pela apresentação de propostas para o primeiro dia de um eventual mandato, sete dos 11 candidatos ao governo do Distrito Federal se enfrentaram, nesta sexta-feira (28/9), em mais um debate eleitoral. Organizado pela TV Record Brasília e com 1h45 de duração, o evento, realizado no Museu da República, começou com trocas de ataques. Alberto Fraga (DEM) abriu a fase de perguntas diretas questionando o líder nas pesquisas, Ibaneis Rocha (MDB), sobre acusações contra ele na Justiça. “Você é muito habilidoso. Não é à toa que ficou rico com advocacia”, disse Fraga. Em resposta, Ibaneis disse estar “extremamente tranquilo” e sustentou que apenas defendeu servidores.

O emedebista desafiou Fátima Sousa (PSol) a expor um bom modelo de saúde pública para o DF e ouviu críticas ao governo federal: “Não adianta você querer que eu dê aula de saúde aqui, se o seu governo (Temer) é que está impedindo o progresso do SUS (Sistema Único de Saúde).” Na réplica, Ibaneis prometeu solucionar os problemas do setor com o envolvimento dos servidores e a elaboração de políticas públicas de qualidade. Após criticar novamente a bancada do MDB, a socialista prometeu priorizar a prisão preventiva de candidatos investigados pela Justiça nos primeiros 100 dias de governo.

Eliana Pedrosa (Pros), que perdeu a dianteira na pesquisa Datafolha divulgada horas antes do encontro, comentou sobre a construção de dois novos estádios, em resposta a pergunta de Rodrigo Rollemberg (PSB). A candidata manifestou essa intenção em entrevista, há duas semanas, e aproveitou para trocar o termo “estádio” por “campo de futebol”. “Estádio virou palavrão, de tão caro que ficou o Mané Garrincha”, disparou, para depois acusar o governador de não entregar nenhuma obra prometida nos quatro anos de mandato.

Em fala direcionada a Júlio Miragaya (PT), Rogério Rosso (PSD) questionou a ideologia de gênero nas escolas. O petista enfatizou a necessidade de respeito às mulheres e à comunidade LGBT. “Necessitamos de pensamento crítico. As crianças têm de abrir a cabeça para a realidade do nosso mundo.” Rosso replicou defendendo “a família cristã tradicional” e os “princípios cristãos”. Miragaya rebateu dizendo que não há incompatibilidades entre a criança cristã e a defesa dos direitos das mulheres e LGBTs.

O petista encerrou o bloco pedindo a Fraga propostas para inclusão social. O candidato do DEM defendeu o fomento da cidade digital e a implementação de parques tecnológicos. Também destacou a importância do incentivo ao empreendedorismo entre os jovens e do investimento em cursos técnicos. “Temos de avançar e insistir no primeiro emprego para o jovem. Precisamos investir nessa formação (técnica), para que ele saia pronto para o mercado de trabalho.”

Propostas específicas


No segundo bloco, dedicado a propostas para áreas específicas, Eliana Pedrosa foi questionada sobre os planos para melhorar a educação e prometeu um decreto para o primeiro dia de mandato determinando a integração de todos os órgãos públicos para melhora das instituições de ensino públicas. Ela ainda afirmou que implantará escolas em tempo integral e que garantirá a reabertura de delegacias e o monitoramento de presos durante os saidões. “Hoje, a cada saidão, as pessoas se trancam em casa, morrendo de medo”, completou.

Respondendo à candidata do Pros sobre o desemprego no DF, Rodrigo Rollemberg afirmou que investirá o dinheiro economizado com combate à corrupção na geração de postos de trabalho. Ele aproveitou para criticar o apoio de Eliana Pedrosa à gestão de José Roberto Arruda. “Os piores indicadores da educação foram no governo dele, que a senhora apoiou”, acusou Rollemberg.

O governador perguntou a Fátima Sousa sobre a desobstrução da Orla do Lago Paranoá. A socialista disse aprovar a medida, mas considerou que Rollemberg deveria ter a mesma agilidade para entregar as escrituras de moradores de cidades como Sol Nascente e Estrutural. “O que falta é um plano real de investimento com prioridade em moradia para todos. Não podemos deixar pessoas sem condições de dormir”, critco Fátima.

Acusado pela candidata do PSol de não dar atenção aos profissionais da saúde, Rosso afirmou que o primeiro ato do governo dela será a extinção do Instituto Hospital de Base. “Minha proposta é simples: reforço da atenção primária. Estamos com deficit de 1,2 mil agentes comunitários de saúde.” Ele também declarou que manterá o futuro secretário de Saúde nas ruas para “vivenciar problemas das pessoas”. “Faremos um modelo de combate. O secretário que ficar em gabinete, eu demito, porque o lugar dele é dentro do hospital. Gabinete é burocracia, ar-condicionado e fofoca”, criticou.

Miragaya protagonizou um confronto sobre economia com o líder nas pesquisas, a quem acusou de apresentar dados incorretos na campanha. “Você não conhece nada da economia do DF. Desconhece nossa realidade e quer ser governador. Você deveria aceitar o convite e ir para o Piauí”, atacou, mencionando o estado de origem do concorrente.

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