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Correio Braziliense

Esquema de fraude de ex-jogador Roni era investigado desde 2017

PCDF apura irregularidades nas empresas Roni7 e Meu Bilhete. Site de venda de ingressos comercializa bilhetes para o próximo jogo da Seleção Brasileira


postado em 27/05/2019 09:26 / atualizado em 27/05/2019 13:07

(foto: TV Globo/Reprodução)
(foto: TV Globo/Reprodução)


A empresa Meu Bilhete, uma das investigadas pela Polícia Civil na Operação Episkiros, deflagrada na tarde de sábado, é a responsável pela venda de ingressos para o próximo jogo da Seleção Brasileira no Estádio Nacional Mané Garrincha. O amistoso entre Brasil e Catar está marcado para 5 de junho, e os preços dos ingressos variam entre R$ 75 e R$ 600. A comercialização segue regras impostas Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e, a princípio, está dentro da legalidade.

Pouco antes da partida entre Botafogo e Palmeiras, no sábado, no Mané Garrincha, a Polícia Civil, por meio da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes contra a Administração Pública e aos Crimes contra a Ordem Tributária (Cecor), prendeu sete suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude tributária para a realização de jogos de futebol. O dono da Meu Bilhete e sócio do ex-jogador de futebol Roniéliton Pereira Santos, o Roni, foi um dos detidos.

Duas empresas são investigadas. A produtora Roni7 — do ex-jogador que também foi preso pela polícia — ficava responsável pela compra de jogos de clubes de futebol, especialmente do Rio de Janeiro e de São Paulo. A Meu Bilhete vendia os ingressos para os jogos. Seis pessoas foram detidas no Mané Garrincha antes da disputa de sábado. O sétimo suspeito foi preso em Samambaia.

Além das prisões temporárias, a Polícia Civil cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Brasília, Goiânia e Luziânia (GO), onde ficam as residências dos envolvidos e as sedes das duas empresas. A operação recebeu o nome Episkiros, em referência ao jogo com bola criado na Grécia Antiga que pode ter dado origem ao futebol moderno. A palavra, de origem grega, também pode significar "jogo enganoso".

Atuação


O esquema de fraude permitia que os envolvidos controlassem toda a cadeia de comercialização de ingressos, segundo a Polícia Civil. Os suspeitos elaboravam boletins financeiros (borderôs) com dados falsos e informações de que a arrecadação para a partida havia sido menor, para arcar com menos impostos. Os contratos com as administradoras dos estádios eram firmados de duas formas: os repasses de tributos e o valor do aluguel dependiam, ou da quantidade de público pagante, ou da porcentagem de público na arquibancada.

O delegado Leandro de Castro, da Cecor, afirmou que o sistema causou prejuízo ao erário pela ausência dos repasses de impostos federais, estaduais e municipais que ficam para o DF. Ele acrescentou que o esquema gerou danos para as federações de futebol e até para os times.

“A maioria das taxas pagas, como aluguel do estádio e tributos, é calculada em cima da arrecadação bruta do jogo. O grupo vendia uma quantidade maior de ingressos, mas informava que havia menos torcedores no borderô do jogo. Eles também atuavam declarando o número real do público presente, mas aumentando a quantidade de pessoas no estádio distribuindo cortesias para disfarçar”, detalhou.

Os eventos em que foram detectadas fraudes ocorreram a partir do segundo semestre de 2018. Ainda assim, a polícia avalia se o sistema funcionava antes de 2015, quando as empresas começaram a promover jogos no DF. De lá para cá, o grupo trouxe 20 partidas de futebol para Brasília. “Eles levaram (o esquema) para outros estados também. Sabemos que, entre eles, há Corinthians e Ferroviário, em Londrina (PR), e Vasco e Serra-ES, em Cariacica (ES). Ambos pela Copa do Brasil”, afirmou o delegado Leandro de Castro.

As investigações começaram em 2017 e não têm data para terminar. A polícia vai analisar documentos para descobrir se há vínculo entre os investigados, como os suspeitos agiram, se houve participação de outros envolvidos e quem foram as vítimas. Além de Roni e do sócio, um dos administradores do Estádio Nacional Mané Garrincha e o presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF), Daniel Vasconcelos, foram presos. Se indiciados, os sete devem responder pelos crimes de estelionato majorado, associação criminosa, falsidade ideológica e sonegação fiscal.

Os detidos foram liberados na noite de domingo. A polícia ainda avalia a possibilidade de prorrogação das prisões. “As buscas foram feitas e eles serão ouvidos. A liberação não provocará prejuízos para a investigação”, afirmou o delegado. A reportagem tentou contato com as defesas de Roni e do dono da Meu Bilhete, mas, até o fechamento desta edição, não teve retorno.
 

Nota

Em nota, a Federação de Futebol do Distrito Federal (FFDF) alegou que, tanto a entidade, quanto o presidente Daniel Vasconcelos, não têm qualquer envolvimento com a operação Episkiros. "Nem mesmo o Ministério Público concordou com a prisão temporária do presidente. E que os fatos investigados pela Polícia Civil serão, ao tempo certo, devidamente esclarecidos, e se provará ao final não haver envolvimento do Daniel com os crimes supostamente atribuídos aos envolvidos", afrimou no texto.


PARA SABER MAIS

Aluguel do Estádio Nacional
O Estádio Mané Garrincha é administrado pelo Governo do Distrito Federal. A arena conta com pelo menos 10 áreas disponíveis para aluguel para eventos. O valor da taxa é revertido para o Tesouro do Distrito Federal. Em casos de jogos de futebol, a produtora ou o clube deve pagar taxa de 15% em cima da renda bruta arrecadada, conforme indicada no borderô da partida. Quando houver mais de quatro jogos realizados pelo mesmo clube ou empresa, será devido pagamento de 13% em cima da renda bruta. Segundo os organizadores, o jogo de sábado entre Botafogo e Palmeiras teve um público de 33.143 pagantes e renda de R$ 2.320.830.
 
 

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