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Correio Braziliense

Moradores da Octogonal fazem ato pela paz depois de agressão de criança

Os manifestantes pedem paz e tranquilidade no condomínio em que um casal adulto agrediu uma criança no domingo passado


postado em 16/12/2018 18:21 / atualizado em 03/01/2019 15:43

Ver galeria . 9 Fotos Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

Moradores do condomínio da Octogonal 4 (AOS 4), onde um casal agrediu um menino de 6 anos no dia 9, participam de manifestação com pedidos de paz no espaço na tarde deste domingo (16/12). O caso, que ganhou repercussão nacional, gerou medo entre as crianças e adolescentes que costumavam brincar na quadra esportiva e os afastou da área comum. "É uma forma mais lúdica de ver. É um acontecimento tão triste se transformando num ato de amor", diz a tia do garoto agredido, Jucinea Nascimento, 43 anos.

Foi a primeira vez que o garoto desceu para brincar depois da agressão. "Eu me sinto aliviada porque foi uma semana muito difícil para mim e para o meu sobrinho. Queremos deixar esse fato para trás e deixar que as autoridades façam seu trabalho. O mais importante é ver o meu sobrinho acolhido. A quadra mostrou para ele  hoje que o problema não era ele."



Incentivados pelos pais, diversas crianças de várias idades brincavam na quadra antes do início do protesto. Vestidos de branco, os adultos penduraram cartolinas, alguns deles desenhados pelas próprias crianças, com dizeres como "aqui os grandes respeitam os pequenos", além das paz, amor e gentileza nos alambrados. Balões brancos foram soltos pelas crianças no local.

Moradora do condomínio há quatro anos, a enfermeira Renata Marques, 40, diz que a intenção do ato é mostrar às crianças que o ambiente continua aberto para elas. "Quando a gente mora em um condomínio assim, busca tranquilidade e ter uma família com os vizinhos. Esse fato fugiu de tudo que a gente acredita. Então, nosso ato é para mostrar para as nossas crianças que tudo continua igual. Passar a mensagem que o importante é a união."

Para a moradora Luana Gonçalves, 37, a manifestação deste domingo é um recomeço para a comunidade. "A ideia é resgatar o que nos foi tirado: paz, segurança, respeito. Todos nós fomos afetados", acredita. "Não é daquela maneira que se educa ninguém."

Relembre o caso


As agressões aconteceram na tarde do domingo (9) quando crianças jogavam bola na quadra esportiva localizada no meio do condomínio. Imagens das câmeras de segurança mostram que o filho do casal tropeçou sozinho, caiu e bateu de boca no chão enquanto brincava com o menino agredido. O garoto sai da quadra e volta, minutos depois, acompanhado pelo pai. 

Nervoso, o homem segura a criança e manda que o filho bata no rosto do colega. Logo depois, a mãe, também alterada, chega ao local e empurra o menino agredido, que cai no chão. As outras crianças que estavam na quadra ficaram acuadas e foram para perto dos alambrados. É possível ver algumas delas chorando nas imagens. 

Cena flagrada pela câmera de segurança mostra casal agredindo criança(foto: Reprodução/Internet)
Cena flagrada pela câmera de segurança mostra casal agredindo criança (foto: Reprodução/Internet)


O casal de agressores não mora no condomínio. Eles passavam o dia na casa dos avós maternos e desceram, depois ver o filho com os ferimentos na boca, eles acreditavam que a criança havia sido agredida pelo colega. Por meio de nota, o advogado do casal afirmou que os clientes estão arrependidos.

O menino que sofreu a agressão não mora no condíminio. Morador de Feira de Santana (BA), ele passava férias com a irmã de 8 anos na casa da tia Jucinea Nascimento. A menina e o filho mais novo de Jucinea, de 9 anos, presenciaram o incidente. O garoto e a irmã deve voltar hoje para a cidade onde mora na Bahia. 

Uma assembleia será realizada na próxima quarta-feira para decidir quais medidas legais o condomínio tomará em relação aos agressões. Na semana passada, em reunião emergencial, foi levantada a ideia de uma ação de danos morais contra o caso por causa do abalo psicológico sofrido pelas crianças da comunidade. Outro ponto que será analisado é da suspensão da entrada do casal no condomínio para a proteção das crianças e adolescentes. “Tudo será decidido na assembleia de quarta, que é soberana”, disse o síndico do condomínio, Mauro Assunção de Camargo
   
O homem e a mulher, na esfera criminal, serão indiciados por lesão corporal, ameaça e possível constrangimento contra o filho. A Polícia Civil deve concluir o inquérito ainda nesta semana.

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