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Correio Braziliense

Polícia procura o homem que enforcou a diretora do HRT

Agentes procuram o segundo envolvido no sequestro e na morte da diretora do HRT. Como a prisão do motorista é temporária, ele pode ser solto hoje. Ontem, a polícia encontrou o terceiro carro comprado por ele com dinheiro da vítima


postado em 01/02/2019 06:00 / atualizado em 01/02/2019 14:13

O motorista Rafael Dutra sacou R$ 200 mil das contas da médica, segundo a polícia: ele comprou ao menos três carros com o dinheiro roubado (foto: Polícia Civil/Divulgação )
O motorista Rafael Dutra sacou R$ 200 mil das contas da médica, segundo a polícia: ele comprou ao menos três carros com o dinheiro roubado (foto: Polícia Civil/Divulgação )


A Polícia Civil continua à procura do segundo envolvido no sequestro e assassinato da diretora-geral do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Gabriela Rebelo Miquelino Cunha, 44 anos, morta em 24 de outubro. Após ser preso, na segunda-feira (28/1), o motorista particular dela, Rafael Henrique Dutra da Silva, 32, confessou o crime e indicou onde a deixou para ser executada.

Em depoimento, Rafael disse que um comparsa de codinome Baiano enforcou Gabriela e desovou o corpo da médica em uma área de cerrado do Parque Nacional em Brazlândia, onde agentes encontraram a ossada dela. Mas o delegado Leandro Ritt, da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), desconfia da identidade do comparsa. “Ele evidentemente está protegendo alguém. É certo que ao menos mais uma pessoa participou, mas ele está escondendo quem seja”, afirmou o investigador responsável pelo caso.

Rafael conseguiu o emprego por indicação da mãe, que era motorista da médica mas precisou se afastar do trabalho por problemas de saúde. Devido à quantidade de compromissos que precisava cumprir e por confiar no funcionário, Gabriela deu a ele uma procuração de plenos poderes. Com ela, Rafael podia movimentar as contas bancárias (ao menos três) e assinar documentos em nome da patroa. Com a chefe viva, o motorista sacava em torno de R$ 1,5 mil mensais, sem que ela soubesse.

Um ex-namorado alertou a médica sobre os riscos. Mesmo após o fim do relacionamento, ele a convenceu a revogar a procuração. Em 23 de outubro, ela enviou uma mensagem ao motorista pedindo que ele devolvesse o documento. Rafael fez uma cópia da procuração e decidiu assassiná-la. Na manhã do dia seguinte, levou Gabriela ao HRT e, por volta do meio-dia, os dois foram a uma agência bancária de Sobradinho, onde ela fez uma transferência eletrônica. No caminho de volta, Rafael alegou que precisaria pegar uma rota alternativa para evitar trânsito, disse ouvir um problema na roda e parou o carro em um ponto de ônibus.

Era o local de encontro com o comparsa. O desconhecido apareceu com uma faca anunciando assalto. Era uma simulação. O homem entrou no carro e mandou Rafael seguir em direção a Brazlândia, onde os dois concluíram o plano. Na confissão, o motorista afirmou ter ficado no carro, enquanto o comparsa levou Gabriela para uma mata fechada, onde a enforcou até a morte. Rafael disse ter pagado R$ 5 mil ao colega pela morte. Os restos mortais da vítima ficarão no Instituto de Medicina Legal (IML) por 30 dias até que o laudo pericial definindo a causa da morte fique pronto.

Como a prisão decretada foi temporária, por cinco dias, a decisão vale até hoje. Caso a 1ª Vara Criminal de Taguatinga não determine prisão preventiva, Rafael será solto à meia-noite. Em nota, o advogado de defesa, Cleyton Lopes, disse aguardar o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público. “Na hipótese da prisão temporária ser convertida em preventiva, a defesa pretende usar os mecanismos jurídicos disponíveis a fim de resguardar os direitos do suspeito”, informou o defensor, por meio de nota.

Gabriela Rebelo Cunha: a ossada da vítima ficará no IML por 30 dias, até que o laudo definindo a causa da morte fique pronto (foto: Facebook/Reprodução )
Gabriela Rebelo Cunha: a ossada da vítima ficará no IML por 30 dias, até que o laudo definindo a causa da morte fique pronto (foto: Facebook/Reprodução )


Ostentação

Rafael Dutra roubou ao menos R$ 200 mil das contas da vítima, após matá-la. “Estamos aguardando o afastamento bancário de mais duas contas. É possível que esse valor seja muito maior”, comentou o delegado Leandro Ritt. Segundo o Portal da Transparência, o salário da médica girava em torno de R$ 16 mil, mas ela tinha ainda mais dois contratos com serviços privados. Boa parte do dinheiro subtraído foi gasto em carros. Na segunda-feira, um Gol e uma Saveiro foram encontrados na casa do assassino confesso, no Itapoã.

Ontem, os investigadores apreenderam mais um veículo. Dessa vez, um Audi, em uma oficina de Sobradinho. Segundo Leandro Ritt, o carro seria modificado e estava com o motor desmontado. “A partir da veiculação das imagens do Rafael na imprensa, as pessoas começaram a identificar e fazer denúncias. É possível que mais (carros) apareçam”, observou o delegado.

Rafael gostava de mudar a estética dos veículos. Motores eram trocados por mais potentes e suspensões eram rebaixadas. Para a compra do Gol, ele fez três transferências bancárias de R$ 10 mil cada. De posse da procuração de plenos poderes, ele também vendeu uma residência da médica em Pirenópolis (GO) e o apartamento em que ela morava com a filha, de 8 anos, na Asa Norte. Também rescindiu os contratos com serviços privados prestados pela médica.

O advogado de defesa afirmou que a Saveiro foi adquirida após a morte de Gabriela “com dinheiro que (Rafael) recebeu durante meses de trabalho; uma boa parte, proveniente de outras rendas; não é fruto do crime. A investigação está se aprofundando com o objetivo de esclarecer a origem do recurso para a compra do Audi e do Gol. Não há documentos que conectem o suspeito aos veículos”, afirmou o advogado na nota oficial.

Para convencer amigos e familiares de que a médica estava bem, Rafael se passou por ela e enviou mensagens de WhatsApp dizendo que estava se internando em uma clínica para tratamento de depressão onde não poderia receber visitas e que retornaria no Natal. Como Gabriela havia se tratado uma vez, ninguém desconfiou a princípio.

Apesar de ser diretora do HRT desde março do ano passado, apenas em dezembro, quase dois meses após do desaparecimento, a Superintendência da Região de Saúde iniciou um processo administrativo para apurar a ausência da servidora. “O pagamento foi bloqueado no mesmo mês em que o processo foi aberto”, informou, por nota, a Secretaria de Saúde.

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