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Correio Braziliense

Investigação mira servidores do Planejamento e de cartório em golpes

Três pessoas foram presas suspeitas de participarem de quadrilha estelionatária que lucrou milhões roubando dados de servidores do ministério


postado em 09/01/2019 19:00 / atualizado em 09/01/2019 20:53

O grupo conseguiu emitir diversos documentos verdadeiros, mas com dados falsos(foto: Sarah Peres/Esp. Correio Braziliense)
O grupo conseguiu emitir diversos documentos verdadeiros, mas com dados falsos (foto: Sarah Peres/Esp. Correio Braziliense)
A polícia investiga se há envolvimento de servidores do Ministério do Planejamento no esquema criminoso que roubava dados de auditores fiscais do Sistema de Gestão de Pessoas (Sigipe), administrado pelo órgão federal. Também existe a possibilidade da participação de pessoas de cartórios que teriam emitido certidões de nascimento falsas para os três criminosos presos na operação. 

O caso vem sendo acompanhado pela polícia há um ano e meio. A quadrilha atuava em todo o país e é especializada em falsidade ideológica, falsidade documental, uso de documento falso, invasão de dispositivo informático, estelionato e lavagem de dinheiro. Trata-se de um desdobramento da Operação Hermes, que foi deflagrada em setembro de 2018. 
 
Frank Oliveira Garcia, 36, já estava preso desde setembro, pelo envolvimento no grupo criminoso desarticulado pela Hermes. O segundo envolvido, Ítalo Gomes Carneiro Lamounier, 37, foi preso em um apartamento de luxo em Águas Claras. Ele foi identificado na última operação, contudo, não acabou detido. O cumprimento do terceiro mandado de prisão preventiva aconteceu em um condomínio de Goiânia e Antônio Carlos da Silva Júnior, 38, acabou detido. 

A investigação ficou a cargo da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf). Conforme apuração, os prejuízos da organização passam de R$ 1,8 milhão, de acordo com a delegada Isabel Davila, coordenadora da Divisão de falsificação e defraudação (Difraudes). “Há indícios de que eles atuavam há muito tempo. Não se trata de um crime de estelionato qualquer, trata-se de um esquema perfeitamente articulado. Não conseguimos sequer mensurar o quanto eles faturaram, mas posso garantir que a cifra passa os milhões,” analisa. 
 

Esquema minucioso  

Os homens viviam com o dinheiro obtido por meio dos golpes. A polícia tenta identificar como eles invadiam o sistema de servidores do Ministério do Planejamento. Com os dados dos auditores, os criminosos falsificavam os documentos necessários para abrir uma conta bancária no nome da vítima. 
 
"O material era bastante convincente. Por isso, não havia suspeita por parte do banco. Descartamos que tenha a participação de alguém das instituições financeiras", acrescente a delegada. "Depois que eles conseguiam pegar os empréstimos consignados, deixavam essa conta de lado." 
 
O valor obtido com os bancos variavam de R$ 300 a R$ 500 mil. Após esta primeira fase, partia-se para um segundo trabalho, com a falsificação de novos documentos e a lavagem de dinheiro — diluído em outras contas bancárias e em empresas de fachada. 
 
Antônio e Frank têm diversos documentos verdadeiros com as fotos deles, mas com dados falsos — como nomes, data de nascimento etc. Eles emitiram nos órgãos responsáveis carteira de trabalho, certidão de casamento, identidade e CPF. Todos os materiais eram adquiridos por meio de certidão de nascimento.
 
"Estamos investigando se os dois homens tinham contato com pessoas de cartórios em outro estado. Eles não explicaram como obtinham as certidões de nascimento verdadeiras com dados fraudulentos. Portanto, não descartamos a participação de mais pessoas envolvidas neste esquema", explica a coordenadora. 
 
Os documentos foram emitidos em diversos locais, como Mato Grosso do Sul, Pará, Goiás, Pernambuco e São Paulo. Com os materiais, Antônio e Frank conseguiam abrir contas físicas e jurídicas para a lavagem de dinheiro. 
 
Italo participava do esquema de lavagem abrindo empresas. Constam negócios no ramo de nutrição esportiva, suplementos e roupa infantil. "Em outras sequer há o registro da área de atuação da empresa, servia apenas como fachada para diluir o dinheiro que era obtido nos golpes", esclarece a delegada da Difraudes. 

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