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Correio Braziliense

Amigos e familiares se despedem do ex-deputado Sigmaringa Seixas

O advogado e ex-parlamentar pelo PT não resistiu a complicações de um transplante de medula. O velório e o enterro ocorreram no Campo da Esperança da Asa Sul


postado em 26/12/2018 09:22 / atualizado em 26/12/2018 19:46

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O corpo do advogado e ex-deputado federal Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, que morreu no dia de Natal, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em decorrência de um câncer, foi velado e sepultado nesta quarta-feira (26/12), no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, em Brasília. O enterro ocorreu às 16h30, com a presença de amigos, familiares e várias autoridades, incluindo o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Um dos primeiros a chegar ao velório, ainda às 8h30, o político e magistrado Valmir Campelo, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), lamentou a perda do colega constituinte. “Nós representamos a primeira bancada de Brasília no Congresso. Ficamos muito tristes, vários já se foram. Éramos 11 agora restam cinco”, comentou.

Ver galeria . 14 Fotos Marina Luce de Carvalho, viúva de Sigmaringa SeixasEd Alves/Cb/D.A Press
Marina Luce de Carvalho, viúva de Sigmaringa Seixas (foto: Ed Alves/Cb/D.A Press )


Campelo disse que, apesar de adversário político de Sig, como era chamado Sigmaringa Seixas pelos amigos, sempre nutriu uma forte amizade pelo colega. “Lutamos pela  representação política e pelo bem estar da comunidade. Apesar de termos sido adversários, de partidos diferentes, sempre fomos amigos. Jogávamos futebol juntos, de forma que a gente sempre teve uma amizade independentemente da sigla partidária”, afirmou.

Para Campelo, convidado pelo governo de Jair Bolsonaro, para assumir a estatal Valec, o caráter conciliador de Sigmaringa sempre será lembrado. “Política se faz com grandeza e não com agressões. Sigmaringa pregava isso, realmente transmitia tranquilidade, humildade e simplicidade. Foi um homem público capaz, correto, transparente e honesto. Ela vai, mas a saudade fica”, destacou.

Às 8h50, o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao cemitério para prestar homenagem. Para Toffoli, Sigmaringa Seixas teve “um papel extremamente relevante na redemocratização do Brasil, em especial para Brasília”. “É um sentimento de perda tanto para o país, quanto para Brasília, em especial, e também para mim, em particular, porque era um amigo”, afirmou.

Segundo Dias Toffoli, Sigmaringa Seixas teve um papel extremamente importante no processo constituinte porque foi dele a relatoria que garantiu a autonomia política do Distrito Federal. “Foi deputado constituinte e, depois da Constituição de 1988, sempre defendeu os melhores princípios, a luta pela liberdade e os melhores ideais”, afirmou.

“Sigmaringa foi sempre um conciliador e um construtor de pontes. Ele foi uma pessoa que quis criar a possibilidade de um Brasil melhor. É uma perda muito triste, muito sentida”, ressaltou o presidente do STF. “Meus sentimentos à família e aos amigos”, acrescentou.

Dias Toffoli teve uma relação pessoal com Sigmaringa. “Jogávamos futebol juntos, tínhamos um grupo de amigos. Ele jogava muito bem. É uma perda não só na política, mas na amizade também”, completou.

O político Jofran Frejat, colega constituinte de Sigmaringa, lembrou dos bons momentos com o amigo. "Eu era presidente da subcomissão da União, Distrito Federal e Territórios e ele, relator. Ali articulamos toda a perspectiva de ter eleição no DF e uma câmara distrital. Sempre conciliador mesmo com adversários políticos. Sempre procurando uma solução,  conversando. Não guardava ódio, não tinha raiva”, afirmou. Frejat ainda brincou: "Mas ficou me devendo um vinho. Tinha me convidado, mas acabou falecendo. E o  vinho não saiu. Ele vai tomar no céu".

 

"Perdemos um jovem", diz Ibaneis

O governador eleito do DF, Ibaneis Rocha, chegou ao velório por volta das 11h. Cumprimentou familiares e amigos e prestou homenagem a Sigmaringa. Ibaneis ressaltou as virtudes de advogado do ex-político. "Ele é de uma família de juristas. O pai dele foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, assim como eu. No meu caso pessoal, ele era um amigo. Sempre nas eleições da Ordem buscava aconselhamento e ele sempre tinha uma palavra boa. É uma perda para cidade", disse.

