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Correio Braziliense

Feminicídio: 'Sorriu para ela, mas depois deu dois tiros', conta servidora

Funcionários da Secretaria de Educação dizem que policial civil que matou professora em prédio do órgão mentiu na portaria para ter acesso ao local


postado em 20/05/2019 13:14 / atualizado em 20/05/2019 20:36

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Testemunhas do feminicídio ocorrido na Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiro, na 511 Norte, na manhã desta segunda-feira (20/5), descreveram como "frio" o comportamento do policial civil Sergio Murilo dos Santos, que assassinou a tiros a servidora Debora Tereza Correa, 43 anos. Ele tirou a própria vida em seguida, no mesmo local.

Professora da Secretaria e advogada, Lucilene Marques, 44 anos, chegou ao prédio minutos após os tiros, antes da Polícia Militar. Segundo colegas contaram a ela, Murilo chegou a bordo de um carro de transporte por aplicativo e, aparentando calma, disse na portaria que precisava avaliar o andamento de um processo com entrada na Regional de Ensino de Sobradinho.

Assim, o assassino conseguiu acesso ao terceiro andar, onde Debora trabalhava. "Foi surreal, uma tragédia de cena de filme. Ele se apresentou como se fosse resolver um processo administrativo. E quando viu a Debora, sorriu para ela. Mas depois deu dois tiros", contou a servidora ao Correio. Até a última atualização desta matéria, não havia sido confirmado se o processo mencionado por Murilo existia de fato.

Murilo e Debora foram namorados. Segundo a Polícia Civil, ela havia prestado queixa contra ele. Professora, Debora estava trabalhando na área administrativa. O prédio onde ocorreu o crime é sede, há menos de um mês, de setores que antes ficavam localizados em um prédio na 607 Norte. “É um lugar aparentemente seguro, novo. Mas se acontece um crime desses em um edifício assim, imagina nas escolas e outras instalações da secretaria?”, questionou a professora, temendo a insegurança.

Notas de pesar

Em nota, a Secretaria de Educação lamentou a morte da servidora e informou que ela atuava na rede pública de ensino desde 2001. "Neste momento de dor, a SEE/DF se solidariza com a família, os amigos e os colegas da servidora. A pasta está à disposição para contribuir na investigação do caso."
 
Também em nota, a Polícia Civil do DF confirmou o envolvimento do servidor da corporação. "A instituição lamenta profundamente o episódio. As circunstâncias estão sendo  apuradas e, posteriormente, traremos mais detalhes. A investigação ficará à cargo da Corregedoria Geral de Polícia (CGP)", diz o texto.

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