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Correio Braziliense

Assassino de médica do Hospital de Taguatinga pode ser solto nesta sexta

Como a prisão de Rafael Dutra é temporária, ele pode ser solto amanhã, caso a Justiça não conceda a prisão preventiva. Hoje, a polícia encontrou mais um carro que ele comprou com dinheiro da vítima


postado em 31/01/2019 17:45 / atualizado em 31/01/2019 18:56

A prisão de Rafael Dutra é temporário e caso não seja convertida em preventiva até amanhã, ele será solto à meia-noite(foto: PCDF / Divulgação)
A prisão de Rafael Dutra é temporário e caso não seja convertida em preventiva até amanhã, ele será solto à meia-noite (foto: PCDF / Divulgação)
Caso a 1ª Vara Criminal de Taguatinga não expeça, até sexta-feira (1º/2), um mandado de prisão preventiva contra Rafael Henrique Dutra da Silva, 32, acusado de assassinar a médica Gabriela Rebelo Miquelino Cunha, 44, ele será solto à meia-noite. À polícia, ele confessou a autoria do crime.
 
Como a prisão decretada na segunda-feira (28/1) foi temporária, tem prazo de apenas cinco dias. Em 24 de outubro, Rafael, que trabalhava como motorista particular de Gabriela, sequestrou e mandou matar a médica. Nos meses que se passaram, fingiu ser ela em conversas por WhatsApp com amigos e familiares. Foi um irmão, policial civil em Minas Gerais, que desconfiou e acionou os oficiais do Distrito Federal no início deste ano. Um comparsa, que teria ajudado no dia do crime, continua foragido. 
 
Nesta quinta-feira (31/1), mais um carro comprado pelo assassino com dinheiro da vítima foi localizado. Dessa vez, um Audi, em uma oficina de Sobradinho. Segundo o delegado Leandro Ritt, o veículo seria modificado e já estava com o motor desmontado. “A partir da veiculação das imagens do Rafael na imprensa, as pessoas começaram a identificar e a fazer denúncias. Foi assim que encontramos o carro. É possível que mais apareçam”, afirmou o delegado. Amanhã, o veículo será levado para a garagem da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS).  

Gabriela era diretora-geral do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) desde março do ano passado e Rafael trabalhava como motorista dela havia dois anos. Ele foi indicado pela própria mãe, que exercia a função anteriormente, mas precisou se afastar por problemas de saúde. De acordo com o Portal da Transparência, o salário dela girava em torno de R$ 16 mil, mas ela tinha ainda mais dois contratos com serviços privados.
 
Devido à quantidade de compromissos que precisava cumprir e por ter confiança em Rafael, deu a ele uma procuração de plenos poderes, o que permitia que ele movimentasse as contas bancárias (em pelo menos três bancos) e assinasse documentos em nome dela. Contudo, sempre que podia, o motorista retirava valores em benefício próprio, em torno de R$ 1.500 por mês, sem o conhecimento da vítima.
 
Um namorado havia alertado a médica sobre os riscos. Os dois já haviam terminado o relacionamento, mas, mesmo assim, ele conseguiu convencê-la a revogar a procuração. No dia 23, véspera da tragédia, ela enviou uma mensagem a Rafael pedindo que ele devolvesse o documento. A polícia descarta envolvimento do ex no crime.
 
A médica Gabriela Cunha era diretora-geral do HRT e foi morta no dia 24 de outubro pelo motorista particular(foto: Reprodução / Redes Sociais)
A médica Gabriela Cunha era diretora-geral do HRT e foi morta no dia 24 de outubro pelo motorista particular (foto: Reprodução / Redes Sociais)
Sem acesso ao dinheiro da patroa, Rafael, que já tinha passagem por estelionato e tentativa de homicídio contra o próprio pai, resolveu assassinar a médica. Pela manhã, levou Gabriela ao HRT e, por volta do meio-dia, os dois foram a uma agência bancária de Sobradinho onde ela fez uma transferência eletrônica. No caminho de volta, ele disse que precisaria pegar uma rota alternativa para evitar trânsito, disse ouvir um problema na roda e parou o carro em um ponto de ônibus.
 
Foi quando um comparsa de Rafael apareceu com uma faca anunciando um suposto assalto. Tudo havia sido combinado anteriormente e o grupo seguiu até uma área do Parque Nacional em Brazlândia, onde Gabriela teria sido enforcada até a morte. A perícia ainda vai confirmar a causa da morte.
 
Na confissão, Rafael disse ter pago R$ 5 mil ao ajudante, alguém que indicou como Baiano. O delegado da DRS, Leandro Ritt, que cuida do caso, descarta o nome. “Ele evidentemente está protegendo alguém. Já é certo que haja ao menos mais uma pessoa envolvida, mas ele está escondendo quem seja”, afirmou.
 
O advogado de Rafael, Cleyton Lopes de Oliveira, afirmou, ontem, que ainda não teve acesso ao inquérito, mas que o cliente dele está cooperando com a investigação.  

Compras

Além do Audi encontrado hoje, outros dois carros haviam sido identificados, ambos com modificações estéticas. Para a compra de um deles, foram feitas três transferências bancárias no valor de R$ 10 mil cada. Por enquanto, a Polícia Civil calcula que ele tenha subtraído ao menos R$ 200 mil de Gabriela. “Estamos aguardando o afastamento bancário de mais duas contas. É possível que esse valor seja muito maior”, avalia o delegado.
 
De posse da procuração de plenos poderes, Rafael também vendeu uma residência que a médica tinha na cidade de Pirenópolis (GO) e o apartamento em que ela morava com a filha, de 8 anos, na Asa Norte. Além disso, rescindiu os contratos com serviços privados prestados pela médica.

Desaparecimento

 
Para convencer amigos e familiares de que a médica estava bem, Rafael se passou por ela e enviou mensagens dizendo que estava se internando em uma clínica para tratamento de depressão, onde não poderia receber visitas, e que retornaria no Natal. Como a médica já havia se tratado uma vez, ninguém desconfiou, a princípio.
 
A Secretaria de Saúde informou que, em dezembro, a Superintendência da Região de Saúde Sudoeste abriu processo administrativo para apurar a ausência da servidora e que, naquele mesmo mês, bloqueou o pagamento dela.
 
Na noite de segunda-feira, o assassino levou os policiais ao local onde havia deixado a médica. Apenas as ossadas permaneceram após os dois meses de decomposição e foram levadas para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde ficarão por pelo menos 30 dias até que o laudo pericial seja concluído. 

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