”Perdemos um jovem, porque Sig tinha um espírito jovem. É uma perda muito grande para todos. Neste momento, não tem esquerda, não tem direita. Não tem PT, nem MDB. Estamos perdendo um homem público da mais alta relevância. Brasília toda, neste momento, está em prantos pela perda deste grande homem que foi Sigmaringa Seixas”, disse o governador eleito do DF. 

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que Sigmaringa sempre foi um grande advogado. "Luiz Carlos sempre foi um grande amigo, um exemplo para a profissão. Sempre desprendido na busca da justiça. Nos momentos difíceis da vida nacional, teve presença marcante pelo amor à democracia e pelo amor à liberdade", assinalou. Para o ministro, a mensagem que deixa é de "um advogado verdadeiro e dedicado ao direito e à liberdade".

Algumas lideranças do PT também estiveram presentes no velório de Sigmaringa Seixas, entre eles Ricardo Berzoini. Para o petista, "Sig foi uma figura maravilhosa, sobretudo como pessoa humana, muito mais do que como profissional". "Um amigo sempre disponível, além de um militante político que foi exemplo para os trabalhadores", disse Berzoini.


O ministro do STF Março Aurélio Mello ressaltou a trajetória invejável de Sigmaringa. "Foi constituinte, teve mandatos de deputado federal e honrou a advocacia.  É uma perda para aqueles que o conheceram e o conheceram de perto. Era um resistente democrático e republicano", afirmou. Sigmaringa sempre resistiu aos convites para integrar o STF. Marco Aurélio comentou que ele dizia simplesmente não estar à altura da Suprema Corte. "Mas estava e infelizmente não a integrou. Lá teria prestado grande serviço com a independência de sempre", destacou. 

 

Legado e luta contra o câncer

Luiz Carlos Sigmaringa Seixas morreu ontem, aos 74 anos, após longa luta contra a leucemia. O ex-deputado federal pelo PT estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Há um mês, foi submetido a um transplante de medula, mas não resistiu a complicações do procedimento. 


Nascido em Niterói (RJ), Sigmaringa se formou em direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Na carreira política, foi deputado federal do DF também pelo então PMDB e pelo PSDB. Ele contribuiu na elaboração da Constituição.

Políticos e amigos lamentaram a morte e destacaram as qualidades de Sigmaringa. O ex-deputado tinha relações pessoais com representantes de diferentes correntes políticas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador José Serra (PSDB). No governo do petista, foi cotado para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu permanecer na advocacia.

O presidente da República, Michel Temer, deu os pêsames à família do ex-parlamentar. “Lamento imensamente a morte do grande advogado e homem público Sigmaringa Seixas, um lutador pela democracia brasileira. Meus sentimentos de pesar à família e aos amigos”, afirmou nas redes sociais.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, também mostrou pesar. Em nota, afirmou que a capital federal “chora e lamenta a morte de um dos maiores nomes de sua história”. “Sigmaringa, o querido Sig, construiu uma trajetória política ímpar na cidade, da banca de advocacia de sua família para a Câmara dos Deputados”.

Rollemberg se referiu a Sigmaringa como um defensor dos direitos humanos e destacou que o ex-deputado “se notabilizou na luta pela redemocratização do país e pelo direito do brasiliense de votar e eleger seus representantes para o governo e os parlamentares local e federal”.


Governador eleito do DF, Ibaneis Rocha frisou que a história de Sigmaringa se confunde com a de Brasília. “Em um momento decisivo para o DF e para o Brasil, ajudou a escrever a Constituição do país e desempenhou papel importante para a ampliação das liberdades civis e dos direitos e garantias fundamentais do cidadão”, disse.

Um “homem de bem” foi como o definiu o presidente do STF, ministro Dias Toffoli. “Sigmaringa Seixas tinha compromisso com a Justiça e o bem-estar social. Deixou sua marca como homem público, deputado constituinte e advogado primoroso, sempre pronto a lutar pelos direitos humanos, pela democracia e pela liberdade em nosso país, trabalhando com humildade pelo bem comum, sem buscar os holofotes”, ressaltou. “Entre as características de sua personalidade, estavam a discrição e a vocação para o outro. Um homem de bem! Uma grande perda para o direito, a advocacia e o Brasil.”

Maria Lúcia Sigmaringa disse que o ex-deputado era um segundo pai para ela e para os outros irmãos. “Com ele e meu pai, aprendi o que era solidariedade, amor ao próximo, a importância dos direitos humanos e tantas outras virtudes difíceis de se encontrar hoje em dia”, afirmou. “Como político, foi um conciliador, admirado mesmo por seus adversários.”

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