Publicidade

Correio Braziliense

Motorista que matou diretora de hospital é psicopata, diz delegado

Gabriela Rebelo Cunha, diretora do Hospital Regional de Taguatinga, foi assassinada em 24 de outubro, mas o crime só foi desvendado agora. O assassino confesso se passou pela vítima nos últimos meses, enviando mensagens pelo WhatsApp dela


postado em 30/01/2019 16:19 / atualizado em 30/01/2019 16:19

Rafael movimentou cerca R$ 200 mil da servidora do HRT(foto: PCDF/Divulgação)
Rafael movimentou cerca R$ 200 mil da servidora do HRT (foto: PCDF/Divulgação)

O delegado-chefe da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS) da Polícia Civil do Distrito Federal, Leandro Ritt, afirmou que o motorista Rafael Henrique Dutra da Silva, 32 anos, é um psicopata. Rafael confessou à polícia o assassinato da médica cirurgiã e então diretora do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Gabriela Rebelo Cunha, 44. O crime foi revelado pela corporação nesta quarta-feira (30/1).

O assassinato de Gabriela aconteceu em 24 de outubro do ano passado, mas, desde então, o acusado manteve contato com a família, namorado e colegas de trabalho da vítima por telefone, passando-se por ela por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp. A eles, Rafael dizia que ela estava internada em uma clínica para tratar problemas pessoais e retornaria apenas no Natal.

De acordo com Ritt, o assassino trabalhava há cerca de dois anos como motorista da vítima. Ele assumiu o lugar da mãe, que deixou o cargo após ser diagnosticada com câncer. Devido à proximidade, Gabriela deu a Rafael uma procuração para ele fazer movimentação financeira das contas e imóveis dela. “Ele era o motorista de confiança dela. Mas ele (Rafael), ao movimentar as contas bancárias dela, subtraía pequenos valores mensalmente, sem o conhecimento de Gabriela”, conta o delegado.

Mas um relacionamento iniciado pela doutora no segundo semestre de 2018 interrompeu a ação do criminoso. De acordo com o delegado, o namorado da cirurgiã alertou que a situação era insegura. “Ela ouviu os conselhos e recolheu a procuração das mãos do Rafael. Mas isso gerou uma insatisfação nele, porque ele voltou a ser apenas o motorista da família e perdeu o acesso à movimentação financeira dela”, conta.
 

O crime 

 
Para recuperar esse acesso, o delegado conta que Rafael decidiu assassinar a médica. Com um comparsa, ele arquitetou um plano para 24 de outubro de 2018, data em que ele sabia que levaria a doutora Gabriela para um compromisso em uma agência bancária de Sobradinho. 

No dia, Gabriela trabalhou normalmente no período da manhã no HRT e, no horário do almoço, Rafael a levou para a agência em Sobradinho. Na volta, o motorista colocou o plano em ação e disse que não poderia retornar pelo mesmo caminho porque ouviu no rádio que o trânsito estava interrompido. Ao acessar outra estrada, ele parou em um ponto de ônibus alegando problema no veículo.

No local, o comparsa estava à espera e rendeu os dois com uma faca. Como combinado, o suposto assaltante o obrigou a dirigir até Brazlândia. Lá, eles entraram em uma área de cerrado. Gabriela então foi retirada do veículo e foi assassinada no matagal. Rafael afirmou que ficou no veículo.

Só a perícia poderá determinar a causa da morte, mas a principal suspeita é de que a faca que foi usada para render a médica tenha sido usada para cometer o crime. Segundo o motorista, ela morreu enforcada. Pelo crime, o comparsa recebeu R$ 5 mil.

Desde o crime, Rafael pegou uma cópia da procuração autenticada que tinha de Gabriela e passou a administrar a vida financeira dela. No mesmo dia do assassinato, ele foi até uma agência do BRB e sacou uma quantia em dinheiro. Ao todo, de acordo com o delegado, ele movimentou R$ 200 mil.
 
 

Além de saques, Rafael demitiu a empregada, comprou dois carros e rescindiu dois contratos de trabalho que Gabriela tinha fora do HRT. Para não levantar suspeitas, ele ficou com o celular dela e enviava mensagens por meio do aparelho para o número dele alegando que todas as ordens partiram da médica.
 

Pai procura a polícia 


Após não receber notícias da filha no Natal, o pai da médica, o paraquedista do exército Mário Luiz Rebelo, foi até a 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), em 27 de dezembro, e registrou boletim de ocorrência do desaparecimento da filha. Em 7 de janeiro, o caso chegou à DRS e, nesta semana, Rafael foi preso no Itapoã. 

A médica ocupava o cargo de diretora do Hospital Regional de Taguatinga desde 6 de março de 2018(foto: Reprodução)
A médica ocupava o cargo de diretora do Hospital Regional de Taguatinga desde 6 de março de 2018 (foto: Reprodução)
Além de vários documentos, cartões e os carros, a polícia apreendeu pertencentes pessoais de Gabriela com Rafael. Entre eles, estavam um quadro de fotos da gravidez e da médica com a filha. Rafael foi autuado por latrocínio e ocultação de cadáver. O comparsa ainda não foi identificado pela polícia.

A polícia chegou a suspeitar do namorado de Gabriela, mas, no dia do crime, ele havia combinado de ela buscá-lo no Hospital de Base. Câmeras de segurança foram o álibi para o homem, que passou a tarde no local.

Ao Correio, o advogado do motorista, Cleyton Lopes de Oliveira, afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito, mas que o cliente dele está cooperando com a investigação. Rafael levou a PCDF até o local onde o corpo de Gabriela foi encontrado.

Em nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal manifestou profundo pesar pelo falecimento da servidora. A médica, especialista em cirurgia-geral, ocupava o cargo de diretora do Hospital Regional de Taguatinga desde 6 de março de 2018, até ocorrer o desaparecimento, em outubro do mesmo ano.

“A profissional, que era muito dedicada ao serviço, ingressou na Secretaria de Saúde do Distrito Federal em 10 de janeiro de 2006 e, na maior parte da carreira, atuou no Hospital Regional de Ceilândia”, diz trecho da nota.
 
* Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade