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Correio Braziliense

Metroviários voltam ao trabalho, mas não confirmam estações abertas às 5h30

Eles também decidiram que podem ficar sem abrir as bilheterias, pois a empresa retirou a garantia da quebra de caixa, ou seja, o pagamento da diferença caso haja alguma inconsistência nos valores. Com isso, as catracas ficariam abertas para os usuários


postado em 17/07/2019 23:12 / atualizado em 17/07/2019 23:56

(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Wallace Martins/Esp. CB/D.A Press)
Após a maior greve da história do metrô, que durou 77 dias, os servidores decidiram pôr fim à paralisação. Eles retornam ao trabalho nesta quinta-feira (17/7), conforme determinou o Tribunal do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), mas não confirmaram se as estações estarão abertas a partir das 5h30 — horário que os trens começam a funcionar —, pois dependem de um transporte para poder se locomover de casa até os locais de trabalho.
 
Também decidiram que podem ficar sem abrir as bilheterias, pois a empresa retirou a garantia da quebra de caixa, ou seja, o pagamento da diferença caso haja alguma inconsistência nos valores. Com isso, as catracas ficariam abertas para os usuários. 
 
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetro-DF) informou que encaminhou uma carta a empresa pedindo a concessão do transporte, mas não tinha recebido retorno até a noite desta quarta-feira (17/7). Também acionou o metrô para garantir o pagamento da diferença na bilheteria.
 
A diretora de comunicação do SindMetrô-DF, Renata Campos, explicou que os funcionários estarão disponíveis, mas, sem transporte, vão chegar às estações apenas quando os ônibus estiverem circulando. "Não pode colocar essa responsabilidade na conta do servidor. Nem todos os funcionário têm como estar nas estações às 5h. Tem gente que não tem carro, não há transporte público nesse horário e depende da indenização de transporte", informou. 
 
Com a vigência do acordo coletivo de trabalho, os servidores têm direito a uma indenização de transporte para conseguir chegar às estações antes das 5h30, valor que é pago em dinheiro. "Mas como nosso acordo está suspenso pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde 9 de julho, estamos com a indenização do transporte suspensa", lamentou Renata.

Em relação a quebra de caixa, a diretora disse que as bilheterias abertas serão de responsabilidade de cada funcionário que assumir a diferença dos valores descontados em contra-cheque. Na terça-feira (16/7), o TRT-10 decidiu que os metroviários deveriam voltar às atividades a partir de meia-noite de quinta-feira (18/7). O tribunal também considerou que os dias parados não serão cortados.
Funcionários do metrô votam em assembleia na noite desta quarta-feira (17/7) (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Funcionários do metrô votam em assembleia na noite desta quarta-feira (17/7) (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 

Demanda dos servidores 

Entre as reivindicações, os metroviários reivindicam a oficialização da jornada de trabalho de 30 horas semanais dos pilotos, o reajuste dos salários no mesmo índice da inflação e a manutenção do acordo coletivo por dois anos que prevê auxílio creche, auxílio alimentação, vale-transporte, entre outros benefícios sociais. 
 
Entretanto, a proposta mais atual feita pelo Metrô-DF não foi aceita pela categoria. A empresa ofereceu 6% de reajuste no vale alimentação e 6% no ressarcimento do plano de saúde, mas alteraria a cláusula que garante a estabilidade do servidor. 
 
O SindMetrô-DF alegou que a média salarial dos servidores é de R$ 3,7 mil a R$ 6 mil. "Queremos o retroativo do INPC que ganhamos em 2015, mas só começou a valer em 2018", explicou a diretora de comunicação da entidade representativa de classe, Renata Campos. 
 
Ela destacou que desde janeiro os servidores tentam negociações. "De oito reuniões, eles (empresa) cancelaram cinco reuniões. Entregamos nossa pauta de reivindicação em dezembro. Chegamos a pedir apoio do Ministério Público, mas a empresa cancelava os encontros", disse Renata.

Prejuízo 

De acordo com o Metrô, 45% dos metroviários aderiram ao movimento. Já o SindMetro diz que do total de 1.301 servidores, 98% entraram em greve. "Somente 54 deles, que têm cargos de chefia, não ingressaram a greve por medo de perder os cargos", informou a diretora de comunicação do sindicato. 
 
Segundo o metrô, em 74 dias os trabalhadores deixaram de transportar R$ 1,7 milhões de usuários. O prejuízo chegou a R$ 8,8 milhões. Por dia, circulam, em média, 190 mil usuários. Antes da decisão dos metroviários, a empresa informou que esperava o retorno da categoria ao trabalho, conforme determinou o TRT.


Baixa circulação de trens

 
Ainda segundo a assessoria da empresa, os intervalos variavam de 15 a 30 minutos nos pontos de Ceilândia e Samambaia e nos troncos centrais, esse tempo reduz pela metade.

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