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Correio Braziliense

Metrô trabalha com catracas abertas no primeiro dia após fim da greve

Servidores retornam ao trabalho após 77 dias de paralisação, mas ainda sem efetivo completo devido a falta de transporte, antes oferecida a eles. Poucas bilheterias abriram, formando grandes filas


postado em 18/07/2019 06:57 / atualizado em 18/07/2019 14:19

Estações do Metrô estão com as catracas liberadas na manhã desta quinta-feira (18/7)(foto: Alan Rios/CB/D.A Press)
Estações do Metrô estão com as catracas liberadas na manhã desta quinta-feira (18/7) (foto: Alan Rios/CB/D.A Press)

O primeiro dia após o fim da greve dos metroviários ainda não tem estações funcionando normalmente. Após 77 dias de paralisação, os servidores do Metrô acataram determinação do Tribunal do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) e voltaram às suas atividades. Porém, a categoria está sem a indenização de transporte para se locomover aos postos de trabalho. Devido a falta desse pagamento de passagem, a maioria das estações do Distrito Federal amanheceu sem servidores nas bilheterias. 



Os postos de bilhetes que foram abertos tinham somente um funcionário, o que causou grandes filas. O serviço para compra de passagem foi lento e gerou uma espera de cerca de 10 minutos em estações como Central e Ceilândia Centro. "Aqui na estação da Rodoviária é todo dia essa demora nas filas, até sem greve", reclamou a diarista Rosilene Bernardo da Silva, 39.
 
Há registros de funcionários em bilheterias somente em 11 estações. Nas 13 demais, as catracas foram liberadas: 102 Sul, 108 Sul, 112 Sul, 114 Sul, Asa Sul, Feira, Arniqueiras, Concessionárias, Praça do Relógio, Ceilândia Sul, Ceilândia Norte, Furnas e Samambaia Terminal. Grande parte das estações abriu às 5h30, horário normal de funcionamento. Houve apenas um pequeno atraso na saída dos trens, de cerca de 10 minutos.
 
Bilheteria da estação Central foi uma das que abriu, mas com somente um funcionário, causando grandes filas(foto: Alan Rios/CB/D.A Press)
Bilheteria da estação Central foi uma das que abriu, mas com somente um funcionário, causando grandes filas (foto: Alan Rios/CB/D.A Press)

O fim da greve foi comemorado por quem utiliza o metrô diariamente. Ana Paula Araújo, 38 anos, diz que esse é o melhor meio de transporte para seu trabalho, e que teve muitas dificuldades durante os 77 dias de paralisação. "Hoje está bem diferente, tudo tranquilo e os vagões um pouco mais vazios, já que o fluxo de trens está maior. Mas nos últimos meses não dava nem para entrar no vagão de tão lotado", conta a biomédica.

Em nota, a Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) informou que "todas as estações abriram no horário normal e 24 trens circularam no horário de pico, reduzindo o tempo de espera dos trens nas estações". O órgão ainda detalhou que, das 24 estações, 13 tiveram que liberar acesso aos usuários porque alguns empregados seguiram a orientação do Sindmetrô e não abriram o caixa das bilheterias. "A direção do Metrô tomará medidas cabíveis em relação aos empregados que se recusaram a cumprir seu dever funcional, inclusive quanto aos prejuízos causados ao erário", finalizou. 

"Nos últimos meses não dava nem para entrar no vagão de tão lotado" (foto: Alan Rios/CB/D.A Press)

Faixas liberadas

O Departamento de Estradas e Rodagem do Distrito Federal (DER) irá manter, por enquanto, a faixa exclusiva liberada para todos os veículos na EPNB. "Caso haja o cumprimento da decisão, o DER/DF informará a todos sobre a data de volta da proibição de circulação na faixa exclusiva", informou o órgão em nota.

Prejuízo 

De acordo com o Metrô, 45% dos metroviários aderiram ao movimento. Já o SindMetro diz que do total de 1.301 servidores, 98% entraram em greve. "Somente 54 deles, que têm cargos de chefia, não ingressaram a greve por medo de perder os cargos", informou a diretora de comunicação do sindicato. 
 
Segundo o metrô, em 74 dias os trabalhadores deixaram de transportar R$ 1,7 milhões de usuários. O prejuízo chegou a R$ 8,8 milhões. Por dia, circulam, em média, 190 mil usuários. Antes da decisão dos metroviários, a empresa informou que esperava o retorno da categoria ao trabalho, conforme determinou o TRT.
 

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