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Correio Braziliense

Morre personagem de matéria que lutou contra Alzheimer durante quatro anos

Mario Moura Palmeira, 84 anos, faleceu em casa, no Jardim Botânico, deitado na cama. Antes de fechar os olhos, perguntou da mulher, de quem nunca esqueceu, mesmo com estágio avançado da doença


postado em 18/12/2018 19:24

Seu Mário era paraibano e chegou em Brasília no fim da década de 1960. Ele foi casado com a mulher, Maria das Graças, por 48 anos(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Seu Mário era paraibano e chegou em Brasília no fim da década de 1960. Ele foi casado com a mulher, Maria das Graças, por 48 anos (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Aos 84 anos, depois de travar uma luta contra a doença de Alzheimer, Mario Moura Palmeira partiu. Morreu na tarde desta terça-feira (18/12), deitado na cama, em casa, no Jardim Botânico. Antes de fechar os olhos, perguntou por aquela que foi a sua companheira durante 48 anos: “Cadê a Graça?”, indagou seu Mario a cuidadora. Depois, deu dois suspiros e não acordou mais. 

Maria das Graças de Palmeira, 69 anos, cuidou do marido desde a descoberta do diagnóstico, em 2014. Sempre ao lado do companheiro, ela o conduziu até o último estágio da doença. Em setembro, no mês da Conscientização da Doença de Alzheimer, o casal recebeu a reportagem em casa. “O amor só cresce”, disse ela, na ocasião da matéria.

Nesta terça, Maria das Graças tinha saído para comprar uma cama mais confortável para o marido. Uma das noras de seu Mario, Lucilene Frazão dos Santos, 40, conta que ela ainda chegou a tempo de tentar socorrer o marido. “Ela (Graça) passou a mão na testa dele. Foi quando ele fechou os olhos”, relembra.

Há três dias Mario estava debilitado. Não queria mais comer. Na tarde desta terça, ele ainda se levantou e foi até a cozinha. “Pegou um biscoito, a cuidadora deu banho e ele deitou na cama. Ainda perguntou ‘cadê a Graça?’. A moça disse que ela já estava chegando. Minha sogra tinha ido comprar uma cama mais baixa, pois tinha medo dele cair”, explica Lucilene.

Para a família, ele pode ter tido um infarto. Mas Lucilene relembra que o Alzheimer estava avançado. “Domingo ele não me conheceu. Dependia muito do dia. Mas uma pessoa que ele nunca esqueceu foi a minha sogra”, ressalta.

Mario deixa a mulher, quatro filhos e sete netos. Até a noite desta terça, ainda não havia informação de velório e enterro. 

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