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Correio Braziliense

Graduada que pediu emprego com faixa na W3 Norte é contratada

Gleiciane Vila Nova, graduada em enfermagem, exibiu faixa pedindo emprego com a irmã, Irislayne da Silva


postado em 23/08/2019 17:03 / atualizado em 23/08/2019 17:03

Gleiciane (E) e Íris (D) estenderam faixa na W3 Norte pedindo oportunidades para ingressar no mercado de trabalho(foto: Arquivo Pessoal)
Gleiciane (E) e Íris (D) estenderam faixa na W3 Norte pedindo oportunidades para ingressar no mercado de trabalho (foto: Arquivo Pessoal)
O apelo de Gleiciane Vila Nova, 24 anos, deu certo. A graduada em enfermagem que pediu emprego estendendo uma faixa na W3 Norte, com a irmã, assinou o contrato do seu primeiro trabalho na área, na manhã desta sexta-feira (23/8). Agora, ela pede por mais uma oportunidade para a família, já que Irislayne da Silva, 22, ainda procura emprego como engenheira.

"Depois que estendemos a faixa e viramos notícia, achei que íamos receber muitas ligações, mas só três empresas da minha área me chamaram para entrevista", contou Gleiciane. A falta de experiência pesou, mas uma delas teve uma atitude diferente. "Na quinta-feira da semana passada fui entrevistada na MedMais, em Águas Claras, e recebi um tratamento incrível. A diretora foi bem atenciosa comigo e deu um jeito de me encaixar mesmo sem vaga aberta, me oferecendo um treinamento para que eu pudesse adquirir a experiência que falta”, comemorou.

Enfermeira formada pelo Centro Universitário UDF, em 2017, por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), ela começará o primeiro emprego na área em setembro deste ano. Sem carro, ela sairá diariamente de Planaltina para Águas Claras, mas isso "não é problema nenhum", para a jovem. "Fiquei muito feliz com essa chance, porque muitas pessoas saem da faculdade com conhecimento, mas ficam desempregadas pela falta de experiência. Se todas as empresas oferecessem um treinamento inicial para balancear isso, o país estaria bem diferente", opinou.
 

Maleabilidade 

A irmã é um exemplo desse caso. Irislayne da Silva concluiu o curso de engenharia civil no primeiro semestre deste ano, pelo Centro Universitário UniEuro, com o Programa Universidade para Todos (Prouni), mas só recebeu ligações oferecendo oportunidades fora da área em que se formou. Ela e Gleiciane percorreram oito quadras do Setor Noroeste para entregar currículos da, à época, futura engenheira civil em obras do bairro. Não houve retorno.

"Todo mundo falava a mesma coisa: que era necessário ter experiência. Trabalhei a graduação toda, fiz estágio e, quando me vi formada, não achei oportunidades por causa da experiência", ressalta a jovem. Para Irislayne, o problema está em um mercado de trabalho que tem expectativas altas em cima de quem acabou de terminar a faculdade. Ela acredita que as empresas "deveriam ser mais maleáveis". 

“Sem oportunidade, as pessoas não têm nem como fazer um curso profissionalizante. Publicaram nossa foto com a faixa em um grupo e uma menina comentou que não adiantava a gente correr atrás com faixas se não procurarmos uma especialização. (Minha irmã e eu) Fizemos nossa faculdade com dificuldade. Éramos bolsistas. Pergunto como vou fazer uma especialização se não tenho nem dinheiro para pagá-la”, comentou Irislayne. No Distrito Federal, o desemprego atingiu 336 mil pessoas em junho.

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