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Correio Braziliense

Registro de tentativas de feminicídio cresce 77% no primeiro semestre

Balanço da Secretaria de Segurança Pública mostra aumento na quantidade de feminicídios e tentativas registrados no primeiro semestre, a maioria cometida dentro de casa. Número de homicídios e de roubos em geral registraram queda no período


postado em 12/07/2019 06:00 / atualizado em 12/07/2019 07:40

Isabella foi morta a tiro pelo ex-marido Matheus Galheno em casa: perfil da maior parte desse crime(foto: PCDF/Divulgação)
Isabella foi morta a tiro pelo ex-marido Matheus Galheno em casa: perfil da maior parte desse crime (foto: PCDF/Divulgação)
Os casos de violência contra a mulher aumentaram no Distrito Federal no primeiro semestre. As tentativas de feminicídio subiram para 55, um crescimento de 77% em relação ao mesmo período de 2018, quando houve 31 vítimas. Os dados divulgados nesta quinta-feira (11/7) pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) também mostram 14 feminicídios, uma ocorrência a mais na comparação com os primeiros seis meses de 2018.

O balanço da pasta indica que 65 mulheres vítimas destes crimes foram atacadas em casa, o que significa quase 88% das situações. Um desses casos ocorreu em 31 de março, no Paranoá. Isabella Borges, 25 anos, foi morta a tiros na residência onde morava com a família. No momento do feminicídio, cometido por Matheus Galheno, 22, a vítima segurava o casal de gêmeosde 1 ano no colo. O assassino se matou em seguida.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, a alta nos crimes de violência contra a mulher chama a atenção. “É um crime que nos preocupa muito e ainda não conseguimos entender o aumento nas tentativas de feminicídio. É um delito muito difícil por ser intramuros, mas pretendemos resolvê-los”, destaca.

A apuração inicial dos casos no primeiro semestre indica que a principal motivação dos suspeitos é a briga por ciúmes da mulher, a partir do sentimento de posse. Essa foi a conclusão de 40 investigações (54,1%). Em segundo plano, com 19 registros, está a reação ao término da relação (25,7%). Brigas familiares representam quatro ocorrências (5,4%). Ainda segundo o estudo, metade das mulheres foi atacada com arma branca, como facas (37); 28,4%, com arma de fogo (21); 8,1% sofreram agressões físicas (6); e 6,8%, por asfixia (5).

“Precisamos entender fenômenos que englobam esse tipo de crime, que gera arrependimento por parte do autor, que decide tirar a própria vida. Não é como em um homicídio comum. Para entendermos estas nuances, precisamos estudar a cabeça do autor”, afirma Anderson Torres.

Redução

Os crimes contra a vida sofreram uma queda. Até junho, houve o registro de 218 homicídios, o que significa uma queda de 11% em comparação ao mesmo período de 2018, com 246 ocorrências. Os latrocínios (roubos com morte) caíram para 12 casos, dois a menos do que no ano passado.

Os roubos também mostram diminuição no período. Os assaltos a comércio obtiveram a maior redução, de 983 para 658 casos em todo o DF. Roubos em transporte coletivo caíram 23,9%. Furtos em veículos e roubos a residências, de veículos e a pedestres caíram 16,6%, 29,7%, 17,8% e 14,1%, respectivamente.

Mesmo com a queda em alguns índices, o secretário Anderson Torres acredita que ainda há problemas na segurança pública em relação a regiões administrativas como Ceilândia, São Sebastião e Planaltina. “A Polícia Militar realizará uma redistribuição de efetivo estratégico para áreas de manchas criminais (regiões com concentração de crimes). Estudos específicos da secretaria mostram que precisamos dar atenção às microrregiões dessas cidades. Por exemplo, vamos pensar Taguatinga, mas visando quadras específicas da área. A ação visa diminuir o efeito da criminalidade nesses locais”, detalha.

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