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Correio Braziliense

Vítima de feminicídio em Sobradinho sofria agressões constantes

Morta na madrugada desta segunda-feira (11/3), Cevilha Moreira dos Santos sofria violência em casa e havia alertado conhecidos, mas não denunciava companheiro por depender financeiramente dele


postado em 11/03/2019 20:51 / atualizado em 12/03/2019 10:44

Polícia está à procura de Macsuel dos Santos Silva, suspeito de assassinar a companheira em Sobradinho 1(foto: PCDF/Divulgação)
Polícia está à procura de Macsuel dos Santos Silva, suspeito de assassinar a companheira em Sobradinho 1 (foto: PCDF/Divulgação)
Mais uma vítima de feminicídio no Distrito Federal, a dona de casa Cevilha Moreira dos Santos, 45 anos, tinha um histórico de agressões por parte do companheiro, segundo relatos. Ela foi encontrada morta na quitinete onde morava com o companheiro, Macsuel dos Santos Silva, 35, na madrugada desta segunda-feira (11/3).

Conhecidos da vítima prestaram depoimento à Polícia Civil e relataram que Cevilha sofria, constantemente, com agressões de Macsuel. Apesar de ela nunca ter denunciado o companheiro, uma testemunha relatou em depoimento que a violência por parte dele era constante. “Ela chegou a mandar mensagens pelo WhatsApp com fotos das agressões para o depoente. Em uma delas, estava com o olho roxo. Isso foi em janeiro deste ano”, comentou o delegado à frente das investigações, Hudson Maldonado. 

Segundo ele, a vítima não teria procurado a polícia por depender financeiramente do companheiro. “Ela relatava que, por ter muitos antecedentes criminais, não conseguia emprego e, por isso, decidiu ficar com o suspeito”, detalhou o delegado. Cevilha respondia por 16 crimes cometidos no DF. Entre as ações, há lesão corporal e furto.
 
Como a família era nova na região onde morava, a vítima ainda não tinha relações estabelecidas com os vizinhos. Alguns moradores afirmaram à reportagem que viram quando o casal se mudou, mas nunca chegaram a conversar com Cevilha. Na noite do crime, muitos relataram não ter escutado sons de briga vindos da residência do casal. “Ouvi o grito e acionei os policiais. Pouco tempo depois, saí para ver o que tinha acontecido e encontrei o corpo (da vítima)”, contou um dos vizinhos.
 
Alguns moradores afirmaram à reportagem que viram quando o casal se mudou, mas nunca chegaram a conversar com Cevilha. Ainda assim, todos sabiam sobre o sequestro do bebê do Conic, um dos fatos que prejudicava a independência da vítma. “Não importa o que tenha feito antes. Ela respondia por isso na Justiça e ninguém tinha direito de tirar a vida dela”, lamentou uma vizinha, que preferiu não se identificar.

Depois de matar Cevilha, Macsuel tentou fugir no carro da mulher, mas não conseguiu ligar o veículo e deixou o imóvel a pé. Ele não tinha antecedentes criminais e, no currículo dele, a última profissão registrada era de brigadista. A polícia segue à procura do suspeito. Informações podem ser repassadas por meio de denúncias anônimas pelo telefone 197 ou diretamente na 13ª Delegacia de Polícia (Sobradinho).

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