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Correio Braziliense

Vítima de atropelamento na W3, Antônio Francisco morre em cirurgia

Antônio Francisco Moreira Neto, 59 anos, sofreu sete paradas cardíacas durante procedimento, complicação do traumatismo cranioencefálico causado no acidente


postado em 21/01/2019 23:19 / atualizado em 21/01/2019 23:36

Antônio Francisco Moreira Neto, 59 anos, foi atropelado por um motociclista na W3 Norte(foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Antônio Francisco Moreira Neto, 59 anos, foi atropelado por um motociclista na W3 Norte (foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Vítima de atropelamento na W3 Norte, Antônio Francisco Moreira Neto, 59 anos, morreu na noite desta segunda-feira (21/1). Segundo colegas da Universidade de Brasília, Antônio sofreu sete paradas cardíacas durante cirurgia, complicação do traumatismo cranioencefálico sofrido no acidente. O Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou a morte e deve buscar o corpo para o reconhecimento da família na noite desta segunda (21/1).

Antônio é recém-graduado de medicina veterinária pela Universidade de Brasília (UnB). Entretanto, morre sem pegar o diploma, que seria entregue em cerimônia na segunda quinzena de março. Este seria o quarto canudo dele, graduado em tecnologia em processo de dados pela Escola Superior de Estudos Empresárias e Informática, especializado em tecnologia para gestão de negócios pela União Pioneira de Integração Social, e mestre em artes pela UnB.

Caçula de quatro irmãos, Antônio Francisco focou os esforços para se projetar na vida profissional. A irmã Margareth Moreira, 62 anos, conta que foi com essa vontade de trabalhar em novos lugares que ele largou a família, em Curitiba, para vir a Brasília. A mudança se tornou viável após ser aprovado em um concurso interno na Caixa Econômica Federal, onde trabalha desde 1989, que promoveria alguns funcionários a um trabalho na capital federal, há 16 anos.

"A vida dele era direcionada para a parte intelectual. Adorava e se dedicava integralmente aos estudos. É uma característica da família", destaca Margareth. A família vem à capital federal em voo na manhã desta terça-feira (22/1) para o reconhecimento do corpo no IML.

Poesias e profissão


Antônio e os colegas de curso Jhonis Sousa e Mayara Rosa em trabalho no último semestre(foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Antônio e os colegas de curso Jhonis Sousa e Mayara Rosa em trabalho no último semestre (foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Antônio Francisco dedicava-se também à poesia, tendo vencido concursos literários. Ele conciliava o trabalho com as palavras com o de escriturário, recebendo destaque da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae) pelos feitos.

Aos 55 anos, decidiu colocar o curso de medicina veterinária na rotina, precisando se desdobrar para manter a produção em alto nível. "Ele pegava as matérias na faculdade, não perdia nada no trabalho, completou 2 mil horas de estágio em hospitais veterinários e ainda escrevia. Tudo isso sem reclamar, com um sorriso no rosto", relata o colega de curso Jhonis Sousa, 25 anos.

No último domingo, Antônio foi com os colegas a um rancho tirar as fotos para a formatura. "Ontem, conversando comigo na hora de tirar as fotos de formatura, ele disse que foi o aluno mais velho a ter registro na medicina veterinária da UnB. Vai ser muito triste não ter ele conosco na formatura", conta Jhonis.

Comoção

A Atlética Indomável, dos estudantes de medicina veterinária da UnB, postou uma nota nas redes sociais dizendo que Antônio era um "exemplo para todos nós da Veterinária UnB, um homem que estava sempre bem humorado, era um exemplo vivo de que vale a pena correr atrás dos seus sonhos, esforçado, dedicado e sempre com boas histórias pra quem tivesse um tempinho pra conhecê-lo."
 
Confira uma das poesias de Antônio Francisco Moreira Neto:
 
Todo amor é sagrado

Todo amor é sagrado
No meio de uma terra insensível e estéril
Todo sentimento e sacrilégio. Sortilégio.

Pulsando de paixão - até à loucura
A solidão por companhia
Lágrimas banham minha face

Meu coração contrito, confinado em si mesmo
Uma vontade de se consumir, morrer, sumir
No fim, um vazio

Se ao menos pudesse dizer:
Eu te amo
E, ao dizer,
Sentir um ecoar na tua alma! 
 
(Colaborou Bruna Lima - Especial para o Correio

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