Publicidade

Correio Braziliense

Polícia avisa órgãos ambientais sobre invasão e investiga relação de pastor

Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente (Dema) apura se ocupação é um crime de parcelamento ou ambiental. Em paralelo, equipes fazem trabalho de inteligência para descobrir suposto envolvimento de religioso evangélico como apoiador do movimento


postado em 10/01/2019 15:24 / atualizado em 10/01/2019 17:09

Ocupação fica em área rural entre Itapoã e Paranoá(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Ocupação fica em área rural entre Itapoã e Paranoá (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Policiais civis investigam se a invasão no Núcleo Rural Córrego do Bálsamo, entre o Itapoã e o Paranoá, é um crime ambiental ou de parcelamento. A delegada-chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema), Marilisa Gomes da Silva, oficiou a antiga Agência de Fiscalização do DF (Agefis) e outros três órgãos ambientais para pedir informação sobre a área de conservação federal. Em paralelo, agentes fazem trabalho de inteligência para descobrir a relação do pastor de uma igreja do Itapoã como apoiador do movimento.
 
A investigadora enviou, ainda, um memorando ao Instituto de Criminalística (IC) para periciar o local. Mas, se o terreno for da União, a competência do caso será da Polícia Federal. Mesmo assim, a delegada procurou o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri) e a Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap).  

Na manhã desta quinta-feira (10/1), ocupantes continuavam no terreno. Alguns limpavam a frente dos barracos levantados. Outros, batiam estacas para seguir com as demarcações. Policiais militares chegaram a ir até o endereço. Ao menos cinco viaturas pararam em frente à ocupação, entre elas do Batalhão de Polícia Ambiental, mas não agiram para derrubada de nenhum barraco. Segundo os ocupantes, ao menos 1,2 mil pessoas estão inseridas no movimento.

Saída de grupos 

Um dia depois de o Correio mostrar como a ocupação está organizada, o pastor apontado como incentivador da ocupação deixou os grupos de comunicação da invasão criados em aplicativo de mensagem eletrônica. O maior deles, denominado Condomínio Terra Prometida, foi excluído. Ele tinha sido criado em 1º de janeiro e tinha 198 participantes.

O outro, com o nome de Amigos do Loteamento, ainda permanece com mais de 22 integrantes. Por meio dos contatos, ocupantes trocam informação de tudo o que acontece na área, inclusive da presença da reportagem na tarde de quarta-feira (9/1). “O Correio Braziliense está na área”, repassou um homem, em áudio.

A reportagem tentou contato com o religioso durante a manhã e a tarde desta quinta-feira (10/1), mas o número de telefone dele estava desligado. Na tarde de quarta-feira, no entanto, quando a equipe ainda estava na ocupação, ele orientou os ocupantes: “Tem de ter cuidado com os repórteres para saber o que eles querem. Se perguntarem se tem líder, é para dizer que não tem líder aí, não”, disse.

E continuou: “Se perguntar porque invadiram, é para dizer que aqui era um lixão, como vocês estão vendo aí, e a população está cansada de ver esse lixão aí. Além da luta pela moradia. Se quiser dar uma entrevista tem que dar uma entrevista coerente, para não falar besteira. Se não é melhor nem dar”, reforçou, por áudio.

Dinheiro de trator devolvido 

Os ocupantes pagaram de R$ 150 a R$ 200 para contratar um trator e abrir uma rua que dividiria os loteamentos. O pastor, no entanto, ficou de devolver o dinheiro após reportagem do Correio. O serviço dividiria os lotes.
 
Em conversa com a reportagem por telefone na quarta-feira, o religioso não se identificou. Negou que fosse representante dos ocupantes, disse que “é cada um por si ali” e contou: “Sou invasor como qualquer um. Tenho um lote lá. A invasão começou dia 28 de dezembro e o objetivo é ocupar aquela área para a gente que paga aluguel, para o pessoal que não tem moradia, e acabar com aquele lixão que todo mundo sabe quem joga entulho ali, tanto moradores da Asa Norte, da Asa Sul, quanto do Paranoá dos condomínios”, alegou.

O pastor ainda reclamou de os moradores citarem o nome dele. “Não sou responsável. A gente apenas sugeriu organizar aquilo ali para não ser um negócio bagunçado. Não tem liderança. Falam outros nomes também lá. Não é só o meu”, disse, sem comentar sobre outras identidades de supostos apoiadores.

Entenda o caso

Ao menos 250 pessoas invadiram uma área pública no Núcleo Rural Córrego do Bálsamo, entre o Itapoã e o Paranoá, no fim da gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB). Parte do grupo ocupou a unidade de conservação federal em 28 de dezembro, última sexta-feira de 2018. Chegou, limpou parte do terreno, demarcou lotes, ergueu barracos de lona e determinou o espaço de cada um. 

Mais gente se mudou para a área no último dia do ano. Desde então, aproximadamente 1,2 mil pessoas engrossam a ocupação ilegal, segundo estatística de quem está no movimento. Placas sinalizam a posse dos barracos com os nomes de quem chegou primeiro. Entre outros, trazem os dizeres “não entre”, “tem dono” e “não mecha” (sic), expostos em frente às demarcações. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade